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Porto Alegre, terça-feira, 19 de dezembro de 2017.

Jornal do Comércio

Cultura

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Música

Notícia da edição impressa de 20/12/2017. Alterada em 19/12 às 17h50min

Festa para a Marrom: Alcione celebra 70 anos com diversos projetos musicais

Show do projeto Eu sou a Marrom, lançado no último fim de semana, deve chegar a Porto Alegre em 2018

Show do projeto Eu sou a Marrom, lançado no último fim de semana, deve chegar a Porto Alegre em 2018


MARCOS HERMES/DIVULGAÇÃO/JC
Alcione vê a chegada dos 70 anos - completados no dia 21 de novembro - sem lamento. Pelo contrário. "Se chegou, que seja bem-vindo. Nunca tive problema com idade. Quero ter saúde, disposição e ser feliz fazendo o que faço. E tem mais: o número sete é meu número da sorte", avisa a Marrom.
As boas-vindas aos 70 anos - e aos 45 de carreira - serão bem celebradas. Alcione iniciou, no fim de semana passado, o projeto Eu sou a Marrom, um pacote que inclui um musical sobre sua vida, um documentário (dirigido por Angela Zoé), uma biografia (escrita por Diana Aragão) e a gravação de um CD/DVD.
A estreia ocorreu em um show com a participação especialíssima de Maria Bethânia - as duas já dividiram os palcos algumas vezes e Alcione tem histórias curiosas com a amiga. "Eu e Bethânia éramos da mesma gravadora, a Polygram. Tinha uma secretária do Roberto Menescal (na época diretor artístico da gravadora) que era fã número um de Bethânia. Sempre que eu ligava, ela perguntava quem estava falando, e eu dizia: 'É a melhor cantora do Brasil'. E ela respondia: 'Oi, Bethânia'. Um dia, entrei na gravadora dizendo: 'Chegou a maior cantora do Brasil'. Não sabia que Bethânia estava lá. Ela ouviu e respondeu: 'Eu já tô aqui, Alcione'. Fiquei com uma vergonha enorme. Ela me entregou meu primeiro disco de ouro."
O roteiro do show, que deve chegar a Porto Alegre em 2018, tem nada menos que 45 sucessos de Alcione (alguns reunidos em pot-pourris), um passeio por uma carreira que soube conjugar um gigantesco apelo popular com o respeito da crítica e de seus colegas. Estão no repertório clássicos como Não deixe o samba morrer; Estranha loucura; Meu ébano; Sufoco; Meu vício é você; e Gostoso veneno. Cantados com o mesmo vigor de quando foram gravados, mas agora com o peso da vivência.
"A Alcione do início da carreira e a de agora não são as mesmas. Eu era mais tímida, minha voz era mais tímida. Eu tinha medo de soltar a voz, medo do microfone. A vivência me trouxe recursos da minha voz que eu nem sabia. Além disso, ela dá mais força na interpretação", explica ela.
A ideia de ser de verdade a mulher de que falam suas canções - uma mulher essencialmente forte, no desejo e nas convicções - é a chave para o sucesso de Alcione. "Sei que toco a vida de muitas mulheres desse País. Isso tem a ver com o que e por que se está cantando", salienta a Marrom, que diz que se tornou uma mulher forte em casa, pela educação do pai.
"Meu pai nos ensinou a ser assim. Ele não admitia que não fôssemos fortes. 'Você tem que ter seu emprego, sua casa, não tem que depender de homem.' Quero respeito, como a loba. Eu sou a loba (diz, referindo-se ao sucesso de seu repertório). Meus irmãos foram educados a respeitar mulher. Uma vez, meu irmão bateu na mulher. Meu pai deu uma surra nele que deu até pena. Nunca mais encostou nela", relembra.
Munida dessa autoridade, Alcione se reconhece como feminista mesmo antes de conhecer o termo. "Tem duas coisas que eu tenho certeza que eu já nasci com elas. A primeira, é que sempre fui feminista. Minha mãe, que lavava roupa para fora, ensinou para nós a emancipação, a independência financeira e afetiva. Não tem coisa melhor do que afirmar aquilo que você quer na vida", diz ela, e continua: "Nunca tive filhos. Quem disse que a mulher tem que ter filhos? Ninguém pode obrigar você a nada. Mas fui mãe de muitas crianças de mil maneiras", destaca Alcione, antes de completar: "A outra coisa que tenho desde sempre é o calor. Não senti o efeito da menopausa. Nasci com 45 graus à sombra no Maranhão, quando a menopausa chegou eu já sabia o que era isso", finaliza.
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