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Porto Alegre, terça-feira, 27 de fevereiro de 2018.

Jornal do Comércio

Cultura

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Espaços Culturais

Notícia da edição impressa de 28/02/2018. Alterada em 27/02 às 20h08min

Fundação Iberê Camargo, a caminho da retomada

Justo Werlang e Eduardo Saron explicam parceria do Itaú com a instituição

Justo Werlang e Eduardo Saron explicam parceria do Itaú com a instituição


CRISTIANO VIEIRA/JC
Cristiano Vieira
Com o retorno de um antigo parceiro, a Fundação Iberê Camargo (FIC), aos poucos, vai deixando a crise no retrovisor: o Banco Itaú será o patrocinador das exposições da instituição a partir de agora, por meio um aporte de R$ 400 mil anuais. A notícia traz um certo alento a quem acompanha as mazelas que atingem os equipamentos culturais de Porto Alegre.
A novidade foi anunciada ontem, na sede da fundação, durante a realização do Fórum Brasileiro pelos Direitos Culturais. Conforme Eduardo Saron, diretor do Itaú Cultural, a Fundação Iberê Camargo é uma das referências das artes no Brasil. "Ela faz parte de um sistema artístico que inclui nomes como o Masp, o Palácio das Artes e o Museu do Amanhã, para citar alguns", avisa o gestor.
Presidente da Fundação Iberê Camargo desde que a crise atingiu fortemente a instituição, em dezembro de 2016, Justo Werlang celebra a parceria, fruto de muita conversa e de um reposicionamento institucional adotado no início de 2017. Esse cenário, por sinal, não é exclusivo da fundação gaúcha: a escassez de dinheiro obrigou o celebrado Masp a criar um fundo para se proteger de crises.
A FIC deixou de abrir de segunda a sexta-feira, permitindo o acesso do público somente nos fins da semana. Expandiu, ainda, o escopo das manifestações artísticas: o belo prédio projetado por Álvaro Siza (até então visto por parte das pessoas com um recinto de alta cultura, quase inacessível) começou a receber sessões de cinema, projetos musicais, debates e food trucks. Tudo emoldurado pelo belo pôr-do-sol do Guaíba nos fins de semana.
"Mesmo abrindo apenas dois dias na semana, cerca de 75 mil pessoas aproveitaram nossas atividades ano passado, número parecido ao de quando a instituição funcionava normalmente. A fundação está receptiva, agora, a todas as manifestações artísticas, mudamos nosso modelo de programação", declara Werlang. Outra informação que atesta a mudança no perfil da instituição: cerca de 60% das pessoas visitam a fundação pela primeira vez.
No dia 10 de março, o espaço recebe a primeira exposição do ano: uma mostra coletiva com obras de 23 artistas, intitulada Unânime noite. Ainda não é possível estipular uma data para o retorno total das atividades diárias, conforme Werlang. A FIC terminou 2017 com um orçamento de R$ 3 milhões, distante dos R$ 5 milhões necessários para que instituição funcione plenamente. Isso envolve contratação de pessoal e mais custos com energia, água, segurança etc. "As crises surgem e as instituições que passam por elas são aquelas que encontram resistência na sociedade. É importante esse apoio que recebemos", afirma o presidente da FIC.
Werlang conta que há um simbolismo no retorno do Itaú como apoiador da FIC. Tanto o banco quanto seu braço para a cultura, o Itaú Cultural, foram parceiros da instituição gaúchapor muito tempo. Essa relação terminou com o aprofundamento da crise e será retomada agora. O Itaú se soma a nomes como Grupo GPS, IBM, Banrisul e BTG Pactual na lista de principais patrocinadores da Fundação Iberê Camargo.
Ano passado, o Itaú destinou R$ 500 milhões para os programas que apoia nas mais diversas áreas, como cultura, saúde, educação e social. Entra nesta conta, também, o novo BikePOA (reinaugurado ontem na Capital) e o Porto Alegre em Cena, considerado por Saron "um dos principais festivais de artes cênicas do Brasil e que terá seu patrocínio renovado para este ano".
O executivo do Itaú Cultural, um dos principais nomes à frente do Fórum Brasileiro pelos Direitos Culturais, ressalta a importância da Lei Rouanet no fomento à cultura. Embora a demanda por recursos culturais cresça ano após ano, Saron explica que os recursos da Rouanet estão estagnados em cerca de R$ 1,2 bilhão anuais nos últimos três anos.
Esse panorama poderia mudar caso uma determinação legal fosse cumprida: o Fundo Nacional de Cultura (FNC) deveria receber 3% do valor bruto arrecadado com as loterias no Brasil, mas nem um centavo é repassado. Nas estimativas de Saron, são cerca de R$ 450 milhões por ano que deixam de irrigar o setor cultural no País. "Vai tudo para o governo fazer superávit. Estamos cobrando na Justiça, juntamente com entidades como a OAB, o repasse desses recursos", completa.
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