Porto Alegre, quinta-feira, 21 de dezembro de 2017.

Jornal do Comércio

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EMPREENDEDORISMO

Notícia da edição impressa de 22/12/2017. Alterada em 21/12 às 19h24min

O que se pode prever do ecossistema empreendedor

Maytê Carvalho, criadora do assistente de beleza pessoal b.pass

Maytê Carvalho, criadora do assistente de beleza pessoal b.pass


/MAURO BELO SCHNEIDER/ESPECIAL/JC
Mauro Belo Schneider
A Global Entrepreneurship Summit (GES), em Hyderabad, na Índia, contou com a participação de três empreendedoras brasileiras, que foram convidadas pela Embaixada dos Estados Unidos para acompanhar a conferência e trazer novas ideias ao Brasil.
A relações públicas Lygia Pontes, 36 anos, de São Paulo, tem uma consultoria com seu nome e ainda é criadora de um projeto que estimula mulheres a jogarem basquete, o Magic Minas.
Maytê Carvalho, publicitária paulista de 27 anos, criou um assistente pessoal de beleza, com assinaturas vinculadas a salões de beleza, o b.pass.
Roberta Vasconcellos, 29 anos, de Minas Gerais, é uma das fundadoras do BeerOrCoffee, rede de pessoas e coworkings colaborativos.
De volta às suas rotinas, elas destacam o que aprenderam na Índia e que deve prevalecer no empreendedorismo em 2018. Veja a seguir.

Maytê Carvalho

  1. Empoderamento e voz ativa da mulher atrelados a políticas afirmativas: cotas no conselho de empresas, fundos de investimento voltados apenas para female founders
  2. Mercados emergentes serão consolidados cada vez mais (Brics)
  3. STEM serão as disciplinas da vez: science (ciências), technology (tecnologia), engineering (engenharia) e mathematics (matemática)
  4. Startups e políticas públicas estarão cada vez mais entrelaçados e mudando até mesmo a maneira como o Estado enxerga mobilidade urbana, saúde e educação
  5. Diversidade: a diversidade de gêneros e a inclusão de minorias proporcionarão modelos de negócios inovadores e fora da caixa
     

Lygia Pontes

Lygia abriu uma consultoria que leva seu nome em São Paulo
Lygia abriu uma consultoria que leva seu nome em São Paulo
/LYGIA PONTES/ARQUIVO PESSOAL/DIVULGAÇÃO/JC
  1. Os profissionais têm buscado ambientes de trabalho saudáveis, nos quais podem se sentir felizes com o que fazem e ser eles mesmos. Alguns profissionais, inclusive, começaram a empreender justamente por causa dessa necessidade. Portanto, todas as empresas, principalmente as grandes, devem tratar a felicidade de seus funcionários como uma prioridade
  2. O networking é essencial para qualquer profissional e tem sido tratado com muita atenção, principalmente pelos empreendedores, que têm feito bom uso de ferramentas digitais
  3. As mulheres passaram a compreender que juntas são mais fortes e têm se unido cada vez mais, principalmente as empreendedoras. Elas têm construído redes de apoio, de contato e de relacionamento para falar dos desafios, compartilhar sucessos, conquistas, fazer parcerias e gerar negócios
  4. Além do apoio de outras mulheres, as empreendedoras contam com a tecnologia como aliada, já que podem estudar e aprender onde quer que estejam. Considerando a situação de muitas mulheres, que precisam cuidar da casa e da família, a tecnologia é e será essencial no desenvolvimento das profissionais
  5. A internacionalização dos negócios é algo cada vez mais possível, necessário e simples para os empreendedores: os contatos com as pessoas de outros países está mais fácil, e eventos como a GES auxiliam, já que geram mais possibilidades de parcerias e negócios para levar empresas para outros países
  6. O aprendizado constante é muito importante na vida de um empreendedor. Quando para de aprender, um empreendedor entra em pânico. Por isso a importância do networking e da tecnologia
  7. Ter um mentor é muito importante, tanto para compartilhar experiências como para orientar nas áreas nas quais os empreendedores não têm conhecimento. Mas é importante que eles busquem mais de um mentor, e que estes possam auxiliar nos diferentes pontos em que precisam de conhecimento
  8. A verdade é fundamental para o sucesso de um negócio. Os empreendedores não devem ter medo de falar a verdade para seus mentores e clientes. Eles irão perdoar um erro, mas não a mentira
  9. Determinação, paixão e confiança nunca foram tão importantes para os empreendedores. Devem estar ao lado do conhecimento técnico
  10. Um empreendedor nunca deve perder a sua essência e a essência do seu negócio. Nenhum cliente, investidor ou parceiro deve ser motivo para que um empreendedor se esqueça disso

