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Porto Alegre, domingo, 21 de janeiro de 2018.

Jornal do Comércio

Economia

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Turismo

Notícia da edição impressa de 22/01/2018. Alterada em 21/01 às 21h21min

Brasileiros investem em casas de férias nos EUA

Com 2 milhões de habitantes e 80 milhões de visitantes anuais, cidade de Orlando é um dos principais alvos para compras de imóveis

Com 2 milhões de habitantes e 80 milhões de visitantes anuais, cidade de Orlando é um dos principais alvos para compras de imóveis


/BENJAMIN THOMPSON/VISUALHUNT/DIVULGAÇÃO/JC
Adriana Lampert
Orlando, nos Estados Unidos, está entre os cinco destinos do mundo mais procurados por famílias em férias. Em consequência disso, o mercado imobiliário de aluguel por temporada (Vacation Home) se fortalece na cidade, que conta com regulamentação bem definida e autorização prevista por condomínios locais para esse tipo de atividade comercial. A zona urbana da Flórida, que se popularizou graças aos 11 parques temáticos construídos a partir da década de 1970 - o primeiro a ser inaugurado foi o Magic Kingdom, da Disney -, possui 2 milhões de habitantes e recebe 80 milhões de visitantes por ano. Outros sete parques aquáticos e seis shoppings de grande porte completam os principais atrativos de turistas de diversos países, em especial, o Brasil - terceiro público estrangeiro que mais investe nos EUA, depois dos britânicos e dos canadenses.
A Flórida sempre foi local de investimento de estrangeiros, mas o grande boom de demandas brasileiras ocorreu após a crise imobiliária de 2008, quando o real estava muito valorizado em relação ao dólar, explica o CEO da empresa de aluguéis por temporada Casa na Disney, Ricardo Molina. Segundo ele, estima-se que, de 2011 a 2014, os brasileiros compraram 6,5 mil propriedades na região de Orlando. "Em 2015, após o impeachment de Dilma (Rousseff) e a valorização do dólar frente ao real, o brasileiro se retraiu como investidor, mas, agora, está voltando, apesar de os preços dos imóveis terem se recuperado nos EUA." No centro de Orlando, predominam serviços profissionais, como mercado financeiro, seguradoras, bancos e advogados. É na região ao lado do Walt Disney World que ficam os condomínios que permitem aluguel de temporada, e onde muitos brasileiros, além de desfrutarem as férias com a família e os amigos, aproveitam para gerar renda extra, no estilo de economia compartilhada semelhante ao do Airbnb. Atualmente, existem, na cidade, 35 mil casas totalmente licenciadas para esse tipo de atividade - chamada de Vacation Rental.
As casas de férias são uma das formas de hospedagem mais populares em Orlando, e, como a maioria dos turistas é de famílias, espaço e privacidade, além de custo mais acessível, são vantagens em relação à hotelaria. "Permite que a família passe as férias mais unida, ao fazer um churrasco à beira da piscina e usufruir da segurança de condomínios fechados, o que dá mais liberdade para as crianças brincarem à vontade", afirma a dona de casa Lina Angelica Costa Caminha, que descobriu o Vacation Home em 2016. Ela comenta que a família é muito grande para optar por hotel: "São 14 pessoas. Além da economia de tempo para reunir todo o grupo, também há a vantagem do conforto que a casa proporciona e do custo mais baixo que o de diárias de hotel", comenta.
Mãe de trigêmeos, a também dona de casa Flavia Faria viaja a Orlando desde 2013, quando experimentou, pela primeira vez, o Vacation Home. "A casa é muito mais confortável e agradável que ficar em hotel, que é impessoal e, hoje em dia, também se tornou mais inseguro", opina. De acordo com Molina, as diárias para uma casa de férias por temporada em Orlando custam a partir de US$ 188. "Lá, é possível locar uma residência por uma noite e até 180 dias. Após esse período, já é considerado aluguel a longo prazo."

