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Porto Alegre, segunda-feira, 04 de dezembro de 2017.

Jornal do Comércio

Geral

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Saúde

04/12/2017 - 08h13min. Alterada em 04/12 às 13h28min

SUS tem fila de espera de mais de 900 mil cirurgias eletivas no País

Pesquisa traz dados de secretarias de saúde de 16 estados e dez capitais enviados até junho deste ano

Pesquisa traz dados de secretarias de saúde de 16 estados e dez capitais enviados até junho deste ano


JOÃO MATTOS/ARQUIVO/JC
Levantamento do Conselho Federal de Medicina (CFM) aponta que pelo menos 904 mil cirurgias eletivas estão pendentes no Sistema Único de Saúde (SUS) em diferentes estados e municípios do País. As cirurgias eletivas não são de urgência ou emergência. O Rio Grande do Sul aparece em quarto lugar em procedimentos que aguardam para serem feitos. Porto Alegre figura em quinto lugar (veja dados mais abaixo).  
O estudo, feito pela primeira vez pelo CFM e divulgado nesta segunda-feira (4), mostra que pelo menos 746 procedimentos cirúrgicos estão na fila de espera há mais de dez anos e 83% dos pedidos entraram na fila a partir de 2016. O Ministério da Saúde informou que, desde maio, passou a adotar o sistema de fila única para organizar a demanda.
O Rio Grande do Sul soma fila com 39.158 pacientes, e está em quarto lugar na lista de espera. Minas Gerais lidera com mais de 434,5 mil cirurgias aguardando para serem feitas, depois vem São Paulo, com 143,5 mil, e Goiás, com 55 mil. Porto Alegre soma 4,2 mil cirurgias na lista. São Paulo está com maior fila, com mais de 30 mil pedidos, e Belo Horizonte aparece em segundo lugar, com mais de 25 mil pacientes na espera. 
> Veja o quadro com a lista de espera nos estados: 
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> Veja a lista das cirurgias mais demandadas no RS:
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> Veja a lista de espera por capitais:
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A pesquisa traz dados enviados pelas secretarias de saúde de 16 estados e dez capitais até junho deste ano. Outros sete estados e oito capitais não enviaram informações, alegando não tê-las disponíveis ou por negativa de acesso aos dados. Por ser o primeiro levantamento desse tipo, não há dados dos anos anteriores. A pesquisa contabiliza o número de procedimentos agendados, e não o número de pacientes na fila.
Na lista de espera, a maioria dos pedidos de cirurgias é de catarata, hérnia, vesícula, amígdalas e adenoide, além de cirurgias ortopédicas. Entre as capitais e estados que disponibilizaram informações de perfil dos usuários, as mulheres representam 67% dos pacientes que aguardam algum tipo de procedimento especializado.
Médicos alertam que a demora na realização de determinado procedimento é decisiva no sucesso de um tratamento. O representante do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), Cristiano Caixeta, explicaque a demanda por procedimentos nos olhos tem crescido devido ao envelhecimento da população, entre outros fatores. E a demora para atender todas as solicitações está relacionada à falta de profissionais especializados.
Já Mauro Ribeiro, presidente em exercício do CFM, defende políticas integradas entre os entes federados. "O número de pacientes que precisam dos procedimentos e não tem acesso ao Sistema Único de Saúde é imenso. Tanto os dados do Ministério [da Saúde], quanto os dados do Conselho Federal de Saúde são subestimados, muito aquém da realidade. [..] É necessário que o governo federal estabeleça políticas públicas com os estados e municípios para poder organizar o sistema e dar acesso a esses pacientes ao sistema de saúde", disse.
O Ministério da Saúde informou que, em julho deste ano, foi fechada a primeira lista para cirurgias eletivas no SUS. A lista identificou pouco mais de 667 mil pacientes aguardando por algum procedimento eletivo no país. O ministério ressalta que em maio deste ano adotou o sistema de lista única para organizar a rede de saúde e diminuir a fila de espera. O novo sistema tem o objetivo de centralizar as demandas em um único cadastro e ampliar as possibilidades de atendimento do paciente para outros hospitais de sua região.
De acordo com o levantamento do CFM, o SUS realizou no ano passado mais de 1,5 milhão de cirurgias eletivas. O número é inferior aos anos de 2015, que registrou 1,7 milhão de cirurgias; e 2014, com o total de 1,8 milhão, com base em dados do sistema de informação do Ministério da Saúde.
O Ministério da Saúde divulgou na semana passada balanço parcial de 2017, que mostra crescimento de 39% no número de procedimentos realizados na rede pública entre janeiro e setembro, mês que registrou mais de 150 mil cirurgias.
A pasta informou ainda que o governo federal repassa de forma regular mensalmente recursos de média e alta complexidade a todos os estados e municípios e ainda dispõe de R$ 250 milhões em valores extras que poderão ser liberados para os gestores locais. Cerca de R$ 41,6 milhões já foram liberados este ano para a realização de mutirões.
Com agência Brasil
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