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Porto Alegre, sexta-feira, 19 de janeiro de 2018.

Jornal do Comércio

Cultura

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CINEMA

Notícia da edição impressa de 18/01/2018. Alterada em 19/01 às 15h08min

Filme Pela janela ganha sessão especial comentada

Magali Biff estrela Pela janela, que tem sessão comentada com a diretora hoje na Capital

Magali Biff estrela Pela janela, que tem sessão comentada com a diretora hoje na Capital


/VITRINE FILMES/DIVULGAÇÃO/JC
Caroline da Silva
Porto Alegre recebe hoje uma sessão especial do longa nacional Pela janela, que entra em cartaz no País todo nesta quinta-feira pela Sessão Vitrine Petrobras. A roteirista, diretora e montadora Caroline Leone e a experiente produtora Sara Silveira vêm à Capital para participar de debate após a exibição do filme na Cinemateca Capitólio (Demétrio Ribeiro, 1.085), às 20h. O valor do ingresso é R$ 10,00 (com meia-entrada para estudantes e idosos).
Coprodução com a Argentina, o road movie foi grande injustiçado no último Festival de Gramado por não merecer nenhuma menção dos júris. A estreia mundial do título tinha acontecido no início do ano passado no Festival de Roterdã, de onde saiu com a distinção Fipresci, prêmio da crítica internacional de cinema, "pela forma como mistura as esferas emocional e política sem ser excessivamente demonstrativo".
A justificativa para a láurea conversa com o que Caroline declarou, em Gramado, ser sua forma de perceber a sétima arte. "É um filme muito simples. Acho que o grande acontece no pequeno. Sinto assim!" A diretora explicou que a ideia era contar o menos possível com descrições: "Tirando os excessos, acreditando na potência do cinema. Queria que fosse um grande mergulho para dentro da pele da personagem".
A "jornada empática", como classifica a cineasta, traz a história de Rosália (interpretada por Magali Biff), uma operária de 65 anos que se dedicou totalmente ao trabalho em uma fábrica de reatores da periferia de São Paulo. De repente, é demitida. Naturalmente, se vê em uma encruzilhada, sem saber o que fazer, e fica deprimida.
Ela mora somente com o irmão, José (Cacá Amaral), que tem uma viagem de trabalho marcada para a Argentina e não aceita deixá-la sozinha. Contra sua vontade, Rosália acaba aceitando a insistência de apoio dele e embarca junto na sua missão de levar por terra uma caminhonete à filha do patrão em Buenos Aires. No percurso, a ex-operária se depara com um mundo diferente, pela primeira vez em contato com o desconhecido e o novo, e, aos poucos, com certa libertação, vai transformando o seu olhar sobre a realidade.
O caminho para este filme de estrada ficar pronto foi longo, cerca de 12 anos ao todo, conta Caroline, desde que teve o insight para o argumento. Depois, ela ganhou um prêmio do Programa Ibermedia no valor de US$ 13 mil para o desenvolvimento do roteiro. "Foram seis anos de escritura", conta a diretora, que fez o trajeto da narrativa de carro e de ônibus pelo menos três vezes. "Tinha vontade de falar dessa mulher que está anestesiada do trabalho, por essa vida de resistência, e que tem essa força gigantesca. Ela tem uma oportunidade totalmente fora do seu alcance e passa por uma transformação interna muito sutil", afirma.
Na apresentação do título no Palácio dos Festivais, em Gramado, Caroline afirmava que era uma produção para ser sentida mais que entendida. "Como montadora, quis fazer dele um filme hipnótico nos sentidos, pelo som, pela cadência das imagens, usando os cortes, as ambientações todas, e fazer algo bem real, bem palpável."
As cenas foram rodadas em seis semanas, entre outubro e novembro de 2015, com a maior parte do tempo e das locações no país vizinho. A montagem levou o dobro desse tempo, tendo sido finalizada em março de 2016, junto à argentina Anita Remón. O trabalho do também hermano Juan Giribaldi ainda arrancou elogios por onde passou - assim como a fotografia, assinada por Claudio Leone, pai da autora. "Depois de montado, não tínhamos dinheiro para finalizar, então esperamos ganhar um edital de finalização para fazer do modo como merecia. Isso levou mais oito meses", relata a diretora.
Sara Silveira comentou que este foi um longa pequeno de dinheiro, com um orçamento de cerca de R$ 2 milhões: "É um valor baixo para um road movie. Foi um quebra-cabeça de produção. É a trajetória dessa senhora, de uma mulher, digamos, velha, de 65 anos, desempregada, que descobre alguma coisa na vida. Para mim, além de ser lindo, é um filme de esperança para nós mulheres".
A fábula de renascimento da protagonista que se depara com o envelhecimento justamente em um momento em que precisa se descobrir e se reinventar participou de 18 festivais nacionais e internacionais em 2017. Recebeu, ainda, o prêmio especial do júri em Washington; distinção de melhor filme no XIII Panorama Internacional Coisa de Cinema (Salvador); láurea de melhor atriz para Magali Biff, melhor ator coadjuvante para Cacá Amaral e melhor som no 12º Fest Aruanda do Audiovisual Brasileiro (João Pessoa) e o Prêmio de Contribuição Artística - Ópera Prima no 39º Festival Internacional del Nuevo Cine Latinoamericano (Havana).
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