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Porto Alegre, segunda-feira, 20 de novembro de 2017.

Jornal do Comércio

Internacional

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EleiçÕes

Notícia da edição impressa de 21/11/2017. Alterada em 20/11 às 19h43min

Surpresas e segundo turno no Chile

Terceira colocada, Beatriz Sánchez surpreendeu com 20,3% da votação

Terceira colocada, Beatriz Sánchez surpreendeu com 20,3% da votação


/PABLO VERA/AFP/JC
Haverá segundo turno no Chile entre o ex-presidente de centro-direita Sebastián Piñera, de 67 anos, e o senador de centro-esquerda Alejandro Guillier, de 64 anos. Com 99,89% dos votos apurados oficialmente, Piñera tinha 36,6%, seguido de Guillier, com 22,7%.
A primeira surpresa da eleição foi a votação mais baixa do ex-presidente, para quem as pesquisas projetavam 45% dos votos e até mesmo a chance de que vencesse no primeiro turno. A segunda foi a boa votação da terceira colocada, a candidata da recém-formada coalizão esquerdista Frente Ampla, Beatriz Sánchez, de 46 anos. As pesquisas lhe davam 12% dos votos, mas ela acabou tendo 20,3%, quase tirando Guillier do páreo. A participação ficou dentro do esperado, de apenas 43%.
"O Chile sempre soube conviver com a diversidade, não podemos deixar de ouvir os que pensam diferente e os que votaram em candidatos que ficaram de fora, é preciso escutar a todos e chegar a consensos", afirmou a presidente Michelle Bachelet na noite de domingo.
O resultado deixou o segundo turno, em 17 de dezembro, em aberto. Guillier já demonstrou interesse em aliar-se à Frente Ampla, com quem tem afinidade política. Essa força, porém, apesar de ser oposição a Piñera, surgiu dos movimentos estudantis de 2011 e tem como bandeira opor-se à política tradicional. Guillier, uma cara nova no cenário, pertenceu a partidos que integraram a aliança governista Nova Maioria. É por isso que o jornalista e senador por Antofagasta também terá de contar com boa parte dos votos dos eleitores de Carolina Goic, que obteve 5,8% (seu partido, a Democracia Cristã, também integrou a Nova Maioria), e os de outro centro-esquerdista, Marco Enriquez-Ominami (5,7%).
Já Piñera terá de contar com boa parte dos eleitores do ultradireitista José Antonio Kast (7,9%), ainda que, para isso, tenha de endurecer seu discurso à direita, sob o risco de perder o voto de eleitores mais moderados. Em seu discurso, declarou que se considera o ganhador do primeiro turno. "Ganhamos em todas as regiões e ganhamos um voto que me importa muito, que é o da classe média e o dos mais humildes."
 
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