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Porto Alegre, terça-feira, 26 de dezembro de 2017.

Jornal do Comércio

Internacional

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Peru

Notícia da edição impressa de 27/12/2017. Alterada em 26/12 às 21h18min

Fujimori agradece a PPK por indulto humanitário

Fujimori foi condenado por crimes de direitos humanos e corrupção

Fujimori foi condenado por crimes de direitos humanos e corrupção


/RAUL GARCIA/AFP/JC
O indulto concedido pelo presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski (PPK), ao ex-mandatário Alberto Fujimori, de 79 anos, condenado, em 2009, a 25 anos de prisão por cometer crimes contra os direitos humanos e por corrupção em sua gestão (1990-2000), causou indignação a uma parcela de eleitores de PPK. Já Fujimori, por meio de uma mensagem em vídeo, agradeceu pela decisão.
"A notícia do indulto humanitário que me outorgou PPK me surpreendeu nesta unidade de cuidados intensivos. Como compreenderão, isso me produziu um forte impacto, e tenho sentimentos misturados de extrema alegria e de pesar", afirmou. Depois, explicou que "reconhece" que muitos compatriotas tenham se sentido traídos, e "a eles peço desculpas".
Eleitores de Kuczynski se revoltaram. Entre os apoiadores insatisfeitos está o jornalista Gustavo Gorriti, vítima de perseguição na gestão de Fujimori. Ele disse que "nunca mais PPK terá apoio dos que o ajudaram a ganhar essa eleição apenas para deter o fujimorismo". Gorriti integrou o grupo de intelectuais, jornalistas e acadêmicos que apoiaram PPK contra Keiko Fujimori em 2016. Ele assessorou o então candidato, em seu último debate contra a filha de Fujimori. "Em alguns casos, um jornalista tem de se despir de sua função em nome de uma causa mais nobre. Essa causa era impedir a volta do fujimorismo. E justo quem eu ajudei agora nos trai."
Já o acadêmico de Harvard e especialista em Peru Steve Levitsky afirmou que a atitude de PPK foi "uma traição à democracia", enquanto Rosa María Palacios, uma das principais jornalistas do país, publicou em suas redes: "O presidente mentiu. Perdi todo o respeito que tinha por ele. Lamento pelas vítimas que não foram ouvidas".
Também contra a decisão está José Miguel Vivanco, diretor da Human Rights Watch, que declarou que, "no lugar de reafirmar que, em um Estado de Direito, não cabe tratamento especial a ninguém, ficará para sempre a ideia de que a liberação de Fujimori foi uma vulgar negociação política em troca da permanência de PPK no poder".
Houve renúncias de dois deputados do partido governista Peruanos Por el Kambio. Kuczynski anunciou que, nos próximos dias, haverá mudanças em seu gabinete para incluir outras forças políticas do país. O deputado Kenji Fujimori, que votou pela permanência de PPK e negociou o indulto do pai, agradeceu "ao presidente por esse nobre gesto".
 
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