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Porto Alegre, quarta-feira, 03 de janeiro de 2018.

Jornal do Comércio

Política

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governo federal

Notícia da edição impressa de 04/01/2018. Alterada em 03/01 às 22h30min

Cristiane Brasil assumirá pasta do Trabalho

Para ser ministra, Cristiane abriu mão de ser candidata em 2018

Para ser ministra, Cristiane abriu mão de ser candidata em 2018


GERALDO MAGELA/AGÊNCIA SENADO/DIVULGAÇÃO/JC
A deputada federal Cristiane Brasil (PTB-RJ), filha do delator do mensalão, Roberto Jefferson, será a nova ministra do Trabalho. A informação foi confirmada pelo próprio Jefferson, após reunião com o presidente Michel Temer (PMDB) no Palácio do Jaburu na tarde desta quarta-feira. A escolha foi anunciada pela presidência da República por meio de nota.
Entre lágrimas, Jefferson disse que a nomeação de sua filha é um "resgate" à sua imagem após o mensalão. O dirigente do partido foi o pivô do escândalo político e chegou a ser condenado e preso. Segundo ele, Temer consultou o líder do PTB na Câmara dos Deputados, Jovair Arantes, e telefonou para a nova ministra para saber se eles aceitariam o convite. E teve resposta afirmativa de ambos.
O Ministério do Trabalho está sem titular desde que o também deputado federal pelo PTB, o gaúcho Ronaldo Nogueira, pediu demissão, na quarta-feira passada. Ele se desligou com o argumento de que quer se dedicar à sua campanha pela reeleição. No mesmo dia em que saiu da pasta, ele publicou nova portaria sobre a definição de trabalho escravo, que deixa mais rígidas as definições do que leva à punição do empregador.
O deputado federal Pedro Fernandes (PTB-MA), chegou a ser escolhido para comandar o ministério, mas, segundo fontes petebistas, teve o nome vetado pelo ex-presidente José Sarney (PMDB), que, por sua vez, nega que tenha feito restrições.
Em nota, a presidência da República anunciou a escolha. "O presidente Michel Temer definiu hoje (ontem) que a deputada federal Cristiane Brasil será a nova ministra do Trabalho. O presidente recebeu na tarde desta quarta-feira a indicação oficial feita pelo PTB."
Jefferson apresentou na reunião os nomes dos deputados federais Sérgio Moraes, do Rio Grande do Sul, e Pastor Josué, do Maranhão. Lembrou ainda o nome de sua filha, que também chegou a ser oferecido por ele para o Ministério da Cultura.
 Cristiane pretendia tentar se reeleger em outubro, mas desistiu para assumir o ministério. A expectativa é que Cristiane tome posse nos próximos dias. "Ela será ministra e tomará posse rapidamente", disse um ministro.
O pai da futura ministra disputará o posto de deputados federal por São Paulo. Segundo ele, é uma maneira de fazer o partido crescer no maior colégio eleitoral do País. Perguntado se os eleitores irão redimi-lo por conta do escândalo, ele respondeu que só as urnas dirão.
Segundo Jefferson, o presidente Michel Temer, que se trata de uma infecção urinária, está mais magro e com uma voz abafada. "Mas está bem e corado", acrescentou.
Em 2015, Cristiane foi autora de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que restringe a reeleição de presidente, governadores e prefeitos. Pelo texto, só seria permitida a candidatura "para um único período subsequente, sendo proibida, a reeleição por períodos descontínuos". A medida impediria, por exemplo, nova candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Palácio do Planalto. 
No mesmo ano, servidoras da Câmara protestaram contra a proposta da deputada de aprovar um código de vestimenta para banir minissaias e decotes mais ousados dos corredores e salões da casa.

Indicada para Esplanada foi citada em delação da Odebrecht

Escolhida pelo presidente Michel Temer (PMDB) para assumir a pasta do Trabalho, na Esplanada dos Ministérios, a deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ) foi citada na delação da Odebrecht. A parlamentar é filha do ex-deputado Roberto Jefferson, condenado a sete anos e 14 dias de prisão no processo do mensalão, do qual foi o pivô.
As declarações que atingiram Cristiane Brasil foram tornadas públicas em abril do ano passado. Na ocasião, a deputada registrou que o Supremo Tribunal Federal (STF) não havia solicitado investigação contra ela. "Não há nada a meu respeito senão um comentário sem qualquer prova feito por um dos delatores da operação", afirmou.
Cristiane Brasil foi delatada pelo executivo Leandro Andrade, um dos delatores da Odebrecht na Operação Lava Jato. O empreiteiro relatou ao Ministério Público Federal um episódio que classificou como "pitoresco", supostamente ligado à deputada.
Segundo o delator, a pedido do deputado Pedro Paulo (PMDB-RJ) foram entregues R$ 200 mil à Cristiane Brasil em 2012. O dinheiro foi repassado pelo próprio executivo, afirmou à Lava Jato. A parlamentar nega enfaticamente ter recebido valores ilícitos.
Andrade narrou que os
R$ 200 mil foram retirados de um saldo supostamente acertado por outro executivo delator da Odebrecht, Benedicto Junior, o "BJ", no primeiro semestre de 2012, com Eduardo Paes (PMDB), como contribuição eleitoral para a campanha do peemedebista à reeleição para a prefeitura do Rio de Janeiro. Segundo Leandro Andrade, do montante total, Pedro Paulo "mandou" pagar "dois candidatos que faziam parte da base de apoio dele", Brizola Neto e Cristiane. 
O executivo afirmou que Cristiane "estava sozinha". "Teve um fato também pitoresco. Nessa sala que eu tinha, existia uma câmera para fazer conference call e Skype com minhas obras no interior. Ela ficou superincomodada com aquilo, achando que eu estava gravando aquele momento. Ela perguntou: 'mas aquilo ali funciona?'. Eu percebi o constrangimento e falei: 'não se preocupe'. Eu mesmo fui lá, tirei a câmera e botei no chão."
Quando a delação da Odebrecht foi tornada pública, em abril de 2017, Cristiane Brasil se manifestou desta forma: "O STF não solicitou investigação contra mim e não há nada a meu respeito senão um comentário sem qualquer prova feito por um dos delatores da operação". E acrescentou: "Esclareço que os poucos contatos que já tive com profissionais da companhia se limitaram a raros eventos institucionais. Estou, como sempre estive, à disposição da Justiça e da sociedade para esclarecer o que for necessário".
O vereador Brizola Neto disse, na ocasião: "Me causou perplexidade e revolta a matéria veiculada na imprensa citando meu nome como 'possível destinatário' em esquema de corrupção. Reitero que nunca me envolvi em nenhum tipo de negociata e estou à disposição para prestar qualquer esclarecimento."
Também nessa mesma época, as assessorias do deputado Pedro Paulo e do ex-prefeito Eduardo Paes declararam: "Conforme foi afirmado pelos próprios delatores em nenhum momento a empresa recebeu qualquer tipo de vantagem ou benefício em obras da prefeitura do Rio. Além disso, Benedicto Junior foi enfático ao afirmar em seu depoimento que nunca pagou propina a Eduardo Paes".
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