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Porto Alegre, quarta-feira, 11 de abril de 2018.

Jornal do Comércio

Esportes

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ARENAS

14/12/2017 - 16h14min. Alterada em 11/04 às 18h36min

Mais caro da Copa, estádio Mané Garrincha será entregue à iniciativa privada

Arena de Brasília consumiu mais de R$ 1,5 bilhão em recursos públicos e está subutilizada

Arena de Brasília consumiu mais de R$ 1,5 bilhão em recursos públicos e está subutilizada


ANT/ABR/ARQUIVO/JC
Folhapress
Estádio mais caro da Copa, que consumiu mais de R$ 1,5 bilhão em recursos públicos e atualmente está subutilizado, o Mané Garrincha, em Brasília, será concedido à iniciativa privada em 2018. O governo do Distrito Federal pretende lançar até o mês que vem licitação para escolher uma empresa para operar o complexo e dinamizá-lo nos próximos anos, construindo em seu entorno um calçadão com opções de lazer, entretenimento e esporte.
Um dos monumentos mais imponentes do cenário brasiliense, o Mané virou símbolo de corrupção e malversação de recursos públicos após o Mundial de 2014. Em maio, a Polícia Federal prendeu os ex-governadores do DF Agnelo Queiroz (PT) e José Roberto Arruda (PR) por envolvimento num suposto esquema que desviava recursos da obra. Detalhes foram revelados por executivos da Andrade Gutierrez em delação premiada.
A investigação, concluída em agosto, apontou um superfaturamento de R$ 559 milhões nos serviços. Os custos estavam inicialmente orçados em R$ 600 milhões, mas explodiram.
Apesar do alto investimento na construção, o governo alega que é necessário entregar o estádio a um parceiro porque ele é deficitário. As receitas hoje somam R$ 2,4 milhões por ano, ante despesas de R$ 13 milhões. Em 2015, só houve 13 jogos e 17 shows no local, que ficou boa parte do tempo ociosa. Atualmente, salas no subsolo estão sendo usadas como repartições públicas.
"Não podemos mudar o passado, a forma e o tamanho com que o estádio foi construído, mas podemos dar uma orientação nova. As questões referentes ao custo de sua construção já estão sendo tratadas em processo próprio. O que queremos agora é dar a este grande equipamento público uma destinação compatível com sua localização, com aquilo que se espera", justifica Júlio César Reis, presidente da Terracap (Agência de Desenvolvimento do DF).
O edital a ser lançado prevê uma concessão onerosa de 35 anos, sem investimento público. A empresa vencedora pagará ao governo, a partir do quinto ano, mínimo de R$ 5 milhões anuais para explorar o complexo, que inclui também o ginásio Nilson Nelson e o Parque Aquático Cláudio Coutinho. Essas duas estruturas terão de ser reformadas.
O modelo projetado pela Terracap prevê um empreendimento imobiliário associado ao estádio para tornar o negócio viável. Trata-se de uma espécie de shopping a céu aberto, batizado de Boulevard Monumental, com academia, teatro, cinema, casas noturnas e restaurantes. Dados sobre o projeto foram publicados nesta quarta (13) pelo jornal Valor Econômico.
O gerente de Formatação de Negócios da Terracap, João Veloso, disse à reportagem que a ideia é atrair o fluxo de pedestres para um espaço de vocação cultural, esportiva e boêmia, a exemplo do que ocorre em lugares como a "Rambla", em Barcelona (Espanha).
O parceiro privado investiria R$ 370 milhões para recuperar os equipamentos deteriorados e erguer novas estruturas, além de pagar R$ 150 milhões em outorgas ao governo. As receitas viriam de aluguéis, venda de ingressos, publicidade, camarotes e concessão de direitos de nome.
A Terracap sustenta que o empreendimento é viável. Sua estimativa é de uma taxa de retorno real (já descontada a inflação) de 10,84%. Significa que, para cada R$ 100 aportados, o investidor obteria R$ 110,84. Veloso avalia que, num cenário de juros em queda, trata-se de uma boa oportunidade. "Em Brasília, temos um público de poder aquisitivo alto e há demanda por esse tipo de serviço. Só precisamos atrair os eventos."
Dois grupos, integrados por empresas que já têm experiência na gestão de estádios, manifestaram interesse. A Terracap não divulga os nomes. A expectativa do governo local é de assinar o contrato em abril e, em cinco anos, ter todo o complexo funcionando. O projeto arquitetônico da "Rambla" brasiliense, segundo o edital a ser lançado, terá de ser escolhido por meio de um concurso.
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