Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Porto Alegre, terça-feira, 27 de fevereiro de 2018.

Jornal do Comércio

Internacional

COMENTAR | CORRIGIR

Itália

Notícia da edição impressa de 28/02/2018. Alterada em 27/02 às 23h31min

Brasileiros têm cidadania cancelada

Com a revogação dos passaportes, brasileiros perderam também o direito de votar

Com a revogação dos passaportes, brasileiros perderam também o direito de votar


PIXABAY/DIVULGAÇÃO/JC
Os brasileiros que perderam a cidadania italiana após a comuna de Ospedaletto Lodigiano, no Norte do país, anular todos os registros provenientes do Brasil se dizem surpresos com a decisão. A cidade, próxima a Milão, que tem 1.574 moradores, tinha 1.118 brasileiros inscritos como residentes e, segundo a prefeitura, as cidadanias foram concedidas sem os brasileiros de fato residirem ali.
A residência é obrigatória para quem decide pedir, na Itália, o reconhecimento de sua cidadania pelo critério de descendência direta. O cancelamento foi informado no dia 9 de fevereiro e ocorreu menos de um mês antes das eleições legislativas, em 4 de março. Com a revogação dos passaportes, os brasileiros perderam também o direito de votar.
Segundo informações do jornal O Globo, uma empresa contratada por brasileiros pagava propina a funcionários públicos da cidade para que o processo fosse agilizado e a residência, falsificada no país. Um dos meios para a obtenção da cidadania é a comprovação da residência ao menos temporária.
No dia 8 de fevereiro, dois brasileiros colaboraram com a Justiça e foram a julgamento. Segundo a sentença, Wellinton Girotto foi condenado a três anos e seis meses de prisão, e Mariane Baroni, a dois anos e seis meses. Ambos confessaram os crimes. No dia seguinte, a comuna anulou os registros.
Segundo a decisão, o casal pagava cerca de ¤ 1.250 (R$ 5 mil) a funcionários públicos italianos em troca da vista grossa em relação a cada pedido de cidadania - foram pelo menos 500. Para auxiliar os interessados na cidadania, que garante o passaporte italiano e, com ele, o direito de morar e de trabalhar em um dos países da União Europeia, o casal cobrava até R$ 12 mil.
Enquanto uns se negam a falar sobre o assunto, outro grupo se defendeu e disse que seguiu os procedimentos corretos e, mesmo assim, teve a cidadania anulada. Parte deles já tenta reverter a decisão. "Estou perplexa", afirmou Vera Donnangelo, uma das pessoas que constam na lista divulgada pela comuna. Ela afirma ter seguido os procedimentos normais e nega qualquer tipo de ilegalidade.
Todos os ouvidos pela reportagem negaram qualquer tipo de pagamento de propina e dizem ter residido pelo menos 45 dias na Itália. Segundo Vera, filha de italianos, seu pedido foi feito por um escritório de advocacia em Brasília em que trabalham mãe e filha - uma no Brasil e outra na Itália. Ela diz que esteve na Itália e reafirmou a legalidade de sua inscrição.
"Nem tentei fazer pelo consulado, porque são de dez a 12 anos (para obter a cidadania). Teve essa opção de a gente fazer lá, que é o que a maioria das pessoas está fazendo. Foi dito para nós que iam 40 pessoas por mês (para a Itália)", afirmou.
Um grupo de quase 200 pessoas se uniu para tentar reverter a decisão. Segundo eles, já é a segunda vez que a inscrição de todos os brasileiros em Ospedaletto Lodigiano é anulada. Os brasileiros enxergam a proximidade da eleição italiana como o motivo para a decisão. "A comuna poderia ser responsabilizada por irregularidades nas eleições", diz o representante desses 200 brasileiros.
COMENTAR | CORRIGIR
Comentários
Seja o primeiro a comentar esta notícia