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Porto Alegre, quinta-feira, 07 de dezembro de 2017.

Jornal do Comércio

Economia

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trabalho

07/12/2017 - 11h04min. Alterada em 07/12 às 11h34min

IBGE mostra que 10,5 milhões de pessoas trabalham na produção para próprio consumo

Montante equivale a 6,3% de toda a população de 166,7 milhões de pessoas em idade de trabalhar

Montante equivale a 6,3% de toda a população de 166,7 milhões de pessoas em idade de trabalhar


MARCO QUINTANA/JC
Em 2016, o País tinha 10,5 milhões de brasileiros trabalhando na produção de bens para consumo próprio. O montante equivale a 6,3% de toda a população de 166,7 milhões de pessoas em idade de trabalhar, ou seja, com 14 anos ou mais de idade. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua - Outras Formas de Trabalho, referente a 2016.
Entre os que realizaram algum tipo de trabalho na produção de bens para uso exclusivo de moradores do domicílio ou de parentes, 77,6% declararam atuar no cultivo agrícola, pesca, caça ou criação de animais. Outras formas de trabalho pesquisadas foram a produção de carvão, corte ou coleta e lenha, palha ou outro material (com 17,3% de adesão), fabricação de calçados, roupas, móveis, cerâmicas, alimentos ou outros produtos (11,6%), e construção de prédio, cômodo, poço ou outras obras de construção (7,0%).
Os homens eram maioria na produção para o próprio consumo, mas com apenas ligeira vantagem entre as mulheres, 51,9% ou 5,5 milhões de pessoas.
Os mais velhos eram mais ativos nesse tipo de produção: 46,1% tinham 50 anos ou mais, enquanto 42,7% tinham idade entre 25 a 49 anos. Apenas 11,2% desses trabalhadores tinham de 14 a 24 anos.
Quase metade das pessoas que produziam para o próprio consumo (48,8%) estava também empregada no mercado de trabalho. Entre os homens, essa proporção alcançava 61,7%, ante 35,0% das mulheres. O porcentual de pessoas ocupadas na produção para o próprio consumo foi majoritário nas Regiões Norte (59,6%), Sul (57,3%) e Centro-Oeste (52,9%).
O Brasil tinha 6,5 milhões de pessoas realizando trabalho voluntário em 2016, o equivalente a 3,9% da população com 14 anos de idade ou mais, segundo a pesquisa do IBGE.
A taxa de realização de trabalho voluntário foi maior entre as mulheres (4,6%) do que entre os homens (3,1%). A região do Brasil com maior proporção de voluntários era o Norte, onde 5,6% das pessoas faziam algum trabalho desse tipo.
"No Norte tem muita questão ambiental, talvez tenha mais projetos. Mas pode ser igreja também. Se eu ajudo num mutirão do meu vizinho, também é trabalho voluntário", lembrou Alessandra Brito, analista da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE.
A menor incidência de trabalho voluntário foi no Nordeste, apenas 3,0% da população local, seguido pelo Sudeste, com 3,7% de voluntários entre as pessoas com 14 anos ou mais.
A maioria dos voluntários (91,5% deles) atuou através de uma empresa, organização ou instituição, sendo que 81,5% das pessoas que realizaram trabalho voluntário o faziam em congregação religiosa, sindicato, condomínio, partido político, escola, hospital ou asilo.
As pessoas ocupadas realizavam mais trabalho voluntário do que as que não trabalhavam. Enquanto 4,2% dos trabalhadores ocupados realizavam trabalho voluntário, entre os não ocupados essa proporção caía a 3,6% em 2016.

