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Porto Alegre, quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018.

Jornal do Comércio

Geral

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Religião

Notícia da edição impressa de 15/02/2018. Alterada em 15/02 às 00h44min

Campanha da Fraternidade prega superação da violência

Para Padilha, campanha não pode ficar apenas dentro das igrejas

Para Padilha, campanha não pode ficar apenas dentro das igrejas


/CLAITON DORNELLES /JC
Igor Natusch
Construir uma cultura coletiva de paz, combatendo o que o Papa Francisco chama de "globalização da indiferença" e buscando, coletivamente, a reconciliação e a justiça. É com esse espírito que a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou, ontem, a Campanha da Fraternidade 2018. Com o tema "Fraternidade e superação da violência" e o lema "Vós sois todos irmãos", a iniciativa deste ano foi apresentada, em Porto Alegre, pelo padre César Leandro Padilha, secretário executivo da CNBB no Rio Grande do Sul. A campanha acontece no período da quaresma, e vem sendo realizada pela Igreja Católica brasileira desde os anos 1960, com abrangência nacional. 
Conforme o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 13% dos assassinatos do mundo ocorrem em solo brasileiro, embora a população corresponda a apenas 3% do total mundial. Em 2014, ano em que o País chegou ao topo do ranking mundial em número absoluto de homicídios, foram 59.627 mortes. Os dados são igualmente preocupantes no Estado, segundo a Regional Sul 3 da CNBB, que compreende as 18 arquidioceses e dioceses do Rio Grande do Sul. Na justificativa da campanha, é mencionado que a taxa de homicídios aumentou 12% entre os gaúchos no período de 2016 a 2017, e que uma pessoa é assassinada a cada três horas no Estado.
Como forma de enfrentar esses números, a CNBB propõe a valorização da família e o apoio a políticas públicas e à atuação de órgãos de Direitos Humanos. O documento lançado pela CNBB dá destaque a ações violentas contra grupos sociais vulneráveis, como os negros, os jovens e as mulheres. Além de condenar a criminalidade associada ao tráfico de drogas, a iniciativa vai aos menores núcleos da sociedade, alertando para as pequenas violências cotidianas, cometidas por cada um de nós.
"Grito contra a violência no Rio de Janeiro, mas saio no trânsito e sou violento. Estou falando de mim mesmo, eu, às vezes, me comporto assim", admite Padilha, para depois concluir. "Nem sempre percebemos esses gestos como violências. A mudança pessoal pode nos levar a uma transformação social, adotando o cristianismo como prática, e não somente como doutrina."
Um ponto muito importante da iniciativa, segundo Padilha, é buscar o diálogo com diferentes segmentos sociais e da segurança pública, além de outros credos religiosos. "A campanha não pode ficar apenas dentro das igrejas. Queremos conversar até mesmo com pessoas sem religião, pois elas também são boas, também sofrem com o aumento da violência", acentua. Há inclusive uma crítica aos políticos, que promovem corrupção e que, em outro sentido, usam o discurso da violência para angariar votos. "É importante saber se meu candidato está comprometido de fato com os princípios cristãos. Um cristão não deve votar em quem não defende a paz", reforça o padre.
Para desconstruir a "sociedade do medo", é preciso atuar também junto aos que, após cometerem crimes, se colocaram à margem da lei. O representante da CNBB explica que, na Campanha da Fraternidade deste ano, o trabalho de núcleos como a Pastoral Carcerária será reforçado, mantendo uma tendência já vista em 2017, tratado pela Igreja como Ano da Misericórdia.
"Vivemos em uma sociedade que exclui, com presídios que não recuperam mais. Punir adequadamente é muito importante, mas um cristão não pode acreditar que um ser humano seja irrecuperável", argumenta. "Jesus mesmo dizia: vá, e não peque mais. Você está no barro, mas o seu lugar não é o barro."

Papa pede que fiéis sejam 'construtores da paz'

O Vaticano divulgou, ontem, mensagem enviada pelo Papa Francisco aos fiéis brasileiros, marcando o lançamento da Campanha da Fraternidade em solo brasileiro. No documento, o sumo pontífice encoraja os católicos brasileiros a deixarem de lado "o ressentimento, a raiva, a violência e a vingança", assumindo o papel de "protagonistas da superação da violência, arautos e construtores da paz".
"A Campanha da Fraternidade de 2018 nos convida a reconhecer a violência em tantos âmbitos e manifestações e, com confiança, fé e esperança, superá-la pelo caminho do amor visibilizado em Jesus Crucificado", diz o Papa. "A paz é tecida no dia a dia com paciência e misericórdia, no seio da família, na dinâmica da comunidade, nas relações de trabalho, na relação com a natureza. São pequenos gestos de respeito, de escuta, de diálogo, de silêncio, de afeto, de acolhida, de integração, que criam espaços onde se respira a fraternidade", diz o texto.
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