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Porto Alegre, quarta-feira, 14 de março de 2018.

Jornal do Comércio

JC Logística

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Infraestrutura

Notícia da edição impressa de 15/03/2018. Alterada em 14/03 às 17h27min

Recursos da China deixam oito países vulneráveis

A China está emergindo como um grande credor para seus aliados econômicos, assumindo projetos para atualizar estradas, portos e aeroportos, tornando-se uma influência financeira cada vez mais importante no cenário mundial. A China está financiando até US$ 8 trilhões em negócios como parte da iniciativa "um cinturão, uma rota" em 68 países na Ásia, África e Europa.
Novos dados do Centro para o Desenvolvimento Global, um grupo de pesquisa internacional, estimam que o programa deixou oito países financeiramente vulneráveis: Djibuti, Quirguistão, Laos, Maldivas, Mongólia, Montenegro, Paquistão e Tajiquistão. Esses países representam posições no Sudeste Asiático (Laos), em uma cidade portuária africana (Djibuti), em um acesso para a Europa (Montenegro), em uma série de portos do Oceano Índico (Maldivas e Paquistão) e em uma rede de rotas rodoviárias e ferroviárias em toda a Ásia central conhecidas historicamente como a Rota da Seda.
Montenegro está usando o financiamento chinês para construir uma super-rodovia que melhorará suas conexões com os vizinhos dos Balcãs. Tajiquistão e Quirguistão estão recebendo ferrovias, estradas, usinas hidrelétricas e um grande gasoduto. A Mongólia receberá financiamento para construir usinas hidrelétricas e uma rodovia do aeroporto para a capital.
No processo, os níveis de endividamento e a dependência desses países junto à China estão aumentando. A dívida do Quirguistão com projetos de infraestrutura deverá aumentar de 62% do Produto Interno Bruto (PIB) para 78%, e a participação da China nessa dívida passará de 37% para 71%. A participação da China na dívida do Djibuti, onde tem sua única base militar no exterior, aumentará de 82% para 91% do PIB como resultado do financiamento de infraestrutura, de acordo com os autores do estudo, Scott Morris, John Hurley e Gailyn Portelance. Os dados foram reunidos a partir de relatórios públicos sobre projetos individuais.
Morris disse que essas tendências colocam as autoridades chinesas no centro das decisões financeiras se a dívida nesses países se tornar insustentável, suplantando o Fundo Monetário Internacional, os credores dos EUA ou privados em importância. "As regras são realmente que quem detiver a maior parte da dívida vai influenciar nas decisões", disse Morris, que atuou como vice-secretário assistente de financiamento para o desenvolvimento no Tesouro norte-americano de 2009 a 2012.
Mais dois países - Camboja e Afeganistão - logo podem ter mais da metade de sua dívida externa associada à China, embora, ao contrário dos outros oito, o seu endividamento geral não tenha atingido níveis alarmantes.

O que é a nova Rota da Seda

A nova Rota da Seda chinesa, inaugurada pelo governo do atual presidente Xi Jinping em maio do ano passado, reforça o interesse do país em ampliar sua posição como potência global. Formando um cinturão econômico, Pequim investe em países que, em troca, facilitem as negociações comerciais com a China. A proposta envolve 68 países, que reúnem uma população de 4,4 bilhões de pessoas e 40% da economia global.
Construção e reforma de portos e aeroportos, incentivos fiscais relacionados à importação e exportação são algumas das estratégias que já vêm sendo implementadas. Segundo o governo chinês, desde que o programa foi anunciado, em 2013, foram investidos na iniciativa mais de US$ 1 trilhão.
Há 2.000 anos, o governo imperial chinês de Zhang Qian estabeleceu a chamada Rota da Seda como forma de ligar economicamente a China com a Ásia central e o mundo árabe. O nome faz referência ao tecido que era o maior produto de exportação chinês à época. O intercâmbio econômico influenciou no desenvolvimento dos países que faziam parte do cinturão, mas se perdeu entre guerras. Na nova versão da rota, no entanto, a seda deve ficar só no nome. O objetivo de Xi Jinping é levar e trazer produtos de todos os tipos, como matérias-primas e eletrônicos, ampliando o alcance e competitividade da produção chinesa.
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