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Porto Alegre, quinta-feira, 09 de novembro de 2017.

Jornal do Comércio

Economia

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Indústria

Notícia da edição impressa de 10/11/2017. Alterada em 09/11 às 22h31min

Justiça decreta falência da empresa Guerra

Dívidas trabalhistas podem chegar a R$ 80 milhões entre funcionários e ex-funcionários, calcula sindicato

Dívidas trabalhistas podem chegar a R$ 80 milhões entre funcionários e ex-funcionários, calcula sindicato


/MARCOS MARASCA/DIVULGAÇÃO/JC
Roberto Hunoff, de Caxias do Sul
O administrador judicial Cristiano Arnt Franke deu início na manhã desta quinta-feira aos trâmites legais para cumprimento dos termos da sentença da juíza Maria Olivier, da 4ª Câmara Cível de Caxias do Sul, de decretação da falência da Guerra S.A. Implementos Rodoviários, formalizada na quarta-feira, dia 8. Na avaliação do administrador, a decisão foi a mais acertada diante da difícil situação da companhia, que parou a produção em 16 de maio e liberou seus funcionários sem pagamento dos direitos, sequer com a integralidade dos salários de abril.
Os rumos da fabricante de implementos rodoviários, que por muito tempo foi a segunda maior do segmento no País, tornaram-se complexos a partir da rejeição, pela assembleia de credores em 5 de julho deste ano, da proposta de recuperação financeira da empresa. Desde a metade do ano de 2015, a Guerra encontrava-se em recuperação judicial, mas nunca houve acordo entre os sócios majoritários e minoritários para o encaminhamento de solução. Com a rejeição da proposta, a decisão coube ao Poder Judiciário.
O administrador estima que a dívida atual da companhia, incluindo os débitos tributários, some perto de R$ 300 milhões. Na assembleia estavam sujeitos débitos de credores na ordem de R$ 120 milhões a R$ 130 milhões. Outros R$ 70 milhões a R$ 80 milhões não estavam incluídos.
Os passivos trabalhistas não somavam R$ 1 milhão. Agora, com o período de seis meses sem pagamento de salários e folha mensal de R$ 2 milhões, a dívida deve incorporar, sem correções, algo como R$ 14 milhões. De acordo com o administrador, em torno de 200 funcionários ainda têm vínculo com a empresa, que já chegou a empregar 2 mil pessoas. O advogado informou que centenas de processos têm chegado à Justiça do Trabalho, com condenações à revelia pela falta de representante legal da empresa nas audiências.
A juíza determinou prazo de 15 dias para que todos os credores habilitem seus créditos para pagamentos futuros a partir da apuração de recursos em leilões de bens da empresa. O administrador destacou que houve o fechamento das unidades e início de levantamento dos bens patrimoniais. A Guerra é proprietária de três áreas, duas em Caxias do Sul e uma em Farroupilha, com edificações e equipamentos.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Claudecir Monsani, garantiu que não era desejo dos trabalhadores e da sociedade que este fosse o desfecho da Guerra, uma empresa tradicional, com 46 anos de atividades, fundada por Ângelo Guerra, e comprado em 2008 pelo fundo de investimentos Axxon Group. Reconhece, no entanto, que a situação tornou-se insustentável. "Os sócios não estavam produzindo ações para resolver os problemas, que só se avolumavam. Não se preocuparam com a recuperação judicial, foram irresponsáveis", criticou. Ele estima que as dívidas trabalhistas devam oscilar entre R$ 70 milhões e R$ 80 milhões. Desde esta quinta-feira, a assessoria jurídica da entidade trabalha no levantamento da situação de todos os empregados e ex-empregados que deixaram a empresa sem receber suas indenizações.
Na sentença, a juíza fixou prazo de cinco dias para que os sócios apresentem a relação atualizada de credores. Determinou a lacração dos estabelecimentos comerciais e arrecadação dos bens da falida e encerramento de contas bancárias. De acordo com o administrador judicial, cabe recurso à decisão de decretação da falência.
 

Emplacamentos de implementos rodoviários caem

O volume de emplacamentos de implementos rodoviários realizados entre janeiro e outubro deste ano totalizou 47.685 unidades, contra 52.224 unidades em igual período de 2016, o que representa uma queda de 8,69% - a menor apurada no ano -, informou nesta quinta-feira a Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários (Anfir). No segmento de reboques e semirreboques (pesado), foram entregues 19.974 unidades de janeiro a outubro, contra 20.090 produtos em igual período de 2016, retração de 0,58%. O setor praticamente zerou suas perdas. Isso representa um momento importante no processo de recuperação da indústria", afirmou em nota o presidente da Anfir, Alcides Braga.
No ano, ainda segundo Braga, a queda "é puxada pelo resultado do segmento Leve, porque o comércio urbano ainda não reagiu". O setor de Carroceria sobre Chassi registrou retração de 13,76%, distribuindo ao mercado interno 27.711 produtos, ante 32.134 unidades de janeiro a outubro de 2016.
Assim como no mercado interno, a exportação de emplacamentos também caiu. De janeiro a setembro de 2017 (últimos dados disponíveis), foram vendidas 2.914 unidades para o exterior, 8,03% a menos que os 2.680 vendidos nos nove primeiros meses de 2016.

Metalúrgicos de Gravataí decretam estado de greve

Em negociação salarial desde setembro com o sindicato patronal do setor metalmecânico, o Sindicato dos Metalúrgicos de Gravataí (Sinmgra) realizou, nesta quinta-feira, assembleias nas portas de fábricas para apreciar a proposta de 1,73% de correção salarial apresentada. O índice rejeitado por unanimidade, decretando estado de greve para pressionar as empresas por um índice maior.
"Iniciamos as negociações em setembro com avanços na manutenção das cláusulas sociais, mas agora não conseguimos chegar um consenso na proposta financeira. Buscamos aumento real de salário, pois esse índice de 1,73% corrige apenas o INPC do período", relata o diretor do Sinmgra, Edson Dorneles. Segundo o Sinmgra, o estado de greve se inicia nesta sexta-feira.
Na manhã desta sexta-feira, o Sinmgra vai paralisar as atividades no Complexo Automotivo da GM para protestar contra a reforma trabalhista, de acordo com ato nacional convocado pelas centrais sindicais. Segundo o diretor do sindicato, Valcir Ascari, a reforma é escravagista e enfraquece a união dos trabalhadores, com o objetivo de retirar direitos conquistados em décadas.
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