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Porto Alegre, quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018.

Jornal do Comércio

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Dom Jaime Spengler

A voz do Pastor

Notícia da edição impressa de 01/03/2018. Alterada em 28/02 às 21h48min

Quaresma: tempo favorável da graça

O período da Quaresma traz um desafio a toda pessoa que crê no Reino de Deus e sua justiça. O desafio consiste em responder ao convite para rever vida, para a conversão.
Conversão significa avaliar criticamente e, talvez, mudar a maneira de "pensar" e de "agir".
A pregação de Jesus aponta para o ideal de um povo restaurado e transformado segundo o ideal da aliança, ou seja, um povo no qual se possa ver e testemunhar que Deus reina. Mas, para isso, é necessário que todos reconheçam a Deus e entrem na dinâmica de seu reino.
O anúncio do Reino de Deus pressupõe contato direto e estreito com as pessoas, especialmente os mais simples e necessitados. O Reino vai sendo gestado lá onde está presente a firme determinação de promover a vida, e são levadas a termo ações que favorecem vida em abundância para todos.
Jesus de Nazaré se apresenta como um homem apaixonado por uma vida mais digna para todos, procurando fazer com que Deus seja conhecido e acolhido, e seu reino de justiça e misericórdia possa ser implantado.
Jesus se empenha por ajudar as pessoas a intuir e compreender como é e como age Deus, e se elas correspondem a esse modo de ser e agir. Desse modo, o convívio humano, certamente, ganha contornos característicos.
Ele se coloca do lado dos que sofrem e dos marginalizados. Sua pregação e testemunho representam um convite a uma decisão de vida. Seus discípulos são exortados a se deixar guiar pela sua misericórdia e encher o mundo com a sua compaixão.
Não se pode, porém, esquecer a presença do mal no mundo. O mal é uma realidade! A maldade é algo constatável; está presente no seio da sociedade como uma força satânica que condiciona, submete, desumaniza e mata.
Jesus anuncia que Deus já começou a destruir o poder do mal, que está na raiz de toda desordem, de toda forma de desrespeito e agressão à vida, de toda expressão de corrupção, pois ela destrói a pessoa humana (Papa Francisco), de toda expressão de violência fratricida. Deus não permite que sua luz se apague, que o mal tenha a última palavra, pois se isto viesse a acontecer extinguir-se-ia também a dignidade divina do ser humano.
A violência presente em nossa sociedade ceifa tantas vidas! Diante dessa tragédia humana os discípulos de Jesus não podem se calar. Há certamente adeptos que não querem que a Igreja aborde esse tipo de questão. Entretanto, o discípulo do Senhor da vida não pode se calar.
A violência é expressão do mal presente no coração humano e na sociedade. Ela provém das excessivas desigualdades econômicas e do atraso em lhes dar os remédios necessários. Ela é expressão do espírito de dominação e do desprezo das pessoas. Ela nasce da inveja, da desconfiança, da prepotência, das paixões desordenadas e da soberba humana.
Segundo Agostinho de Hipona, "para associar os seres humanos entre si, não basta a identidade da sua natureza; é necessário ensinar-lhes a falar uma mesma linguagem, isto é, a da compreensão; a usufruir uma cultura comum; e a compartilhar os mesmos sentimentos. De outro modo, o ser humano preferirá encontrar-se com o seu cão, a encontrar-se com uma pessoa estranha".
Na origem do projeto de Deus para a humanidade estava o acolhimento, a reverência e a pertença fraterna. A violência veio depois. Ela surge do esquecimento das origens, da vocação humana: o amor, o entendimento, a misericórdia, a acolhida, o perdão.
A superação da violência e a colaboração para a implantação do Reino de Deus exigem um espírito novo, um novo modo de pensar o ser humano com seus direitos e deveres, sua vocação originária e seu destino. Exige conversão e disposição para acolher a graça de Deus!
 
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