Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Porto Alegre, segunda-feira, 01 de janeiro de 2018.

Jornal do Comércio

Economia

COMENTAR | CORRIGIR

Mercado de Capitais

Notícia da edição impressa de 02/01/2018. Alterada em 01/01 às 22h22min

Dólar volta a ser preocupação em 2018

Para especialistas, não será surpresa se divisa variar muito neste ano

Para especialistas, não será surpresa se divisa variar muito neste ano


/PERRY MASTROVITO/IMAGE SOURCE/FOLHAPRESS/JC
As oscilações na cotação do dólar devem voltar a preocupar neste ano. As incertezas políticas, a alta dos juros nos Estados Unidos, a queda das taxas aqui, dúvidas sobre a reforma da Previdência, a possibilidade de rebaixamento de nota de crédito do Brasil e, principalmente, a disputa eleitoral devem influenciar a cotação da divisa. As cerca de 100 instituições financeiras ouvidas pelo Banco Central (BC) esperam que o dólar termine o ano cotado a R$ 3,30. Especialistas, entretanto, acreditam que a barreira dos R$ 4,00 seja quebrada durante a disputa presidencial. A incerteza é tanta que, se a moeda tiver o comportamento contrário e terminar abaixo de R$ 3,00, também não seria surpresa. O único consenso é de turbulência pela frente.
A certeza é que a cotação não deve refletir os fundamentos da economia - que estão melhores -, mas o estresse do mercado financeiro com o cenário eleitoral. Algumas corretoras já pensam em indicar o dólar como uma aplicação interessante em 2018. Enquanto isso, os técnicos do governo ficaram mais apreensivos. Um forte efeito sobre o dólar já faz parte dos cenários alternativos nos bastidores, principalmente se a reforma da Previdência não avançar.
"Acho que tanto os riscos eleitorais quanto os fiscais vão aumentar os prêmios de risco e bater nos ativos, incluindo o dólar. Sem a perspectiva de que vai haver alguma reforma da Previdência, o buraco é imenso. O que nos salva é a perspectiva de reformas e, se isso deixar de existir, não será bonito", previu uma alta fonte da equipe econômica, que ainda projeta que a turbulência pode afetar a vida de quem planeja passar férias no exterior.
Um dos maiores nomes do mercado no assunto alerta que o cenário pode ser ainda pior que na campanha de 2002 à presidência da República, quando a moeda norte-americana disparava a cada avanço do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas pesquisas. Naquela época, lembra Sidnei Nêhme, economista-chefe da corretora NGO, o Brasil conseguia poupar para abater juros da dívida, e as contas da Previdência não estavam tão pressionadas como agora. Segundo ele, essa é a grande diferença. "Não é só uma questão de Lula e (Jair) Bolsonaro (PSC)", destaca.
Nêhme argumenta que está claro que o governo não tem base de apoio. E isso é sinônimo de um ano difícil e estressado, em que as questões políticas devem se sobrepor às econômicas. Outro ponto que pode aumentar a incerteza é a candidatura do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (PSD). Nêhme projeta muita turbulência na disputa dentro do próprio governo se isso ocorrer. "Não vamos ter um ano tranquilo. Tem muita incerteza no horizonte. A economia está melhorando, mas pode não ser sustentável."
Para o economista da Icap Ítalo Abucater, 2018 deve repetir o ano da reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT): com câmbio que responde aos rumos indicados pelas pesquisas eleitorais. "Os candidatos que sobraram são péssimos. E Meirelles, que seria o preferido do mercado, não tem apoio dentro do próprio governo. O cenário político é horroroso", frisou o analista, que espera um ano de "rally", como dólar e operadores da bolsa estressados. "O cassino do mercado financeiro estará a todo vapor."
A visão é compartilhada pelo economista-chefe da corretora Gradual, André Perfeito. Ele lembra que a economia tem crescido com mais força do que o estimado anteriormente e que uma alta do dólar terá impacto nos preços. "É eleição. Só isso já teria um aumento natural do câmbio, mas o cenário político conturbado e incerto deve ter um peso maior."
Mais otimista, a economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif, acha que a campanha não deve trazer tantos problemas. Ela diz que o ex-presidente Lula já ensaia um discurso "paz e amor" e que o deputado Jair Bolsonaro tenta adotar um tom liberal. "O problema é que as pessoas acham que o Brasil é um país tão diferente que precisa de políticas criativas. E ignora o manual de políticas bem-sucedidas", resumiu. Zeina não se arriscou a fazer uma projeção para o câmbio. Lembrou apenas o velho ditado: Deus inventou o câmbio para ensinar humildade aos economistas.
COMENTAR | CORRIGIR
Comentários
Seja o primeiro a comentar esta notícia