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Porto Alegre, terça-feira, 16 de janeiro de 2018.

Jornal do Comércio

Cultura

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literatura

Notícia da edição impressa de 17/01/2018. Alterada em 16/01 às 15h50min

Livros de memórias ganham espaço no mercado nacional

Exemplo de sucesso, autobiografia de Rita Lee foi lançada no fim de 2016 e estourou em 2017

Exemplo de sucesso, autobiografia de Rita Lee foi lançada no fim de 2016 e estourou em 2017


PATRICIA CECATTI/DIVULGAÇÃO/JC
Um novo filão - antigo lá fora, mas com sucesso não tão comum no mercado brasileiro - fez o segmento de biografias dar um salto em 2017. Os livros de memórias lançados no ano passado ajudaram o segmento a crescer 23,4% em faturamento em relação a 2016, de acordo com dados da Nielsen Bookscan, que faz pesquisas no mercado livreiro. Em número de exemplares, a alta é de 8%.
É um índice muito acima da média para o total do setor livreiro. Os números ainda não foram divulgados, mas estimativas dão conta de que, embora o segmento dê sinais de estar saindo da crise, o faturamento terá crescido cerca de 6% no total em 2017.
As cinco biografias mais vendidas do ano são livros de memórias - gênero muito mais comum no mercado anglo-saxão do que aqui, mas que, quando traduzido, não costumava ter o mesmo sucesso que os nacionais agora têm.
A primeira foi a autobiografia de Rita Lee, da Globo Livros - a obra foi lançada no fim de 2016, mas estourou mesmo no ano passado. A participação da cantora numa das primeiras entrevistas do Programa do Bial - que, aliás, tem dado um espaço incomum na TV aberta para a divulgação de livros - é apontada como um dos motivos.
Em segundo lugar vem Na minha pele (Companhia das Letras), de Lázaro Ramos, seguido por um eterno mais vendido, a edição em brochura do O diário de Anne Frank (Record) - que também aparece em nono lugar, com a edição capa dura. Surgem na sequência Novos caminhos, novas escolhas (Objetiva), de Abílio Diniz, e O livro de Jô (Companhia das Letras), escrito pelo apresentador em parceria com Matinas Suzuki Jr.
Em pesquisas sobre o mercado editorial, um crescimento tão grande não significa necessariamente que o segmento irá para sempre de vento em popa - mas é sinal de lançamentos atípicos na comparação com 2016.
"Sempre publicamos biografias com sucesso, as nacionais sobretudo. Temos realmente notado um aumento no interesse pelo gênero, mas especialmente nesses livros de memórias, o que era menos usual no Brasil", afirma Otávio Marques da Costa, publisher do grupo Companhia das Letras, que lança este ano uma autobiografia de Fernanda Montenegro.
É curioso notar, contudo, que após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de liberar as biografias não autorizadas, em 2015, o que se viu não tenha sido uma enxurrada de livros do tipo, e sim os próprios personagens resolvendo contar suas histórias. Na Europa, as biografias não autorizadas florescem aos montes. Há muitas cheias de histórias indecorosas e detalhes sórdidos, mas também de qualidade para lá de duvidosa.
Do ponto de vista comercial e de produção, há uma vantagem prática nos livros de memórias. Enquanto biografias de mais fôlego de um Ruy Castro, um Lira Neto ou um Mário Magalhães podem demorar 10 anos ou mais para ficarem prontas, uma obra de memória é concretizada mais rápido.
Exemplos não faltam. Um dos melhores lançamentos do ano passado, Triste visionário, biografia de Lima Barreto escrita por Lilia Moritz Schwarcz, é fruto de 10 anos de pesquisa. O livro de Jô, por sua vez, ficou pronto em seis meses - entre o início das entrevistas com o apresentador e a entrega do original.
"É um perfil de livro diferente do que o Brasil vinha fazendo até aqui", diz Marcos das Veiga Pereira, um dos donos da Sextante e presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros. "Quando resolvemos fazer a biografia do Renato Aragão, ele disse 'prefiro fazer a minha biografia antes que alguém faça'".
Os títulos que se destacaram em 2017 são obras de grande qualidade, mas será importante observar nos próximos anos se a decisão do STF não produziu o efeito contrário do esperado, criando um filão de biografias autorizadas.
"Nada mudou com a decisão. Claro que não era um liberou geral. Quem se sentir prejudicado por uma biografia, tem todo o direito de recorrer à Justiça. E é claro que esse direito tem que ser mantido", conta Carlos Andreazza, editor executivo do Grupo Record, que publicou a biografia autorizada de Hebe em 2017, a sétima mais vendida.
"Do ponto de vista do editor, uma biografia autorizada é muito mais confortável. Publicar não autorizada continua sendo um tabu", acrescenta, destacando, contudo, uma possível perda de vigor jornalístico em obras assim.
À moda antiga ou na versão autorizada, o gênero é considerado um investimento seguro pelos editores. Quando o assunto é história ou política, a intuição é confirmada pelos números - títulos sobre o assunto tiveram alta de 32% nas vendas, de acordo com a Nielsen.
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