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Porto Alegre, quarta-feira, 15 de novembro de 2017.

Jornal do Comércio

Economia

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Trabalho

15/11/2017 - 14h48min. Alterada em 15/11 às 22h22min

Desemprego é maior e cresce mais entre negros na RMPA

Vanessa Alves Fialho estava desempregada em 2017 e sonha em ter a carteira assinada em 2017

Vanessa Alves Fialho estava desempregada em 2017 e sonha em ter a carteira assinada em 2017


PATRÍCIA COMUNELLO /ESPECIAL/JC
Patrícia Comunello
Há um desemprego para negros e outro para não negros na Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA). O balanço dos dados do mercado de trabalho na região em 2016 mostra que a taxa de desocupação foi maior e cresceu mais rápido nesta população do que entre os não negros, conforme a Fundação de Economia e Estatística (FEE), que divulga, junto com Dieese e FGTAS, o relatório com o panorama do setor para marcar o 20 de novembro, Dia da Consciência Negra.
A Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED-RMPA) registra que 16,1% dos negros na População Economicamente Ativa (PEC) ficaram sem trabalho no ano passado, frente a 12,6% de 2015, alta de 28%. O avanço foi de 3,5 pontos percentuais.
Enquanto isso, a taxa para não negros ficou em 9,9% no ano passado, ante 8,1% do ano anterior - aumento de 22,2% na taxa, ou de 1,8 ponto percentual. A elevação do indicador entre os negros, que representam quase 12% da PEA, foi quadro o dobro em pontos percentuais do que os demais contingentes da mão de obra.
A economista e supervisora do Centro de Pesquisa de Emprego e Desemprego da FEE, Iracema Castelo Branco, atesta que a intensidade do crescimento do desemprego foi maior entre os negros em comparação aos não negros. "O que revela que a crise econômica foi relativamente mais severa para esta parcela da população", associa Iracema. 
A pesquisa mostra ainda que nível ocupacional de mulheres negras recuou mais no trabalho assalariado com carteira assinada no setor privado e no serviço público, enquanto oshomens negros apresentam reduziram ocupação com carteira no ramo privado e também no serviço público.
Já no tempo dedicado ao trabalho, o número médio de horas semanais trabalhadas manteve-se estável para os negros (41 horas) e aumentou em 1 hora para os não negros (de 41 para 42 horas) entre 2015 e 2016. Outro dado que isto entre as duas dimensões é que a proporção de negros ocupados que contribuía para a Previdência Social recuo de 82,6% em 2015 para 77,5%, enão negros registaram queda bem menor, de84,6% para 83,8%.
"Esse dado indica uma inserção mais precária da população negra no mercado de trabalho”, alerta Virginia Donoso, do Dieese.
No rendimento médio real, tanto negros como não negros tiveram perdas, e o primeiro grupo continua ganhar menos. Em valores monetários, o rendimento médio real caiu de R$ 1.652,00 para R$ 1.485,00 para os negros, e de R$ 2.203,00 para R$ 2.025,00 para os não negros.Os homens negros tiveram queda de 14,1% nos ganhos, já as mulheres negras (-3,4%). “Esse fenômeno tem relação com o fato de as mulheres negras já ganharem perto do rendimento mínimo”, pondera Iracema. Neste quesito, a população não negra teve redução mais acentuada para as mulheres (-8,2%) do que para os homens (-7,7%).
Na divulgação feita na manhã dessa terça-feira, entidades que integram a PED e sindicato ligados ao segmento dos servidores manifestaram preocupação com o futuro dos estudos e formação dos indicadores com a extinção da FEE, prevista em lei estadual, atendendo à aprovação pela Assembleia Legislativa.

Mais conclusões do boletim confrontando dados de 2015 e 2016:

Desemprego:
  • Mulheres: negras de 12,8%, a 16,6%. Não negras: 8,5% a 10,4%.
  • Homens: negros de 12,4% para 15,5%. Não negros: 7,8% para 9,6%.
Ocupação:
  • Negros: cai de 47,6% a 44,3%.
  • Não negros: recua de 50,3% a 47,9%.
Como foi a ocupação por setores:
  • Indústria de transformação: menos 8 mil ocupados, ou -29,6%
  • Construção: menos 4 mil ocupados, ou -18,2
  • Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas: menos 5 mil ocupados, ou -12,8%.
  • Serviços: menos 23 mil ocupados, ou -16,7%. 
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