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Porto Alegre, quarta-feira, 27 de dezembro de 2017.

Jornal do Comércio

Cultura

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MÚSICA

Notícia da edição impressa de 28/12/2017. Alterada em 27/12 às 15h49min

Jovens talentos revisitam a obra de Tom Jobim

Mario Adnet e Paulo Jobim são responsáveis por homenagem aos 90 anos de Tom Jobim

Mario Adnet e Paulo Jobim são responsáveis por homenagem aos 90 anos de Tom Jobim


RODRIGO CASTRO/DIVULGAÇÃO/JC
Caroline da Silva
Após a parceria em Jobim Sinfônico (vencedor do Grammy Latino de Melhor CD Clássico de 2004), Mario Adnet e Paulo Jobim lançaram, em 2017, o CD e DVD Jobim, Orquestra e Convidados (Biscoito Fino), em homenagem aos 90 anos de Antônio Carlos Jobim (1927-1994). Canções emblemáticas do autor são interpretadas por jovens talentos: Alfredo Del-Penho, Alice Caymmi, Antonia Adnet, Dora Morelenbaum, Júlia Vargas, Luiz Pié e Vicente Nucci. Filho de Paulo e neto de Tom, Daniel Jobim canta O boto, e o gaúcho Yamandu Costa está à frente da orquestra em Um certo Capitão Rodrigo.
O tema que o violonista interpreta faz parte da trilha da minissérie O tempo e o vento (inspirada na obra de Erico Verissimo), assinada pelo carioca. Adnet comenta que Tom deve ter aceitado o convite da Globo para encontrar suas raízes. Seu pai, o bacharel em Direito Jorge Jobim, nasceu em São Gabriel (RS) e foi diplomata, jornalista e crítico literário. "Poeta parnasiano, inclusive, foi parceiro de Radamés Gnattali no hino de um clube gaúcho", comenta um dos diretores musicais do CD e DVD. Adnet segue contando que usa a expressão "pai biológico" porque quando Jorge Jobim morreu, Tom tinha oito anos: "A convivência forte foi com o padrasto, Celso Frota Pessoa, quem o incentivou quando viu o seu interesse pela música. Foi o responsável por colocar um piano na garagem e estimulou a estudar com professores".
Para o projeto, Yamandu Costa já estava escalado sem ter música definida. No seu primeiro encontro com Adnet, mostrou essa canção de que gostava muito. "Está cantada, tem uma letra de Ronaldo Bastos. E vi que o arranjo original espetacular era do Paulinho Jobim. Propus fazer uma revisão para a instrumentação que tínhamos e que fosse uma versão para ele tocar instrumental, sem letra", explica o produtor. "Neste caso, foi uma sugestão do próprio convidado e eu achei fantástico, porque é um gaúcho tocando uma música feita para uma minissérie baseada em obra de outro gaúcho, cujo compositor era filho de um gaúcho - que, de algum modo, estrava em contato com o pai."
Adnet ressalta que o chamado ao violonista não se deu pela sua origem, mas pela sua qualidade enquanto instrumentista: "Pensei logo no nome dele, porque já trabalhei com ele, admiro o Yamandu. Seria fantástico tê-lo. E ele deu a ideia desta música, isso veio lindamente, e engraçado que as pessoas não se dão conta do tamanho disso". O carioca segue discorrendo sobre a grandeza do fato: "Um jovem virtuoso interpretando uma música gaúcha do Tom Jobim, coisa raríssima, que só foi transmitida lá em 1985. O tempo passa e as coisas precisam ser preservadas. E Tom, digamos assim, é o maior nome da música popular brasileira, é o maior cartão-postal que temos, é uma coisa que nem a lama do País consegue derrubar. Conseguiram botar o futebol nessa lama também".
Jobim, Orquestra e Convidados tem comprometimento com o legado do compositor falecido em 1994 aos jovens. E, no DVD, além da voz deles como intérpretes, há espaço para o pensamento do artista. Dora Morelembaum, por exemplo, afirma: "Este projeto é uma forma de manter a obra do Tom viva". Adnet interpreta: "Sim, o pensamento era de vigor. E isso, para ela, que é filha de Paula e Jaques Morelembaum, que foram da banda dele, nasceu ouvindo que ele era da família, tem um peso enorme".
Segundo Adnet, outra ideia era que o filho de Antônio Carlos estivesse bastante presente no trabalho como compositor. No álbum, há três músicas de Paulo Jobim que se costuma achar que eram composições de Tom. A mantiqueira range foi a primeira música do filho que o pai gravou: está no LP Matita Perê (1973). Já Valse integra o disco Urubu (1976). Por fim, Saci (em parceira com Ronaldo Bastos) foi gravada pelo Boca Livre em 1980. "No segundo álbum deles, Bicicleta, e teve a participação do Tom ao piano. Estou tão feliz de ter as músicas de Paulinho no projeto, porque ele é um Jobim, justifica também a assinatura. O disco é Tom, Paulo, orquestra e a garotada!", exclama o produtor.
O pesquisador comenta que a excelência do trabalho do filho não é conhecida, nem a importância que ele teve para Tom nos 20 últimos anos, no suporte que ele lhe deu. "Paulo é um filho que é testemunha de tudo e se aprofundou na música e na questão de perpetuar o legado do pai, criando o Instituto Antônio Carlos Jobim, no Rio de Janeiro, com várias ações no sentido de perpetuação da obra, como o Cancioneiro Jobim, em cinco volumes, que foi editado por ele", finaliza.
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