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Porto Alegre, quarta-feira, 24 de janeiro de 2018.

Jornal do Comércio

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Saúde

Notícia da edição impressa de 25/01/2018. Alterada em 24/01 às 22h18min

Quatro hospitais estão interessados em gerir o Beneficência Portuguesa

Banrisul e a CEF trabalham em uma auditoria para determinar dívidas do hospital

Banrisul e a CEF trabalham em uma auditoria para determinar dívidas do hospital


CLAITON DORNELLES /JC
Suzy Scarton
Na próxima segunda-feira, completam-se três meses desde que a prefeitura da Capital decidiu rescindir o contrato de prestação de serviços de saúde junto ao Hospital Beneficência Portuguesa (HBP). Desde então, medidas estão sendo tomadas para evitar que a instituição tenha o mesmo destino do Hospital Parque Belém, cujas atividades foram oficialmente encerradas em maio do ano passado. Embora ainda não haja nada concreto, diferentes alternativas estão sendo aventadas para que o hospital possa seguir recebendo pacientes.
Uma delas é o interesse da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) em utilizar as dependências do HBP como hospital-escola. Sem verba suficiente para arcar com as dívidas e com as despesas do hospital, a universidade entraria com força de trabalho - são 16 cursos, todos da área da saúde - e ajuda para elaborar projetos e arrecadar verba. A reitora Lúcia Campos Pellanda chegou a participar de uma reunião com o ministro da Saúde, Ricardo Barros, em Brasília, na metade de dezembro. Por enquanto, ainda não há decisão a respeito da situação. A reportagem procurou a UFCSPA, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.
A UFCSPA, no entanto, não é a única esperança que resta ao HBP. De acordo com o presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), Paulo de Argollo Mendes, quatro hospitais de Porto Alegre estão interessados em assumir a gestão da instituição, além de uma empresa de plano de saúde, de um grupo nacional e de um grupo multinacional.
"Esses grupos pediram sigilo, mas seria perfeitamente possível que um hospital assumisse a administração de outro. O Independência, por exemplo, que era da Ulbra (Universidade Luterana do Brasil), quebrou. O hospital ficou abandonado, com goteiras, era uma tristeza. Mais tarde, o (hospital) Divina Providência assumiu, e, hoje, o Independência funciona muito bem", pondera Argollo. Representantes da Cruz Vermelha também se mostraram interessados em auxiliar na gestão do local.
A reunião em Brasília, da qual também participaram o atual presidente do hospital, Augusto Veit Júnior, e professores da UFCSPA, culminou na visita do secretário de Atenção à Saúde, Francisco de Assis Figueiredo, ao local. Ele prometeu realizar uma consultoria para analisar tudo o que falta ao Beneficência. Esse processo deve durar, pelo menos, três meses. Enquanto isso, o Banrisul e a Caixa Econômica Federal também realizam uma auditoria nas contas da instituição, a fim de traçar todas as dívidas pendentes. Esse processo também deve levar cerca de três meses para ser concluído. Com esses dados em mãos, a administração poderia realizar um empréstimo, com dois anos de carência, para pagar as dívidas e se reorganizar. Caso a retomada seja possível, a expectativa de Argollo é de que o hospital volte a operar a pleno em seis meses.
No entanto, não é prudente deixar que o Beneficência, de fato, feche as portas, mesmo que temporariamente. "Se fechar, em três dias, estará todo pichado. Sem ninguém para fiscalizar, os equipamentos vão se deteriorar, vai ser o fim", explica Argollo. Por isso, o Simers, juntamente com o deputado estadual Pedro Ruas (PSOL), presidente da Frente Parlamentar em Defesa do Beneficência Portuguesa, sugeriu que o Estado assuma 30 dos 186 leitos do HBP. Esses 30 leitos seriam reservados a pacientes de saúde mental. Por enquanto, a Secretaria Estadual de Saúde não tem uma posição sobre o assunto.
Caso as investidas com objetivo de salvar o Beneficência não se concretizem, será o segundo hospital a fechar durante a gestão do prefeito Nelson Marchezan Júnior. Para Argollo, a postura da prefeitura é simples: não há dinheiro. "O secretário (municipal de Saúde, Erno Harzheim) me disse que não havia previsão orçamentária para manter o HBP em 2018", resume o presidente do Simers. No entanto, Argollo critica a postura do Executivo municipal. "Um hospital não é um hotel. Ele tem uma função social, um compromisso com a população, e não pode ser fechado por vontade. A prefeitura tinha uma obrigação, pelo menos moral, de não deixar fechar - tinha de colocar sob intervenção, eleger novos diretores."
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