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Porto Alegre, quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018.

Jornal do Comércio

Geral

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Carnaval 2018

Notícia da edição impressa de 15/02/2018. Alterada em 14/02 às 22h28min

Com enredo crítico, Beija-Flor é a campeã dos desfiles no Rio de Janeiro

Apresentação traçou paralelo entre Frankenstein e mazelas do Brasil

Apresentação traçou paralelo entre Frankenstein e mazelas do Brasil


/MAURO PIMENTEL/AFP/JC
No ano em que completa 70 anos de existência, a escola de samba Beija-Flor de Nilópolis pode comemorar o título do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro. Em uma disputa apertada, a campeã somou 269,9 pontos, apenas um décimo à frente de Paraíso do Tuiuti e Salgueiro, que ficaram, respectivamente, com o segundo e o terceiro lugares. Além dessas escolas, Portela (com 269,4 pontos), Mangueira (269,3) e Mocidade (269,3) também participam do desfile das campeãs, que será realizado sábado. Na outra ponta, as agremiações Grande Rio (266,8) e Império Serrano (265,6) acabaram rebaixadas para o Grupo de Acesso.
Com o enredo "Monstro é aquele que não sabe amar. Os filhos abandonados da pátria que os pariu", a escola traçou um paralelo entre o livro Frankenstein, de Mary Shelley, que completa 200 anos em 2018, e as mazelas que aterrorizam a sociedade brasileira. "Monstros" nacionais - como a corrupção, as agressões à natureza, as disparidades sociais e as intolerâncias de todos os tipos - foram levados para a avenida como se fossem pedaços da grande "nação-frankenstein" brasileira. A postura crítica lembrou, em alguns momentos, o histórico enredo "Ratos e urubus, larguem minha fantasia" (1989), idealizado pelo carnavalesco Joãosinho Trinta. A passagem da escola, que encerrou os desfiles de segunda-feira, chegou ao fim simulando uma passeata popular, na qual as últimas alas foram acompanhadas, em pleno sambódromo, pelos espectadores das frisas e dos camarotes.
A vitória da Beija-Flor marca um ano bastante político no Carnaval carioca. A vice-campeã Paraíso do Tuiuti também investiu na crítica social, com um samba-enredo questionando se a escravidão, de fato, foi abolida com a Lei Áurea. Algumas alas trouxeram menções críticas às manifestações pedindo o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e também ao atual presidente, Michel Temer. A passagem da Mangueira, que mencionou explicitamente o corte de verbas às escolas promovido pelo prefeito do Rio, Marcelo Crivella, chegou a receber resposta, em nota oficial, por parte da prefeitura.
 
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