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Porto Alegre, domingo, 14 de janeiro de 2018.

Jornal do Comércio

Economia

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Cooperativismo

Notícia da edição impressa de 15/01/2018. Alterada em 14/01 às 21h36min

Cooperativas em crise afetam agricultores

Sede da Cotrijui, na região Noroeste, pode ser ocupada por produtores

Sede da Cotrijui, na região Noroeste, pode ser ocupada por produtores


COTRIJUI/RECUPERAÇÃO/DIVULGAÇÃO/JC
Thiago Copetti
Apesar do sucesso do agronegócio gaúcho nos últimos anos, motor da economia do Estado, seis cooperativas do setor estão entrando 2018 em processo de liquidação, envolvendo mais de 45 mil produtores. E ao menos outras duas enfrentam problemas financeiros que ameaçam a continuidade das atividades e estão se desfazendo de ativos para não sucumbirem.
Os problemas iniciados há quase uma década chegaram a afetar cerca de 30 cooperativas do setor e agora abatem com mais força a Cotrijui, que já foi uma das maiores do Rio Grande do Sul e que terá uma semana tensa. Insatisfeitos com a gestão da cooperativa e com atrasos nos pagamentos, um grupo de produtores ameaça ocupar a sede da cooperativa, em Ijuí, no Noroeste do Estado, nesta terça-feira. Além da pressão de produtores, credores também se empenham na busca da recuperação de seus bens, e podem apertar o cerco.
Falhas na gestão são apontadas por especialistas como o grande problema e a causa da derrocada da maioria das cooperativas que hoje enfrentam dificuldades, mas o ano de 2018 deve ser marcado por bons resultados nos balanços financeiros do setor, acredita o presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Rio Grande do Sul (Fecoagro), Paulo Pires. "Os balanços da maioria das cooperativas referentes a 2017, que começam a ser apresentados agora, devem vir com bons números e mostram a recuperação de várias delas. Os resultados só não serão melhores devido à queda nas cotações dos grãos na safra passada."
Em balanço divulgado na sexta-feira, por exemplo, a Cotrimaio, em liquidação desde 2013, divulgou aos associados que encerrou 2017 com 80% dos R$ 500 milhões pagos ou já renegociados. Os cerca de R$ 100 milhões restantes, de acordo com o presidente liquidante, Silceu Dalberto, seguirão mas parte dos credores afirma que alguns dos acordos feitos desde 2013 não vêm sendo cumpridos. "Estamos em processo de renegociação de algumas pendências e seguiremos negociando em 2018", afirma Dalberto, ressaltando que boa parte dos débitos ainda pendentes são referentes a impostos federais e estaduais.
O presidente da Cotrimaio avalia que no caminho da recuperação estão a redução de 50% no quadro de funcionários (hoje em torno de 450) e o fechamento de atividades não rentáveis, o que inclui quatro supermercados, uma loja agropecuária, seis pontos de recebimento de grãos, terceirização do frigorífico de bovinos e suínos e devolução de unidades arrendadas. A venda de patrimônio também é a aposta de quem está tentando fugir da crise e da liquidação e até da falência, como a Cooperativa Tritícola Erechim (Cotrel), que no ano passado vendeu dois frigoríficos para a Cooperativa Central Aurora Alimentos, de Santa Catarina.
No outro extremo (na lista de modelos de recuperação que deram certo) estão a Cooperativa Mista Tucunduva (Comtul), por exemplo, que em 2017 encerrou com êxito seu processo de liquidação extrajudicial. O sucesso é considerado inédito no Rio Grande do Sul. Até então, todos os casos de liquidação neste segmento se perpetuaram até a extinção das cooperativas. Pelo caminho ficaram, por exemplo, a Cooperativa Regional Tritícola Santiaguense, de Santiago, desativada em 2014, de acordo com o Sindicato e Organização das Cooperativas do Rio Grande do Sul (Ocergs), e a Cooperativa Tritícola Palmeirense (Copalma), que encerrou as atividades em 2011.
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O que está ocorrendo na Cotrijui

  • O grupo Cotrijui/Recuperação alega que a atual diretoria ampliou as dívidas, tem pagamentos atrasados referente a grãos depositados em seus armazéns e que não tem transparência nas decisões.
  • Sem obter retorno de suas queixas e nem sinalização de quando receberão os pagamentos pendentes, o grupo ameaça invadir e ocupar a sede da cooperativa amanhã caso não receba nenhuma posição até hoje.
  • De acordo com Edson Burmann, um dos integrantes do grupo, há dúvidas inclusive se os grãos depositados nos armazéns ainda estão no local ou se já foram comercializados sem o devido repasse de valores. O grupo também questiona como a dívida que era de
  • R$ 1 bilhão passou para R$ 1,8 bilhão.
  • A diretoria da Cotrijui, presidida desde 2017 por Eugênio Frizzo, procurada pelo Jornal do Comércio para falar sobre as queixas do grupo e detalhar ações para sanar débitos atuais e passados, não se pronunciou.
  • Por e-mail, sobre o pagamentos de produtores a diretoria afirma que "devido a dívidas do passado, a Cotrijui tem enfrentado penhoras de valores e de faturamento e que com isso o fluxo de caixa foi afetado, gerando a necessidade de reprogramação de pagamentos".
  • Referente a acusação de que a gestão atual provocou o aumento das dívidas, a diretoria afirma que os números anteriores "mascaravam" os verdadeiros valores e que "portanto, não se trata de aumento de dívida, e sim, infelizmente, foi constatado no início da nova gestão em 2013 inúmeras irregularidades e fraudes nos balanços, tanto nas dívidas, quanto na avaliação patrimonial e créditos a receber que haviam sido excluídos dos registros contábeis".
  • De acordo com Paulo Pires, no entanto, nenhuma acusação ou denúncia formal sobre irregularidades e ilegalidades chegou até a Fecoagro nos últimos anos para que fosse apurada ou investigada.
  • Sobre a ameaça de ocupação da sede, o comunicado afirma que "isso será tratado com a área jurídica, pois a gestão da cooperativa é legitima, aprovada em assembleia, e não será permitido vandalismo e nem qualquer ameaça ao patrimônio da cooperativa".
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