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Porto Alegre, segunda-feira, 27 de novembro de 2017.

Jornal do Comércio

Internacional

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Argentina

Notícia da edição impressa de 28/11/2017. Alterada em 27/11 às 20h14min

Familiares cobram Cristina Kirchner sobre submarino

Navio norueguês carregando um minissubmarino chegou ontem à região

Navio norueguês carregando um minissubmarino chegou ontem à região


/PABLO VILLAGRA/AFP/JC
Familiares dos 44 tripulantes do submarino ARA San Juan, que desapareceu em 15 de novembro quando ia de Ushuaia a Mar del Plata, cobram uma posição da ex-presidente Cristina Kirchner, já que foi em seu governo que a embarcação passou pela última manutenção. "Como representante do povo, ela tem de nos responder. Tem de olhar nos olhos das crianças que ficaram sem pai e dar a elas uma resposta. O presidente Mauricio Macri tem de se assegurar de que ela responda por suas falhas. Não pode se defender por via judicial. Tem de responder", disse Marcela Tagliapietra, cunhada do tripulante Fernando Mendoza.
Chamando Cristina de "a inominável", Romina Maroli, prima do submarinista Víctor Andrés Maroli disse: "Queremos que os culpados sejam encontrados. O que estamos passando não tem nome. O que nos estão fazendo viver é imperdoável".
A chamada "manutenção de meia-vida" do San Juan foi realizada no Complexo Industrial e Naval Argentino (Cinar) do estaleiro Tandanor a partir de 2008. Em setembro de 2011, após um gasto de
US$ 16 milhões em uma primeira fase de reparação, Cristina anunciou em cerimônia que o submarino teria mais 30 anos de vida. Três anos depois, foi colocado em funcionamento pelo então ministro da Defesa, Agustín Rossi. Em seguida, precisou voltar para novos reparos.
Segundo informe do Ministério da Defesa obtido pela imprensa argentina, uma investigação interna entre 2015 e 2016 apontou que a Marinha havia beneficiado determinados fornecedores na compra das baterias, adquirido insumos vencidos e cometido irregularidades na manutenção de meia-vida. Entre as irregularidades estaria que, em vez de trocadas, as baterias do submarino teriam sido reformadas. Em sua última comunicação, o capitão do San Juan informou que havia acontecido uma falha na bateria, mas que havia solucionado o problema. Depois, o submarino desapareceu.
A denúncia sobre os enjambres no submarino foi feita pelo suboficial José Oscar Gómez, que acabou destituído após fazê-la. O caso acabou arquivado pelo juiz federal Norberto Oyarbide. Fontes próximas à manutenção e a ex-ministra da Defesa Nilda Garré, que acompanhou parte da reparação, negam que as baterias tenham sido reformadas. 
"É um submarino com tecnologia dos anos 1980, mas reparado como novo. A reforma não só passou por todos os exames em 2013 como depois o submarino navegou três anos seguidos", afirmou Nilda à rádio Splendid.
O ex-tripulante Hugo Rojas garantiu que todas as 960 baterias e os quatro motores do submarino foram trocados na manutenção de meia-vida. Um dos homens que trabalhou na manutenção informou que "todas as partes dos reparos vieram da Alemanha". "A troca foi de 100%. Foram colocados equipamentos novos. Todos os trabalhos foram controlados e verificados pelos engenheiros", disse.
A área das buscas pelo submarino foi reduzida e cobre, atualmente, um raio de 76 quilômetros, com profundidades que variam entre 200 e 600 metros. Participam seis embarcações de diversas nacionalidades, com mapeamento 3D do solo marítimo.
Ontem à tarde, o navio norueguês Sophie Siem, que carrega um minissubmarino norte-americano de resgate, com alcance de até 610 metros, chegou à zona de operações. Também está sendo preparado o envio de um veículo submergível de inspeção remota e alcance de 1.000 metros.
 
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