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Porto Alegre, domingo, 04 de março de 2018.

Jornal do Comércio

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Responsabilidade Social

Notícia da edição impressa de 26/02/2018. Alterada em 04/03 às 14h59min

Um novo olhar sobre o MST

/COOPAT/DIVULGAÇÃO/jc
Pedro Carrizo
As agroindústrias de panificação da reforma agrária diversificam a produção no campo, colaboram na distribuição de renda dos assentamentos e permitem que o movimento seja visto de uma maneira mais positiva. Além disso, geram oportunidades de inclusão que outras culturas não conseguem alcançar. Se na produção do arroz, da mandioca e do milho a participação das mulheres e jovens é mínima, no dia a dia das panificadoras do Movimento Sem Terra (MST) ela é essencial. Já são sete unidades em funcionamento no Coletivo de Padarias de Porto Alegre e região, que integra as cooperativas de Tapes, Nova Santa Rita, Charqueadas e Viamão entre as produtoras de pães.
Na Cooperativa de Produção Agropecuária dos Assentados de Tapes (Cootap), dois períodos estruturaram a panificação como importante forma de renda. O primeiro, em 2005, foi quando a Cootap acessou o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) - iniciativa federal que compra os produtos de assentamentos e da agricultura familiar e repassa a para população em vulnerabilidade social, através Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). 
O outro foi com a conquista dos recursos do Bndes por meio do Funterra, em 2015, que instrumentalizou a padaria, permitindo maior escala de produção. Foram pouco mais de R$ 401 mil que foram destinados para compra do maquinário necessário e permitiu à Cooperativa trabalhar com municípios maiores, através de pregões eletrônicos.
"Atualmente nossa padaria é formada por 23 sócios, entre jovens e mulheres, e sua produção já representa 50% da renda total da cooperativa. Nós conseguimos fornecer pães, massas e bolachas para Pelotas, Rio Grande, Canoas, Viamão e outros 11 municípios", diz o Coordenador Comercial da Coopat, Fábio Augusto Lopes. Ele explica que além da distribuição de renda, a produção permite que os cooperados permaneçam mais tempo com suas famílias, já que as mães e filhos têm oportunidades de trabalho dentro do assentamento a partir da panificação, e os pais seguem com a produção do arroz.
No Assentamento Sino, presente em Nova Santa Rita, a indústria panificadora nascida em 2014 também tem a união familiar como um de seus pilares. Enquanto Ida Cristina Portela trabalha na contabilidade e administração da Padaria do Sino, sua mãe e outras quatro assentadas trabalham na confecção de pães, massas doces, cucas e bolachas. "Elas tinham o sonho da padaria há muito tempo e fico muito feliz em ver este projeto dando frutos, gerando renda enquanto alimenta as crianças de nossa cidade", diz Ida Cristina.
As assentadas comercializam seus produtos em feiras, mas principalmente por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) - iniciativa federal que repassa verba para a alimentação escolar em todas as etapas da educação básica pública. Através do programa, a Padaria do Sino distribui para as escolas municipais de Nova Santa Rita, Capela de Santana e uma escola estadual de Canoas.
A realização do sonho das cinco assentadas só foi possível com o Funterra, através dos recursos do Bndes, que permitiram a construção do prédio, a compra do maquinário e o veículo para transporte dos alimentos. "A burocracia foi grande, por vezes pensamos que não ia dar, mas o esforço valeu muito a pena", diz Ida Cristina. A Padaria do Sino recebeu em torno de R$ 280 mil de investimento.
Formada por 50 associados, a Cooperativa de Produtores Agropecuários do Assentamento der Charqueadas (Coopac) foi uma das primeiras a instalar a indústria panificadora entre os assentamentos no Estado. O projeto, iniciado em 1998, só conseguiu alavancar a produção com a conquista do investimento do Programa Terra Sol, realizado pelo Incra. "Antes fazíamos os pães no fogão a lenha, a produção era para o autoconsumo e o que sobrava era comercializado", diz Valcir Ramiro de Oliveira, coordenador da Coopac.
Uma das grandes conquistas da cooperativa foi a construção de um mercado próprio em Charqueadas, onde são comercializados, além dos panifícios, hortaliças, grãos e o leite - principal produção do assentamento. A Coopac também participa do Pnae, o que lhe permite entregar alimento para todas escolas municipais e estaduais de Charqueadas e Arroio dos Ratos. A agroindústria panificadora de charqueadas representa 15% da renda total, de acordo com Oliveira.
Para a assistente social Sandra Rodrigues, membra da equipe técnica da Cootap e Coptec, os dois objetivos principais da panificação é diversificar a produção no assentamento e inserir a mulher campesina no processo produtivo. "As mulheres no campo não têm espaço na cultura do arroz, consequente, não irão ajudar na renda de locais onde esta é a única produção. O mesmo caso se aplica com a juventude do campo", diz Sandra, que também programa de assistência técnica do Incra, suspenso em setembro do ano passado.
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