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Porto Alegre, quarta-feira, 17 de janeiro de 2018.

Jornal do Comércio

Economia

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Logística

Notícia da edição impressa de 18/01/2018. Alterada em 17/01 às 21h21min

Rio Grande propõe dragar canal em etapas

Porto aguarda decisão do Ibama para operação de desassoreamento

Porto aguarda decisão do Ibama para operação de desassoreamento


/MARKETING TECON/DIVULGAÇÃO/JC
Jefferson Klein
Sem ter conseguido até agora a licença ambiental para fazer uma ampla dragagem no porto do Rio Grande, o governo do Estado, através da Superintendência do Porto do Rio Grande (Suprg), irá sugerir ao Ibama que essa ação seja feita por etapas, com menores volumes sendo retirados e assim abrandando os impactos da iniciativa. O objetivo é, em um primeiro momento, pelo menos manter o calado operacional atual de 12,8 metros.
O contrato de dragagem para readequação da geometria do canal de acesso ao porto do Rio Grande foi assinado em julho de 2015. O consórcio vencedor, que deveria realizar o trabalho, é formado pelas empresas Jan de Nul do Brasil e Dragabrás e acertou fazer a obra por R$ 368,6 milhões (recursos que seriam provenientes do governo federal). Deveriam ser removidos em torno de 18 milhões de metros cúbicos de sedimentos, deixando a profundidade do canal interno em 16 metros e do externo em 18 metros. Porém, o Ibama observou pendências no plano inicial de dragagem do porto gaúcho.
Entre outros pontos, o órgão ambiental cita a necessidade de mostrar alternativas de locais para a área de descarte dos sedimentos que serão retirados do fundo do mar e da Lagoa dos Patos devido à dragagem. Isso foi motivado, segundo o Ibama, por surgimento de lama na praia e de um pedido feito pela Câmara de Vereadores de Rio Grande. Além disso, enquanto a Secretaria de Portos, vinculada ao Ministério dos Transportes, tratava a dragagem como de manutenção, o órgão ambiental a via como um procedimento de aprofundamento (algo mais complexo).
O diretor-superintendente do porto do Rio Grande, Janir Branco, admite que o melhor seria a execução do contrato integralmente, com os 18 milhões de metros cúbicos sendo removidos. "Mas, a gente nota que o ideal está distante e essa ideia de fazer por etapas foi bem acolhida pelo Ibama", aponta. O dirigente adianta que até fevereiro deverá ser apresentado ao Ibama um novo plano de dragagem que terá como foco essencial a identificação dos novos volumes de sedimentos que precisam ser retirados. A meta é tirar volumes menores, em pontos críticos, para possibilitar a navegação com segurança.
Branco recorda que em algumas ocasiões o porto foi surpreendido com novas exigências por parte do Ibama. "Eu sempre deixei bem claro para a equipe técnica do Ibama que somos um órgão público, não temos a agilidade de empresas privadas que podem resolver determinadas exigências em um passe de mágica", comenta. Apesar desse obstáculo, em 20 de dezembro houve uma nova reunião com o Ibama e Branco teve a impressão de que a questão ficou melhor encaminhada, levando em conta essa possibilidade de fazer a dragagem por fases.
A Universidade Federal do Rio Grande (Furg) foi contratada para fazer análises e procurar novas opções de locais para o descarte de sedimentos. O lugar previsto pelo projeto original para depositar os resíduos é uma área retangular para fora dos molhes (corredores de pedra que protegem o acesso ao porto de ondas e correntezas), no oceano. O superintendente revela que será feito o monitoramento mais efetivo dos sedimentos a partir de agora e isso permitiria usar esse espaço, contudo também serão prospectadas outras regiões alternativas para deixar os resíduos.
O dirigente prefere não estimar um prazo para a realização da dragagem, ressaltando que o assunto depende da liberação do Ibama. No entanto, Branco destaca que os recursos na ação ainda seriam oriundos do governo federal e que a meta final, mais adiante, é a dragagem da totalidade dos 18 milhões de metros cúbicos.

Complexo gaúcho registra movimentação recorde de 41,1 milhões de toneladas em 2017

Com uma movimentação de cerca de 41,1 milhões de toneladas em cargas no ano passado, um aumento de 7,8% em relação à 2016, o porto do Rio Grande atingiu seu recorde histórico. Dentro do segmento dos granéis sólidos, um dos destaques foi a soja em grão, com 12,6 milhões de toneladas transportadas, uma elevação de 31,6% em relação ao ano anterior. Já na carga geral cabe ressaltar a celulose, com a operação de mais de 2 milhões de toneladas, mesmo com a fábrica da CMPC Celulose Riograndense tendo enfrentado problemas operacionais em 2017.
Os números foram apresentados ontem pelo diretor-superintendente do porto do Rio Grande, Janir Branco, e pelo secretário dos Transportes, Pedro Westphalen. A China foi o principal destino das cargas que saíram de Rio Grande, totalizando cerca de 13,1 milhões de toneladas. Quanto a contêineres, foram operadas 743.484 unidades pelo porto gaúcho no ano passado, o que representa um incremento de 5% em relação a 2016.
Outro segmento que gerou resultados expressivos foi o automotivo. Branco lembra que a GM anunciou a ampliação de investimentos na sua planta em Gravataí e tinha comunicado à Superintendência do Porto do Rio Grande que intensificaria o transporte de carros. Ainda no ano passado foi possível confirmar essa intenção da montadora, pois o porto registrou 43.761 veículos movimentados, uma alta de 134,9%.
Branco enfatiza que o porto possui um pátio automotivo para receber esses automóveis que se encontra praticamente sempre cheio. Por isso, há uma demanda da GM quanto à implantação de um novo espaço para a armazenagem de veículos. O superintendente informa que será aproveitada para essa função uma área que a empresa QGI empregava para guardar alguns equipamentos e que não terá mais essa utilidade. O pátio atual tem capacidade para abrigar aproximadamente 6 mil veículos e o outro local, que deverá estar disponível a partir de março, terá possibilidade para receber em torno de 2 mil carros. Branco diz que se trata de uma parceira pública-privada, contudo o lugar será de uso público.
O superintendente revela que outra ação que está sendo discutida é a hipótese de usar áreas do estaleiro da Ecovix também para a atividade portuária. Esse plano surgiu, pois, atualmente, o complexo encontra-se inativo. Porém, o dirigente reforça que a possibilidade da operação portuária ser feita naquele local não excluirá as ações no segmento da construção naval.
No ano passado, a Superintendência do Porto do Rio Grande teve um superávit de cerca de
R$ 34 milhões. Também foram apresentados nessa quarta-feira dados de outros portos do Estado. O de Pelotas movimentou 899.039 toneladas em 2017, um crescimento de 223%. A maior movimentação pelo complexo pelotense (665.126 toneladas) deve-se às toras de madeira que saem da Metade Sul e seguem pela hidrovia até a fábrica da CMPC Celulose Riograndense, em Guaíba. Já o porto da Capital movimentou 1.066.344 toneladas em 2017, um crescimento de 1,34%.
 
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