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Porto Alegre, sábado, 07 de abril de 2018.

Jornal do Comércio

Empresas & Negócios

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Com a Palavra

Notícia da edição impressa de 02/04/2018. Alterada em 07/04 às 08h49min

HP Inc. mira impressão 3D

HP/DIVULGAÇÃO/JC
Patricia Knebel
São cerca de 750 funcionários da HP Inc. no Brasil, a maioria deles em Porto Alegre, no Tecnopuc. A empresa mantém no País um ecossistema importante de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), além de fabricação local por meio de uma empresa terceirizada e um centro onde foram recicladas mais de 720 toneladas de produtos em 2016. É uma estrutura e tanto e que, com a separação da HP em duas companhias em novembro de 2015 - Hewlett Packard Enterprise e a HP Inc. - ganhou ainda mais agilidade. "Uma das coisas que a gente buscava com essa divisão era esse espírito de startup, marcado pela velocidade na tomada de decisão. Hoje somos uma empresa mais enxuta, mais ágil e com decisões mais focadas nos negócios", comenta Claudio Raupp, presidente da HP Inc. Brasil. Ele tem mais de 20 anos de experiência nas áreas de tecnologia e telecomunicações, onde ocupou posições locais, regionais e globais em importantes organizações como IBM e Nokia e HP - onde iniciou a sua trajetória em 2008 até ser nomeado, em 2015, presidente da HP Inc. do Brasil. Desde então, tem sido uma rotina ainda mais desafiadora, que o colorado de Rio Pardo (RS) costuma equilibrar com a prática de golfe e a pescaria.
JC Empresas & Negócios - Quais os reflexos da separação da HP em duas companhias?
Claudio Raupp - A indústria de tecnologia está evoluindo e acelerando os negócios. Na nossa configuração anterior, tínhamos um portfólio muito extenso, com PCs, notebooks, impressoras pessoais e corporativas, servidores e data center, servidores, entre outros. Ter tudo isso dentro do mesmo guarda-chuva tornava muito difícil a tomada de decisões rápidas. Durante muito tempo foi importante para HP estar toda junta, mas na medida em que passamos a buscar mais foco nas áreas de negócios, foi muito importante essa mudança, que trouxe a inovação para o topo agenda das operações. A divisão da empresa nos trouxe foco para podermos investir no que ainda não existe, que ainda não estamos comercializando. E aí temos alguns exemplos do que está sendo pensado, como o conceito do blended reality, uma combinação do mundo físico real com o virtual. Por meio de um processo de scaneamento 3D, pegamos objetos do mundo real, manipulamos a imagem, juntamos com outras criadas virtualmente e podemos colocar isso de novo no mundo real através de uma impressora 3D.
Empresas & Negócios - Quais as expectativas da empresa com a impressão 3D?
Raupp - A nossa aposta é que essa tecnologia nos abra um mercado de US$ 12 trilhões em impressões 3D no mundo. Temos grandes iniciativas na manufatura avançada, que envolvem podermos fazer peças com características estruturais de uma forma que não é possível no processo tradicional de injeção peças camada por camada. É um processo de fusão de materiais em que você imprime sob uma superfície específica e cria peças com um nível de definição muitíssimo mais alto. Hoje só a HP está trabalhando nesse espaço. Nenhuma outra tecnologia 3D atual tem a intenção de impactar a manufatura desta forma como a nossa. As outras empresas estão focadas em nichos de mercado. Esse nosso propósito abre um mercado potencial e vai ser grande peso do nossos negócios nas próximas décadas. É uma das grandes apostas da HP. Já lançamos as primeiras impressoras 3D no mundo e esperamos que cheguem no Brasil em início de 2019. Enquanto isso, já estamos criando o ecossistema.
Empresas & Negócios - Quais os desafios da criação de um ecossistema afinado para a empresa conseguir avançar neste mercado?
