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Porto Alegre, segunda-feira, 27 de novembro de 2017.

Jornal do Comércio

Geral

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Habitação

Notícia da edição impressa de 28/11/2017. Alterada em 27/11 às 22h13min

Lanceiros querem se mudar para prédio no Centro, com pagamento de aluguel social

Isa Regina e Nascimento fazem parte das famílias que aguardam moradia

Isa Regina e Nascimento fazem parte das famílias que aguardam moradia


/MARCELO G. RIBEIRO/JC
Isabella Sander
Abrigadas provisoriamente no Centro Vida, na ocupação Mirabal e em casas de amigos e parentes, as famílias integrantes da ocupação Lanceiros Negros pretendem se mudar, nos próximos dias, para um prédio no Centro de Porto Alegre. Desta vez, porém, não se trata de uma ocupação - como o Departamento Municipal de Habitação (Demhab) ofereceu pagamento de aluguel social às 24 famílias que se cadastraram, o grupo busca que esse pagamento seja de um aluguel coletivo, em um imóvel na rua Duque de Caxias. Individualmente, o aluguel social concede R$ 500,00 mensais a cada família, por seis meses. Procurado, o Demhab não informou como está o andamento das tratativas.
As 18 famílias que foram deslocadas para o Centro Vida, na zona Norte da Capital, vivem em situação precária. O grupo mora ali desde a ação de despejo no antigo Hotel Açores, na Rua dos Andradas, em agosto, e pretende se mudar para algum lugar em conjunto. Antes de ir para o prédio da Andradas, as famílias ocuparam durante um ano e meio um edifício de propriedade do governo do Estado, na esquina das ruas Andrade Neves e General Câmara.
Ao chegar ao local, a reportagem do Jornal do Comércio avistou um espaço alagado, com cheiro de mofo, e uma senhora tentando secar a água. Era Isa Regina Barbosa, de 53 anos, integrante da Lanceiros Negros há um ano. A diarista vive ali com seu marido e o sobrinho adolescente. Apesar de habitarem um espaço fechado, foi necessário colocar uma lona em cima dos móveis, para que não molhassem com as goteiras. "A Defesa Civil veio aqui pôr uma lona em cima do telhado e disse que o prédio está condenado. Na semana passada, a Brigada Militar (proprietária do imóvel) também veio aqui verificar a situação para fazer uma reforma, mas, para isso, teremos que sair", explica.
Quando as famílias foram para o Centro Vida, a previsão era que ficassem lá entre 15 e 30 dias e, depois, tivessem um espaço destinado a elas. Os 30 dias se transformaram em 60, prorrogados por mais 15 e, agora, por mais dez, a terminarem no fim de semana que vem. "É difícil sair daqui, porque, para alugar um lugar, precisaríamos de fiador, e a maioria aqui não tem. Muitos não têm nem mesmo emprego", relata Isa Regina. O preconceito também influencia na hora de alugar, por se tratar de pessoas que vieram de ocupações. Para a moradora, o certo mesmo seria a prefeitura oferecer uma casa definitiva para as famílias, mas como isso ainda não ocorreu e há muita gente na frente aguardando habitação pelo Minha Casa Minha Vida, o grupo está focando na obtenção do aluguel social.
Na opinião do oficial de manutenção predial Carlos André do Nascimento, de 42 anos, se o município se preocupasse em executar as obras, não haveria tantas pessoas esperando por moradia. "Quantas obras estão paradas? É algo simples. Tem imóveis que só precisariam passar por alguns reparos que até nós mesmos, em mutirão, já nos oferecemos para fazer. Mas o processo se arrasta", lamenta.
 
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