Roberta Vasconcellos

Roberta lançou a BeerOrCoffee, que conecta uma rede de coworkings
Roberta lançou a BeerOrCoffee, que conecta uma rede de coworkings
Mauro Belo Schneider/Especial/JC
  1. Maior força pensante. Com a população mais jovem do mundo, a Índia possui mais de 50% de sua população com idade inferior a 27 anos e mais de dois terços com menos de 35 anos. Assim, o maior desafio - que também é enfrentado por todos os países - é a questão da criação de empregos. Nesse sentido, a promessa é de se criar a força de habilidades mais valiosa do mundo nas próximas décadas, educando a nova geração com professores que serão bots e universidades on-line
  2. Mais mulheres compondo a força de trabalho. Muito já sabemos sobre o impacto que seria gerado na economia se todas as mulheres que possuem capacidade de trabalhar estivessem inseridas na força de trabalho. Segundo estudos da McKinsey & Company, se as mulheres participassem igualmente aos homens no mercado de trabalho, até 2025, seriam acrescidos US$12 trilhões na economia. O que precisamos é agir através da capacitação de mais mulheres em todas as regiões e com o apoio de políticas públicas
  3. Mais mulheres em cargos de liderança. Hoje, a Índia possui 40% dos cargos de liderança no mercado bancário sendo ocupados por mulheres e é o país que mais emprega mulheres na tecnologia. Em contrapartida, é o país com a maior disparidade do mundo em termos da quantidade de mulheres que teriam condições de compor a força de trabalho da população e não estão inseridas. A tendência é que mulheres precisem de um ecossistema que as dê suporte e exemplos em que possam se espelhar. Uma vez inseridas, estudos comprovam que mulheres retribuem mais para suas famílias e comunidades
  4. Aumento do acesso a capital para mulheres empreendedoras. Mais uma unanimidade na maior parte dos painéis foi a constatação do desafio de acesso a capital para mulheres empreendedoras. E, neste ponto, o destaque vai para o WeFi (Women Entrepreneurs Finance Initiative), um fundo criado pelo Banco Mundial com o apoio do governo norte-americano e outros países que promete investir US$ 1 bilhão em empreendimentos de mulheres em mercados emergentes
  5. HealthTech. Mais de 70% da população na Índia não possui seguro-saúde e paga por suas despesas médicas. Através das iniciativas para resolver esses e outros problemas relacionados à saúde, HealthTech é tendência, e, até 2025, a indústria de tratamentos de saúde valerá US$ 280 bilhões na Índia. Com a vantagem de que produtos que resolverão problemas de saúde mundiais estão sendo criados lá por um valor bem mais acessível
  6. Make In India (makeinindia.com). Uma iniciativa nacional para incentivar os indianos a criarem produtos disruptivos que resolverão problemas de escala global e podem ser exportados para o mundo
  7. Drones e veículos elétricos. Adversidade pode ser sinônimo de inovação, o que ficou claro quando nos foram apresentados os desafios de logística na Índia devido à infraestrutura precária em muitas regiões, que prejudica inclusive a chegada de medicamentos. Em contrapartida, a aposta vem justamente do uso de drones: até 2020, os drones irão mudar drasticamente o mercado de logística de US$307 bilhões, inclusive já sendo adotados pelo governo na agricultura e no monitoramento de fronteiras. Além disso, a Índia pretende eliminar os veículos a petróleo e diesel no país até 2030. Até 2020, serão 7 milhões de veículos elétricos no país
  8. Investimento público em inovação. Os governos estão cada vez mais investindo em tecnologia para maior eficiência do setor público e para desenvolvimento de seus países através da inovação. No caso da Índia, não podemos deixar de mencionar o T-HUB (t-hub.co), considerado o maior hub de startups do país, localizado em Hyderabad. Foi anunciado na GES que será a maior incubadora do mundo em 2018, acelerando 3 mil startups
  9. Internet of Things (IoT). O mercado indiano ainda irá amadurecer muito nesse sentido para tornar casas e cidades mais inteligentes. Até 2020, a indústria de Internet das Coisas vai triplicar de valor para US$15 bilhões
  10. Ascensão dos smart devices e da inteligência artificial.De assistentes pessoais a devices voltados para atividades físicas, a interação homem-máquina irá modificar mercados. A Amazon anunciou que irá duplicar seus investimentos na Índia e, até 2022, a penetração de smart devices nas residências crescerá 18 vezes e atingirá 7,2% das famílias
     
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