Fiscalização das 'Vacation Homes' é rigorosa

Maioria das propriedades são entregues com mobília e utensílios

Maioria das propriedades são entregues com mobília e utensílios


/CASA NA DISNEY/DIVULGAÇÃO/JC
Apesar da facilidade, é necessário observar uma série de fatores antes de alugar uma Vacation Home nos Estados Unidos. Em Orlando, os imóveis devem possuir autorização da Associação de Moradores e do Condado (prefeitura) para locação por temporada. "Há fiscalização intensa e, em caso de infração identificada, tanto proprietário quanto locatário são severamente punidos", destaca o CEO da empresa de aluguéis por temporada Casa na Disney, Ricardo Molina.
A maioria das propriedades é entregue com mobília completa, utensílios de cozinha, roupa de cama, mesa e banho. O consumo de água, energia, telecomunicações, condomínio e IPTU já estão incluídos nos preços dos aluguéis. "Esse valor é pago integralmente cerca de seis semanas antes da chegada ao imóvel. Exige-se, também, um depósito caução de cerca de US$ 400 - que poderá ser devolvido ou acrescido com extras, de acordo com eventuais danos ao imóvel ou à mobília", explica Molina. Outros dois impostos incidem sobre a operação: o Sales Tax, similar ao ICMS, e o Tourist Development Tax, que, juntos, representam entre 12% e 13% do valor do aluguel.
Em 2016, a aquisição de imóveis com o objetivo de locação movimentou US$ 25 bilhões nos EUA, onde mais de 100 sites especializados em Vacation Homes, como o Airbnb, ofereciam produtos a turistas. "Somente nos quatro maiores portais, entre 2008 e 2015, o número de imóveis ofertados para aluguel por temporada passou de 300 mil para 3,9 milhões, o que evidencia o aumento da demanda", comenta o CEO da Casa na Disney. "Esse tipo de investimento tem se popularizado por conta da segurança que oferece. A economia norte-americana é mais estável, e a moeda é forte. Com a crise brasileira, tem aumentado a procura por diversificação de risco, e a compra de casas em Orlando cresce a cada mês", observa.
O administrador de empresas Eduardo Bitencourt afirma que consegue retorno de 5% ao ano de sua Vacation Home, adquirida em 2015. Isso lhe permite quitar 10 parcelas anuais do financiamento. "Hoje, a casa se paga. Meu custo mensal é zero. Estou adquirindo um patrimônio com o próprio retorno do investimento", afirma.

Mercado do segmento deve ter crescimento de 70% até 2019

O CEO da empresa de aluguéis por temporada Casa na Disney, Ricardo Molina, destaca que, em Miami, também existem casas de aluguel de temporada, mas pondera que o mais comum é encontrar flats, porque a maioria dos apartamentos e das casas localizados em condomínios naquela cidade não autorizam essa atividade comercial. "Assim como acontece em Berlim (Alemanha), Amsterdam (Holanda) e Barcelona (Espanha), este é um problema de regulamentação a ser resolvido, parecido com o que acontece com a Uber, pois são sistemas que trazem paradigmas que a sociedade não estava preparada para enfrentar", lembra Molina.
O CEO da Casa na Disney destaca que, apesar das dificuldades, a previsão do mercado é de crescer 70% até 2019. "É um meganegócio que está se desenvolvendo no mundo inteiro e está atraindo a atenção do investidor imobiliário convencional", completa Molina. De acordo com o empresário, o retorno de investimento, nesses casos, varia entre 5% e 10% ao ano.
Além da Casa na Disney, há outras empresas que trabalham com imóveis de aluguel por temporada em Orlando. Entre elas, a brasileira Florin Imóveis e Turismo. Mais do que ofertar hospedagens para a locação, um dos objetivos do negócio é assessorar os investidores na hora de adquirir uma casa na Flórida.
De acordo com as empresas especializadas, um apartamento bem localizado, com espaço para seis pessoas, custa cerca de US$ 113 por noite, valor similar ao da diária de um quarto em um hotel razoável para acomodar, com conforto, no máximo, um casal e um filho. Essa vantagem fica mais evidente por conta da duração da viagem.
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