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Porto Alegre, segunda-feira, 15 de janeiro de 2018.

Jornal do Comércio

Cultura

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CINEMA

Notícia da edição impressa de 16/01/2018. Alterada em 15/01 às 18h37min

Filme italiano Me chame pelo seu nome chega às telas brasileiras

Me chame pelo seu nome entra em cartaz no Brasil

Me chame pelo seu nome entra em cartaz no Brasil


SONY PICTURES/DIVULGAÇÃO/JC
Ricardo Gruner
Um ano após conquistar a crítica logo em sua primeira exibição, no Festival de Sundance, Me chame pelo seu nome enfim entra em cartaz no Brasil, já em plena temporada de prêmios. Com foco na relação entre um adolescente e um homem mais velho, o romance estreia na quinta-feira com uma bagagem de prestígio: até agora, o filme do italiano Luca Guadagnino recebeu indicações a prêmios como o Globo de Ouro e o Critics Choice Awards (dos quais não saiu vencedor) e também ao Bafta, cuja cerimônia está marcada para o dia 18 de fevereiro.
Não se pode nem dizer que a narrativa tem uma trama. Não há grandes tramoias ou reviravoltas, apenas uma história que desenrola lentamente, sem solavancos ou interrupções.
O ano em que se passam as ações é 1983; o cenário, o Norte da Itália. Elio (papel do jovem Timothée Chamalet, cotado para o Oscar) é o filho único de uma família norte-americana com ascendências italiana e francesa, línguas que surgem espontaneamente no enredo. Entre leituras, prática ao piano, mergulhos no rio e a paquera com uma menina das redondezas, ele vive mais um verão em família. A rotina do protagonista, no entanto, muda com a chegada de Oliver (Armie Hammer), um pesquisador que vai passar uns dias na casa do trio, para trabalhar com o pai do jovem.
Mesmo sem uma delimitação formal, o longa-metragem pode ser dividido em duas partes. A partir da primeira, o espectador pode até se surpreender com a segunda: no início, Elio parece enxergar Oliver como uma versão melhor de si próprio, ou como uma projeção sua para o futuro. Pouco a pouco, porém, a admiração se torna um desejo com o qual o personagem lida de forma extremamente racional.
Com base em parte do livro de mesmo título, escrito pelo egípcio André Aciman, o longa-metragem é melancólico e sensual ao mesmo tempo. Há um quê de voyeurismo na direção adotada pelo cineasta. Guadagnino coloca o espectador como testemunha dos acontecimentos do verão retratado, como se fosse uma das tantas moscas que surgem em cena com o calor escaldante. Em meio a corpos sem camisa e uma intimidade crescente, no entanto, há também a certeza de que aqueles dias terão um fim. "Me chame pelo seu nome" é um pedido feito por Oliver na tentativa de estabelecer uma ligação duradoura com seu amante.
Mesmo que por muitas vezes a dinâmica deste relacionamento chame mais atenção do que as personalidades de seus protagonistas, o romance fala, sobretudo, sobre amadurecimento - seja em processo de realização ou já na plenitude. A montagem do filme repete estrategicamente o ato de mostrar a natureza após cenas de sexo, enquanto o roteiro evita grandes dramas consequentes às escolhas do protagonista. Preconceito, por exemplo, é uma palavra jamais mencionada ao longo das duas horas e dez minutos de duração. Sem dúvida, esse ambiente é apresentado com uma visão otimista, especialmente para os anos 1980.
Ciente que a presença de vilões ou conflitos não é questão obrigatória para qualquer narrativa, o longa-metragem só acaba sofrendo por estender-se demais em suas convicções. Com cerca de duas horas e dez minutos de duração, Me chame pelo seu nome passa a impressão de ser mais longo do que realmente é. A positividade de Guadagnino e do roteirista James Ivory é tanta que os dois parecem crer que há mais para mostrar do que o necessário.
A adaptação do livro para as telonas, no entanto, não incomodou os votantes do Bafta. Além de concorrer aos prêmios de melhor filme, ator e ator coadjuvante, categorias em que o trabalho vem sido lembrado frequentemente, o filme também figura como um dos indicados a melhor roteiro.
Ao lado de Timothée Chamalet (uma revelação que também está no elenco de Lady Bird, outro filme com destaque na temporada de prêmios) e Armie Hammer, o elenco ainda conta com artistas como Mark Stuhlbarg e Esther Garrel. Já o cineasta, em entrevistas recentes, afirmou que pode voltar a se dedicar aos mesmos personagens no futuro.
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