Mais de 80% dos homens fazem tarefas domésticas; mulheres trabalham o dobro

Mais de 80% dos brasileiros com 14 anos ou mais de idade fazem algum tipo de tarefa doméstica em casa ou na casa de algum parente, o equivalente a 135,5 milhões de pessoas. Mas as mulheres permanecem mais sobrecarregadas nesse tipo de função do que os homens. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua - Outras Formas de Trabalho, referente a 2016.
Enquanto 89,8% das mulheres realizavam atividades domésticas, esta proporção era de 71,9% entre os homens. O tempo dedicado a esses serviços também mostrou diferença entre os sexos. A média de horas dedicadas ao serviço doméstico no Brasil era de 16,7 horas por semana, mas as mulheres trabalhavam duas vezes mais que os homens em casa, 20,9 horas semanais, em média, contra apenas 11,1 horas para os homens.
"A mulher faz tudo na casa, e o homem faz pequeno reparo. É basicamente isso", resumiu Alessandra Brito, analista da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE. "Há uma diferença grande entre homens e mulheres. A única atividade que os homens fazem mais do que as mulheres é consertar um chuveiro, trocar uma torneira, algum pequeno reparo no domicílio", acrescentou.
Entre os tipos de afazeres domésticos, os homens só ganharam das mulheres no quesito pequenos reparos ou manutenção do domicílio, de automóvel, de eletrodomésticos ou outros equipamentos. Entre os homens, 65% se dedicaram a esse tipo de tarefa, contra 33,9% das mulheres.
Em todos os outros, elas se dedicaram em maior proporção do que eles: preparar ou servir alimentos, arrumar a mesa ou lavar louça (58,5% dos homens, 95,7% das mulheres); limpeza ou manutenção de roupas ou sapatos (55,7% dos homens, 90,8% das mulheres); limpar ou arrumar a casa, garagem, quinta ou jardim (67,3% dos homens, 77,9% das mulheres); cuidar da organização da casa, como pagar contas, contratar serviços e orientar empregados (69,0% dos homens, 71,3% das mulheres); fazer compras ou pesquisar preços de bens para a casa (68,2% dos homens, 76% das mulheres), e cuidar dos animais domésticos (37,5% dos homens, 42,4% das mulheres).
Os homens brancos (73,9%) faziam tarefas domésticas em maior proporção do que os pretos (73,0%) e pardos (69,8%), enquanto que essa tendência se invertia entre as mulheres brancas (89,1%), pretas (90,9%) e pardas (90,3%). A pesquisa não cruzou os dados com informações sobre a renda da população, mas pesquisadores do IBGE acreditam que as diferenças possam ter explicação no grau de escolarização ou em características regionais e culturais.
"Talvez a mulher branca com mais renda possa pagar alguém para fazer esse tipo de serviço para ela. O homem branco talvez por conta de uma escolarização mais elevada tenha mais consciência da necessidade de fazer mais afazeres domésticos", disse Alessandra.
"Pode ter também uma influência regional, econômica, escolaridade, cultura local", completou Maria Lucia Vieira, gerente da Pnad.
Embora as mulheres ainda cuidem da casa e da família em maior proporção e por mais horas, a participação dos homens aumentou em relação à apuração de pesquisas anteriores. Não há dados comparáveis, por conta de uma mudança na metodologia em relação à Pnad anual, mas um aperfeiçoamento na coleta ajudou a medir com mais precisão algumas tarefas domésticas que antes passavam despercebidas aos entrevistados e que muitas vezes são feitas por homens.
"Se eu perguntar se você faz tarefa doméstica sem dizer que isso inclui botar o lixo para fora e levar o cachorro para passear, você diria que você faz serviço doméstico? Mesmo que você não lave a louça, não faça comida, nada disso?", justificou Maria Lucia.
"A mulher já sabia que fazia afazeres domésticos. O homem descobriu que também faz", explicou Alessandra Brito.
Do total de 166,7 milhões de brasileiros com 14 anos ou mais, 26,9% atuaram ainda no cuidado de moradores do domicílio ou de parentes, o que correspondia a 44,9 milhões de pessoas. Enquanto 32,4% das mulheres realizaram atividades de cuidado, entre os homens a proporção foi de 21,0%.
Em 2016, 49,6% dos que realizaram esse tipo de atividade cuidaram de crianças de 0 a 5 anos de idade, enquanto 48,1% deles foram responsáveis por crianças de 6 a 14 anos de idade.
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