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Porto Alegre, quarta-feira, 31 de janeiro de 2018.

Jornal do Comércio

Economia

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Trabalho

Notícia da edição impressa de 01/02/2018. Alterada em 31/01 às 22h36min

Taxa de desemprego bate recorde em 2017

Pessoas que dependem de vagas informais saltaram de 10,15 milhões para 10,7 milhões

Pessoas que dependem de vagas informais saltaram de 10,15 milhões para 10,7 milhões


MARCELO G. RIBEIRO/JC
A taxa de desemprego em 2017 ficou em 12,7% e é recorde da série histórica pela Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio Mensal Contínua (Pnad Contínua), iniciada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2012. Isso quer dizer que, em média, o desemprego atingiu 13,23 milhões de pessoas no ano passado. Esse também é o maior contingente de pessoas sem trabalho dos últimos seis anos.
Em 2016, o desemprego médio do ano já havia passado para 11,5% da força de trabalho, ante os 8,5% registrados em 2015. Para 2018, analistas estimam que a taxa média do ano deva ficar na casa dos 12%, ou seja, ainda em dois dígitos. A Pnad considera tanto empregos com carteira assinada quanto sem carteira.
Ao longo do ano de 2017, a taxa de desemprego chegou a atingir 13,7% no período entre janeiro e março, o recorde para um trimestre de toda a série histórica. Depois disso, no entanto, vem recuando. No quarto trimestre, a taxa ficou em 11,8% e atingiu 12,3 milhões de trabalhadores sem emprego.
Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, ressaltou, em relação aos resultados do último trimestre de 2017, que, apesar de a taxa ter ficado estável em relação ao mesmo período de 2016 (12%) e caído em relação ao terceiro trimestre de 2017 (12,4%), não há nenhum indício de recuperação do trabalho com carteira.
A população desempregada ficou estável no quarto trimestre na comparação com o ano anterior, e a ocupada teve alta de 2% no mesmo período, devido ao aumento de 5,7%, na mesma comparação, do grupo de empregados sem carteira, que passou de 10,5 milhões para 11,1 milhões. Enquanto o contingente com carteira caiu de 34 milhões para 33,3 milhões de pessoas.
Ao atingir uma média de 13,23 milhões de pessoas no ano passado, o número de desempregados cresceu em 1,47 milhão de pessoas em relação a 2016. A média da população ocupada, no entanto, cresceu nessa mesma comparação, de 90,38 milhões de pessoas em 2016 para 90,64 milhões no ano passado. Já os empregados informais saltaram de 10,15 milhões para 10,70 milhões nessa mesma comparação.
Ainda em relação ao ano anterior, em 2017, o número de pessoas empregadas como domésticas ficou estável, em 6,17 milhões. Já os empregadores passaram de 3,9 milhões para 4,24 milhões. Os trabalhadores por conta própria também ficaram estáveis: eram 22,5 milhões em 2016 e 22,68 milhões em 2017. O rendimento médio de todos os trabalhos saltou de
R$ 2.091,00 para R$ 2.141,00.
A indústria encerrou 2017 empregando, em média, 11,7 milhões de pessoas. Esse contingente, em relação a 2014, início da recessão, perdeu 1,5 milhão de trabalhadores. Nesse mesmo período de comparação, a construção civil perdeu 964 mil trabalhadores, passando de 7,8 milhões de pessoas para 6,8 milhões. Esses dois grupos foram os que mais destruíram vagas nesse período. Em termos percentuais, a construção foi o setor que mais perdeu empregados entre 2014 e 2017 (12,3%).
"A perda de empregos na indústria, por ser um setor bastante formalizado, é lamentável e explica essa quantidade de gente vendendo quentinhas e trabalhando na rua. Com relação à construção, a crise fez as pessoas deixarem de comprar imóveis. Há muitos empreendimentos imobiliários parados", explica Azeredo. Na semana passada, o Ministério do Trabalho, por meio do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), mostrou que o emprego formal segue em baixa no País. No ano passado, o saldo ficou negativo em 20 mil postos de trabalho. Ou seja, essa foi a diferença entre o número de contratações e o de demissões, que se sobrepuseram. 

Contribuintes da Previdência Social reduzem em 1,1 milhão de pessoas

A redução no total de postos com carteira assinada diminuiu o percentual de ocupados que contribuem para a Previdência Social. A fatia de contribuintes na população ocupada caiu de uma média de 65,5%, em 2016, para 64,1% em 2017, segundo os dados da Pnad Contínua. A população de ocupados que contribuem para a Previdência passou de 59,210 milhões, em 2016, para 58,114 milhões no ano passado, 1,1 milhão de pessoas a menos.
"Houve aumento de empregos sem carteira, de trabalhadores por conta própria e de emprego doméstico. Por mais que seja uma forma de sobrevivência, essas pessoas não estão contribuindo para a Previdência. Não é bom para a pessoa, não é bom para o País, não é bom para ninguém", ressaltou Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE. A redução da formalização do emprego e a maior insegurança sobre a renda familiar também reduzem o ímpeto de contribuição de quem trabalha na informalidade, acrescentou Azeredo. 
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