Raupp - Para lançar um produto em uma categoria nova, é preciso criar um ecossistema próprio que leve a uma agregação de valor para o desenvolvimento do hardware. A HP já tem o portfólio. A primeira impressora 3D que lançamos era em polímeros, mas não basta ter um tipo apenas de plástico, pois as demandas são diversas. Na indústria de automóveis, que está sendo muito impactada pela impressão 3D, cerca de 50% dos componentes são plásticos, mas mesmo aí existem variações para cada uso, como de resistência e leveza. Não é o mesmo polímero para tudo. Por isso, o segundo pilar é o desenvolvimento do ecossistema de materiais. Abrimos a nossa tecnologia e convidamos várias empresas químicas para junto com a gente desenvolver - hoje são mais de 20 companhias parceiras. Em setembro de 2017, anunciamos que já estamos imprimindo metal em laboratório. É um grande avanço, pois nos permitirá endereçar ouro tipo de solução para a manufatura. E, por sim, tem o pilar do desenho industrial. Estamos atuando junto as principais software houses e arquitetura de design no mundo para evoluir nisso.
Empresas & Negócios - Como a impressão 3D pode chegar aos consumidores finais?
Raupp - Hoje em dia, vendemos impressora 3D para as indústrias automotivas, aeroespacial e de bens e consumo. Mas, de fato, a ideia é levar isso para o mercado consumidor. Existem hoje em dia tecnologias de impressão 3D mais baratas, mas limitadas, que as pessoas podem comprar em loja. Mas, esse não é o nosso propósito. Queremos, por exemplo, que uma pessoa possa scanear o seu pé, personalizar as cores e os modelos de um tênis e, assim, imprimir uma versão feita especialmente para ela. Uma ideia que estamos trabalhando é a de ter provedores de serviço de impressora 3D profissional. Assim como hoje existem quiosques em shopping que imprimem um trabalho escolar, poderemos ter um espaço em que você leve o seu projeto eletrônico, defina o material e imprima em 3D com uma máquina HP. Cada marca de carro tem uma concessionária com setor de vendas e oficina. Imagina tudo sendo substituído por um provedor de serviço de impressora 3D, em que você imprime ali mesmo a sinaleira para o seu carro? Isso tudo vai gerar um grande impacto em logística e velocidade para atender o cliente e custo.
Empresas & Negócios - Quais são as outras apostas da HP Inc. para o mercado brasileiro?
Raupp - Uma delas é a venda de computador como serviço, seguindo o cenário já maduro da impressão como serviços. Ao invés de comprar e fazer administração do parque de computadores, as empresas estão aderindo a esse modelo. Ao mesmo tempo, estamos dando foco maior ao crescimento do nosso ecossistema, e o destaque foi a aquisição da divisão de impressão da Samsung, que trouxe para a HP um amplo portfólio de produtos que nos habilita a entrar no mercado de copiadoras, onde tínhamos presença pequena. Outro segmento importante para nós é o de impressão gráfica.
JC Empresas & Negócios - O cenário macroeconômico atual é propício para todos estes planos?
Raupp - Estamos enxergando 2018 com um otimismo cauteloso. Houve uma melhora no cenário econômico de uma forma geral, mas ainda muito longe do que foi nos anos de 2011 e 2012, em que mercado era muito maior. O lado positivo é que nesse ínterim dos últimos três ou quatro anos, em que estávamos nessa crise, vieram muitos avanços tecnológicos que trouxeram a transformação digital, e as empresas se organizaram, aumentando a eficiência.
Empresas & Negócios - Como manter o clima de startup em uma empresa gigante?
Raupp - Quando falamos em desenvolvimento de projetos, pensamos em grupos de trabalhos específicos focados, com toda governança de gestão e fazendo revisões constantes. O projeto de implantação hoje de um sistema não envolve uma única unidade, e sim centros espalhados pelo mundo, como especializações diferentes. Isso dá mais velocidade. O meu trabalho principal é trabalhar no presente da operação, e implementar as estratégias globais. Já no nosso Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Porto Alegre (RS), na Pucrs, a missão é olhar para futuro, para as coisas que não estão inventadas.
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