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Porto Alegre, segunda-feira, 16 de outubro de 2017. Atualizado às 21h56.

Jornal do Comércio

Política

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Crise no planalto

Notícia da edição impressa de 17/10/2017. Alterada em 16/10 às 22h57min

Temer vê conspiração para tirá-lo do cargo

 Uma nova crise se abre entre as relações de Michel Temer e Rodrigo Maia,

Uma nova crise se abre entre as relações de Michel Temer e Rodrigo Maia,


MARCOS CORRÊA/PR/JC
Preocupado com os desdobramentos da nova crise entre o Planalto e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), depois da nota distribuída pelo seu advogado, Eduardo Pizarro Carnelós, classificando de "vazamento criminoso" o vídeo com a delação de Lúcio Funaro, o presidente Michel Temer (PMDB) resolveu escrever uma carta de quatro páginas dirigida aos parlamentares não só para se defender das acusações feitas pelo operador do PMDB, mas para dar "explicações", "satisfações" e "desabafar" diante da denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra ele.
"É um desabafo. É uma explicação para aqueles que me conhecem e sabem de mim. É uma satisfação àqueles que democraticamente convivem comigo", disse Temer, que não se refere à trapalhada nota de seu advogado, ou aos posteriores "esclarecimentos" dele de que chamou de vazamento criminoso, porque não sabia que estava publicado no site da Câmara.
O episódio gerou um novo desgaste na relação entre o presidente da Câmara e Temer, às vésperas da votação da segunda denúncia contra este, no Congresso. Rodrigo Maia é o responsável por ditar o ritmo da votação e, nos bastidores, já promete retaliação ao presidente.
Na carta, Temer prega ainda "a pacificação" e cita sua disposição de conversar e dialogar, alegando que não acredita na tese do "nós contra eles", mas "na união dos brasileiros", com "serenidade, moderação, equilíbrio e solidariedade", certo de que, com esta carta, "a verdade dos fatos será reposta".
Temer começa a carta, enviada a deputados e senadores, falando de sua "indignação" e diz que, por isso, decidiu se dirigir aos parlamentares, apesar de muitos o aconselharem a não se pronunciar. "É inadmissível. Não posso silenciar. Não devo silenciar. Tenho sido vítima desde maio de torpezas e vilezas que pouco a pouco, e agora até mais rapidamente, têm vindo à luz. Jamais poderia acreditar que houvesse uma conspiração para me derrubar da presidência da República. Mas os fatos me convenceram. E são incontestáveis", diz o presidente, que passa a listar os ataques sofridos desde a delação da JBS.
Ele faz contundentes críticas à atitude do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot, que teria acertado com Joesley Batista as acusações contra ele, que reiterou serem mentirosas e fazerem parte de "uma urdidura conspiratória". "Tudo combinado, tudo ajustado, tudo acertado, com o objetivo de livrar-se de qualquer penalidade e derrubar o presidente da República", desabafou.
Segundo Temer, a delação divulgada agora, deste "delinquente conhecido de várias delações premiadas não cumpridas para mentir, investindo contra o presidente, contra o Congresso Nacional, contra os parlamentares e partidos políticos". Depois de reiterar que é "vítima de uma campanha implacável com ataques torpes e mentirosos, que visam a enlamear meu nome e prejudicar a República", Temer se disse "indignado" de "ser vítima de gente tão inescrupulosa" e avisou que todos estes episódios "estão sendo esclarecidos".
Após agradecer o "apoio decisivo" dos deputados e senadores que "possibilitou a retomada do crescimento no País", o presidente apresenta dados da economia de hoje comparado ao período em que chegou Planalto.

Vídeos de Funaro e irmão de Geddel dão fôlego à oposição

A divulgação dos vídeos da delação premiada do doleiro Lúcio Funaro e a operação de busca e apreensão, ontem, no gabinete e na residência do deputado federal Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) - irmão do ex-ministro Geddel Vieira Lima - deram novo ânimo à oposição na Câmara dos Deputados para garantir o prosseguimento da segunda denúncia contra o presidente Michel Temer (PMDB).
Os oposicionistas dizem que os novos episódios podem ajudar a reverter votos na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e a estratégia, a partir de agora, é explorar os acontecimentos com profundidade, incluindo a exibição dos vídeos de Funaro na sessão de debates, prevista para começar hoje.
O deputado Júlio Delgado (PSB-MG), um dos principais articuladores da oposição na CCJ, disse contabilizar agora 36 votos pela rejeição da denúncia contra 28 votos pelo prosseguimento do processo (contando com a expulsão dos deputados do PSB que hoje integram a CCJ). Até semana passada, os governistas diziam ter entre 38 a 44 votos a favor de Temer. "Esse placar vai se alterar muito mais", prevê Delgado.
O deputado Alessandro Molon (Rede-RJ) vê agora chances de se aprovar o andamento da segunda denúncia contra Temer. "A notícia da participação dele (Temer) em vários crimes praticados por outros parlamentares do PMDB da Câmara aumentam a pressão para a aceitação da segunda denúncia. Isso num contexto em que a base do governo está mais fragmentada, o governo mais impopular e as eleições do ano que vem mais próximas", afirmou.
Delgado também acredita que as novas revelações sensibilizarão ainda mais os parlamentares. "A carta é a demonstração clara de fragilidade. Ele não o fez da primeira vez", comparou o deputado de Minas.
Delgado disse que o grupo deve apresentar um voto em paralelo pela admissibilidade da denúncia. Até agora, só o deputado Major Olímpio (SD-SP) protocolou parecer em separado favorável ao andamento do pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Dilma usa fala de Funaro para questionar impeachment

A defesa da ex-presidente da República Dilma Rousseff (PT) disse ontem que vai usar trechos de depoimentos da delação premiada do empresário e doleiro Lúcio Funaro à Procuradoria-Geral da República (PGR) para pedir a anulação do impeachment da petista, afastada definitivamente do cargo em abril de 2016.
Em nota, o ex-ministro da Justiça e advogado de Dilma, José Eduardo Cardozo (PT) diz que as declarações de Funaro confirmam que, conforme a defesa da ex-presidente vem sustentando desde o início do processo, o afastamento é nulo, pois foi encabeçado pelo então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e por parlamentares que queriam evitar "a sangria da classe política brasileira".
Em seu depoimento à PGR, Funaro afirma que Cunha pediu R$ 1 milhão para dividir com parlamentares que votassem a favor do impeachment. O depoimento foi prestado no fim de agosto, mas veio a público na sexta-feira.
"Na delação premiada do senhor Lúcio Funaro, ficou demonstrado que o ex-deputado Eduardo Cunha comprou votos de parlamentares em favor do impeachment", sustenta Cardozo, revelando que a defesa planeja pedir, hoje, que cópia do depoimento de Funaro seja reunida aos autos do mandado de segurança que Dilma ajuizou no STF para tentar anular a cassação de seu mandato.
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