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Porto Alegre, quinta-feira, 14 de dezembro de 2017.

Jornal do Comércio

Geral

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Segurança pública

Notícia da edição impressa de 14/12/2017. Alterada em 14/12 às 13h07min

Hospital da Brigada Militar sofre com falta de materiais básicos

Frota critica negociações que levariam à venda de 14 quartéis da corporação

Frota critica negociações que levariam à venda de 14 quartéis da corporação


MARCELO G. RIBEIRO/JC
Isabella Sander
O presidente da Associação dos Oficiais da Brigada Militar (Asofbm), coronel Marcelo Gomes Frota, denunciou ontem a falta de materiais no Hospital da Brigada Militar (HBM) de Porto Alegre. Segundo Frota, falta, principalmente, estrutura de hotelaria, e pessoas que são internadas, muitas vezes, precisam levar itens como toalhas, roupas de cama e travesseiros.
"Apesar de o nosso quadro de servidores ser qualificado, o atendimento de saúde oferecido é muito frágil: para ser internada, a pessoa tem que levar lençóis, travesseiros e até mesmo comprar os remédios que precisa tomar", relata.
O coronel enfatiza que a situação só não está pior porque tanto soldados como oficiais fazem o melhor trabalho com o que têm disponível. "O diretor do HBM é um dos únicos médicos especializados em gestão hospitalar no Rio Grande do Sul, por exemplo, e, no Presídio Central, apenas dois oficiais cuidam do efetivo de 280 homens e de 4,7 mil presos", pontua.
Procurado, o comandante-geral da Brigada Militar (BM), coronel Andreis Dal'Lago, disse desconhecer o problema de falta de materiais. "Pelo contrário, nunca investimos tanto no HBM. Inauguramos um novo centro clínico e uma farmácia, criamos sete leitos na Unidade de Tratamento de Emergência e estamos ampliando a UTI. Peço que o coronel me encaminhe a informação, que irei averiguar", garante.
Outra crítica feita pelo presidente da Asofbm é referente a um projeto que, conforme o oficial, é guardado a sete chaves pelo governo do Estado, de venda de quartéis da Brigada Militar e do Corpo de Bombeiros. "Isso atende a interesses externos que não conhecemos, porque o projeto não nos foi trazido. Essa falta de transparência tem gerado um incômodo muito grande", conta.
A entidade calcula que ao menos 14 batalhões pelo Estado precisarão mudar de lugar, porque seus quartéis serão vendidos. Frota prefere não mencionar onde estão localizados, mas destaca que são prédios históricos e importantes para a população. O comandante da Brigada Militar, por outro lado, nega que haja venda de quartéis e afirma que há estudos da corporação sobre a viabilidade de permutas de prédios, a fim de melhorar as condições atuais.
Frota lamenta, ainda, que o projeto de lei proposto pela Asofbm, de reposição automática do efetivo, não tenha entrado no pacote com 19 projetos na área de segurança encaminhado pelo governo à Assembleia Legislativa. A ideia era que todas as vagas desocupadas em um ano na corporação fossem repostas no ano seguinte, com adição de mais 10% de servidores, até suprir o déficit existente hoje - atualmente, apenas 38% das 34 mil vagas previstas para a BM estão preenchidas. "É melhor chamar gradualmente alguns do que chamar muitos de uma só vez, até para que, 30 anos depois, não se aposentem todos juntos", explica. Leis como essa já existem em Santa Catarina e Minas Gerais.
Dal'Lago alega desconhecer esse projeto da entidade de oficiais. "Mas, desde 2015, estamos fazendo um planejamento para tentar recuperar a corporação, na qual a saída tem sido muito maior do que a entrada de efetivo nas últimas décadas. Estamos fazendo um dos maiores concursos da histórica da Brigada Militar", pontua. O último certame abriu 4,1 mil vagas para soldados. Nos próximos dias, também será publicado edital para chamamento de 200 oficiais.

Apenas 5,5% da população está satisfeita com o governo

As denúncias ocorreram em evento para apresentar o estudo "Raio X da Segurança Pública na Grande Porto Alegre", elaborado pela Segmento Pesquisas. Foram entrevistadas 600 pessoas, entre setembro e outubro, em Canoas, Alvorada, Gravataí, Novo Hamburgo, São Leopoldo, Esteio e Sapucaia do Sul. Em torno de nove em cada dez cidadãos (94,5%) consideraram o governo de José Ivo Sartori péssimo, ruim ou regular. O percentual aumentava para 97% de péssimo, ruim ou regular na relação do governo com segurança pública.
Perguntados sobre o que lhes vem à cabeça quando se fala em segurança pública, 83,8% dos entrevistados mencionaram pontos negativos, como não existir segurança (18,7%), assaltos (16,9%) e insegurança (13,3%). Os que fizeram associações positivas lembraram de ações de policiamento (26%), da Brigada Militar (16,4%) e da polícia como um todo (12,3%).
Quase todos os entrevistados (95,5%) se mostraram insatisfeitos com a segurança pública da Região Metropolitana. Podendo estabelecer uma nota de 1 a 5, a média foi de 1,8. Os piores resultados foram em Alvorada e Gravataí, com 1,4. A grande maioria das pessoas (88,2%) acha que a violência aumentou nos últimos três anos.
O maior medo da população é sofrer assaltos ou morrer em um assalto (62,7%). O pensamento mais recorrente é ser assaltado, com 57,7% dos entrevistados pensando nisso sempre ou quase sempre, seguido por pensar em ser assassinado ou sofrer um roubo com morte (46%). Os locais onde mais se sentem inseguros é na rua durante a noite (97%), na parada de ônibus (93,3%) e dentro do ônibus (91,4%).
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