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Porto Alegre, domingo, 28 de janeiro de 2018.

Jornal do Comércio

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Notícia da edição impressa de 29/01/2018. Alterada em 26/01 às 19h22min

Motirõ irá promover assistência jurídica para a população de baixa renda

Cássio Henrique da Silva e Carolina Borges destacam o resgate das identidades das populações mais pobres

Cássio Henrique da Silva e Carolina Borges destacam o resgate das identidades das populações mais pobres


/LUIZA PRADO/JC
Pedro Carrizo
A descentralização da cultura, da produção de bens e de serviços é o foco do projeto encabeçado por Carolina Borges, fundadora e coordenadora-geral do Motirõ. O espaço, localizado na rua Dr. Sebastião Leão, no bairro Azenha, irá promover assistência jurídica para a população de baixa renda a partir de fevereiro deste ano. Para março, a ideia é dar início a um cine reflexão, no qual debates sobre a valorização da cultura serão sempre bem-vindos e instigados. Projeta-se, também, ainda para 2018, aulas de reforço para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) aos que não têm condições de pagar cursos preparatórios para a prova. "A ideia é instrumentalizar a população das classes mais baixas, através da produção de renda extra e do resgate de suas identidades culturais", diz Carolina.
Fundado em julho de 2017, o espaço comercializa arroz, café, geleia e mel da reforma agrária, além de cachaças orgânicas de produtores artesanais, e oferece cursos de design de sobrancelhas e de Kokedamas - técnica japonesa, variante do bonsai, para a confecção de arranjos de plantas. O local, ainda, é centro de coleta de doações às mulheres haitianas que vivem na Região Metropolitana da Capital e também recolhe materiais de higiene feminina para a Ocupação Povo Sem Medo, localizada na Zona Norte de Porto Alegre. Oficinas de percussão, sarau de cantos e leituras, e muita música também acontecem no espaço, além de aulas de Capoeira Angola duas vezes por semana (às terças-feiras e aos sábados).
Carolina, que é formada em Geografia pela Universidade Federal de Rio Grande (Furg), explica que a origem da palavra Motirõ vem do tupi-guarani e significa "reunião de pessoas para colher ou construir algo juntas, umas ajudando as outras". Por isso, o nome coube como uma luva ao representar o projeto, considerando que, sem trabalho em equipe, não seria possível executar as ações programadas para 2018, nem nada do já acontece semanalmente no espaço cultural.
"A gente busca estruturalizar as raízes da economia solidária cada vez mais no Motirõ, mas ela só pode funcionar em rede. Quando nos comprometemos com essa prática, temos que manter um trabalho integrado com todos os envolvidos no processo", explica a fundadora.
O projeto de oito meses sofre dificuldades financeiras para pagar o aluguel, e a venda dos produtos orgânicos e de roupas acontece lentamente. De acordo com Carolina, trabalhar com arte é um movimento de resistência diário, "ainda mais neste período, no qual o reacionário encontrou terreno fértil para disseminar o ódio". A fundadora acredita que os desafios para quem busca a descentralização cultural através das práticas da economia solidária sempre vão existir, mas que isso não é motivo para desanimar.
As aulas de Capoeira Angola acontecem duas vezes por semana (às terças-feiras e aos sábados) no Espaço Cultural Motirõ, e Cássio Henrique da Silva - formado em Ciências Sociais e mestrando em Antropologia pela Ufrgs - é o professor responsável pela atividade, na qual busca trazer os valores culturais e o resgate da cultura negra. "A Capoeira Angola estimula o processo de libertação e autoestima, é a valorização da história de luta do escravo negro no Brasil. A capoeira não se limita a uma prática corporal", explica.
Mesmo após a abolição da escravidão no Brasil, a capoeira continuou sendo considerada uma atividade ilegal. Silva afirma que este processo incentivou a marginalização da prática ao longo dos anos e, por isso, a importância de resgatar os valores culturais para os alunos que frequentam o projeto. "A capoeira tem raízes históricas que são muito profundas, mas constantemente são atreladas aos movimentos da ginástica artística, o que não tem nada a ver com a história", diz Silva.
As aulas têm duração de uma hora e meia e contam com a presença do Rabo de Arraia, grupo de capoeira do qual Silva faz parte. O espaço tem capacidade de até 10 alunos por roda de capoeira, e são promovidas confraternizações após o final das oficinas.
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