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Notícia da edição impressa de 23/02/2018. Alterada em 22/02 às 17h17min

Internet das Coisas ganha impulso no Brasil

Venero, da Beyond, explica que o dispositivo permite acesso aos aparelhos da casa, via Wi-Fi

Venero, da Beyond, explica que o dispositivo permite acesso aos aparelhos da casa, via Wi-Fi


/LUIZA PRADO/JC
Uma lavoura na qual os índices de umidade e temperatura são monitorados em tempo real, uma rua que avisa aos carros quando há perigo de acidentes, uma casa em que aparelhos eletrônicos são controlados via aplicativo de celular. Esses três cenários são apenas algumas das possibilidades geradas pela conexão entre equipamentos e internet - a chamada Internet das Coisas, que promete ser cada vez mais presente no cotidiano de pessoas, cidades e negócios.
Também conhecido pela sigla IoT (Internet of Things), o termo Internet das Coisas remete a um mundo no qual máquinas, prédios ou veículos estão conectados - por meio de sensores e tecnologia embarcada - de forma a coletar e transmitir dados. "A ideia é ter as coisas conectadas. O objeto gera dados que vão para a nuvem e geram decisões", explica o diretor de tecnologia da Associação Brasileira de Internet das Coisas (Abinc), Luís Viola.
Viola observa que, no universo da IoT, é difícil apontar apenas uma tecnologia ou um produto específico como mais ou menos relevante. Para a população urbana, chama mais a atenção o conceito de Cidades Inteligentes, no qual a infraestrutura está interligada para obter mais segurança e eficiência nos serviços. Um exemplo são os testes em andamento na Europa, nos quais sensores colocados nas ruas podem alertar automaticamente os carros - também inteligentes, ou seja, conectados - sobre movimentações estranhas que possam trazer riscos de acidentes. "A rua 'percebe' o perigo, e o carro 'conversa' com a estrutura", descreve Viola.
Dentro das casas, a IoT pode servir para interligar eletrodomésticos e sistemas de iluminação e de ar-condicionado, facilitando a vida dos moradores. É essa a proposta da startup gaúcha Beyond, que em 2016 lançou seus primeiros produtos de automação residencial. O aparelho é instalado em tomadas ou interruptores da casa e pode ser controlado pela própria tela ou via aplicativo. "Por meio da rede Wi-Fi da casa, o dispositivo acessa todos os aparelhos com controle remoto, como ar-condicionado, TV e home theater", detalha o cofundador da empresa Sergio Venero.
A tecnologia da Beyond já está nas residências de cerca de 200 clientes - no Rio Grande do Sul e em outros estados. A startup - instalada na incubadora Raiar, do Tecnopuc, desde 2015 - deve lançar novos produtos em 2018, buscando mais proximidade com o consumidor final e apostando na conectividade com recursos como Google Home e Alexa (assistente virtual da Amazon). "Queremos chegar ao ponto de as pessoas terem a casa conectada e, logo adiante, a casa poder tomar decisões em benefício do conforto", antecipa Venero.
Enquanto isso, a IoT vai conquistando outros espaços. Segundo Luís Viola, os setores do agronegócio e da indústria são os que mais têm apostado em projetos dessa área no Brasil. Um exemplo é a agricultura: sensores colocados em uma plantação permitem mensurar indicadores como umidade, vento, temperatura, radiação solar e condições do solo. "Essas informações são jogadas na nuvem e cruzadas com outros bancos de dados e com informações da meteorologia, permitindo aconselhar o produtor sobre bons momentos para plantar, aplicar componentes ou adubos e colher", diz Viola. Sistemas semelhantes são usados nas indústrias para acompanhar o funcionamento de máquinas e aferir, por exemplo, a quantidade de matéria-prima usada para produzir um determinado número de itens.
O lançamento recente do Plano Nacional de Internet das Coisas - elaborado pelo governo federal com participação de entidades como a Abinc - deve impulsionar o setor nos próximos quatro anos. Com isso, novos sistemas e redes específicos deverão ser regulamentados - como a Lpwan (sigla em inglês para Rede de Baixa Energia e Longa Distância), da empresa WND, que pretende investir US$ 50 milhões no País, até 2019, para implantar essa infraestrutura. "Isso vai propiciar um salto, com custos mais baixos. A demanda é por redes que cubram grandes distâncias com pouco gasto de bateria nos dispositivos", afirma Viola.
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