Porto Alegre, quinta-feira, 23 de novembro de 2017.

Jornal do Comércio

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enoturismo

Notícia da edição impressa de 24/11/2017. Alterada em 23/11 às 17h08min

Criatividade para conquistar os enófilos

Pousada da Vinícola Don Giovanni oferece jantares, degustações e visitas guiadas pelos vinhedos

Pousada da Vinícola Don Giovanni oferece jantares, degustações e visitas guiadas pelos vinhedos


/EDUARDO BENINI/DIVULGAÇÃO/JC
Muitas outras vinícolas dentro e fora do Vale dos Vinhedos oferecem opções para os diversos perfis de turistas. A Peterlongo, em Garibaldi, revitalizou parte das antigas instalações para transformar o complexo em um museu do espumante, que conta a história da chegada da bebida ao Brasil pelas mãos dos antepassados da família. Para quem tem perfil mais descolado e menos tradicional, a empresa lançou dois produtos que são sucesso absoluto. Um deles é a visitação noturna às dependências da vinícola, cujo ingresso custa apenas um quilo de alimento não perecível - que é revertido para iniciativas assistenciais do município de Garibaldi. A outra é o Wine Movie, evento mensal que exibe clássicos do cinema entre os vinhedos, assim que a noite cai. Tudo acompanhado pelos espumantes da marca.
Outras empresas da Serra apostam na proposta de vinícola-pousada, que oferece ao hóspede uma imersão completa no universo do vinho. Uma das pioneiras foi a Casa Valduga, que, além de hospedagem, também oferece cursos de degustação e a possibilidade da realização de eventos em seu complexo. Outra vinícola que seguiu o modelo foi a Don Giovanni, de Pinto Bandeira. Adaptada em um casarão que pertenceu à família Dreher no começo do século, a pousada Don Giovanni conta com jantares harmonizados, degustações e visitas guiadas pelos vinhedos, além de obras de artistas locais instaladas em seu complexo, como telas e esculturas. Sorte mesmo, porém, é do turista que se hospedar por lá e tiver a felicidade de encontrar o casal de fundadores da vinícola, Beatriz e Ayrton Giovaninni, que não dispensam um bom papo e são uma enciclopédia sobre a história do vinho na região.
Fora da serra gaúcha, outras iniciativas também ganham destaque. Uma delas é o conceito de almoço harmonizado, seguido pela vinícola Guatambu, em Dom Pedrito. Em datas pré-determinadas e somente mediante agendamento, os proprietários recebem grupos vindos de todas as partes do Estado para degustar as iguarias locais, como a carne de gado da raça Hereford, produzido na fazenda. Tudo acompanhado pelos premiados rótulos da marca. Outra região que se destaca no enoturismo é a serra catarinense, que já conta com um importante polo vitivinícola em cidades como São Joaquim. Um dos destaques é a Vinícola Thera, em Bom Retiro, que inaugurou recentemente um wine bar para servir seus vinhos e espumantes, acompanhados por pratos e petiscos. O bar, integrado à vinícola, pretende atrair a atenção dos turistas que circulam pela serra e desejam conhecer as particularidades do terroir catarinense.
Até mesmo no interior dos estados de São Paulo e Minas Gerais, novíssimos polos vitivinícolas do País, o enoturismo já é uma realidade. Exemplo é a recém-inaugurada Vinícola Guaspari, que fica na cidade de Espírito Santo do Pinhal, a duas horas da capital paulista. Mediante agendamento, grupos de 20 pessoas visitam as terras da vinícola a bordo de um caminhão adaptado, para conhecer o terroir e as condições de produção das uvas. Depois, todo mundo passeia pelo interior da empresa e, a melhor parte, segue para a degustação dos rótulos.

Em busca da verdadeira experiência enológica

Maria Amélia (4ª da dir. p/ esq.) leva gaúchos a diversos destinos
Maria Amélia (4ª da dir. p/ esq.) leva gaúchos a diversos destinos
/ARQUIVO PESSOAL/DIVULGAÇÃO/JC
"Só se entende um vinho por inteiro na sua origem." Foi por acreditar firmemente nisso que a enóloga Maria Amélia Duarte Flores se tornou uma das mais requisitadas guias de enoturismo do Rio Grande do Sul. Proprietária de uma loja de vinhos em Porto Alegre, ela organiza toda a sua agenda de compromissos para ter tempo livre para viajar várias vezes por ano, conduzindo os seus grupos aos mais emblemáticos terroirs do mundo. Agora, com o nascimento da pequena Martina, Maria Amélia planeja a próxima aventura pelo mundo do vinho na companhia de um bebê.
Ao estudar enologia, Maria Amélia percebeu que só poderia compartilhar com outras pessoas a experiência de provar grandes vinhos se mostrasse a elas o local em que as bebidas nascem. Natural de Garibaldi, ela compreende desde cedo a influência da soma de fatores geográficos e climáticos na construção da identidade de um vinho. "A magia está muito além da garrafa. A cultura, a gastronomia, as paisagens e as pessoas que encontramos em um roteiro enoturístico completam uma experiência incomparável", relata.
Antes de organizar seus grupos, Maria Amélia estuda com profundidade o destino e aciona todos os contatos que acumulou em anos de estudo e de pesquisa relacionados ao vinho. Jantares exclusivos, degustações de produtos raros e conversas com as grandes personalidades ligadas às vinícolas são as surpresas que ela prepara para os amigos que a acompanham. "Eu amo viajar, amo ainda mais viajar para conhecer vinhos. Compartilhar com as pessoas essa minha paixão tem sido maravilhoso", afirma.

Um peregrino do vinho

Zanin viaja pelos principais destinos enófilos no mundo
Zanin viaja pelos principais destinos enófilos no mundo
/LUIZ ANTÔNIO ZANIN/DIVULGAÇÃO/JC
Aficionado por tudo o que se relaciona com o universo do vinho, o advogado Luiz Antônio Zanin já fez mais de 10 viagens guiadas pelos principais destinos dos enófilos no mundo. Itália, França, Portugal, Espanha, Chile e Argentina são alguns dos destinos nos quais Zanin já encheu - e esvaziou - sua taça. Curioso e estudioso do tema, ele faz questão de viajar em grupo, para extrair o máximo da experiência.
É inesquecível, por exemplo, o momento em que Zanin pode compartilhar a mesa e uma longa conversa com um dos produtores de vinho mais respeitados do mundo, que assina um dos barolos mais emblemáticos da região italiana do Piemonte, Angelo Gaja. "Nestas viagens, aprendi que vinhos são vivos e que temos que respeitá-los, senti-los, aprender com eles. E isso só é possível, por completo, quando vamos encontrá-los em seus ambientes", completa Zanin.
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