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Porto Alegre, domingo, 15 de outubro de 2017. Atualizado às 19h06.

Jornal do Comércio

Internacional

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venezuela

Alterada em 15/10 às 20h07min

Filas e barricadas governistas marcam eleição na Venezuela

Eleitores formaram grandes filas, principalmente onde a oposição tem tradicionalmente mais votos

Eleitores formaram grandes filas, principalmente onde a oposição tem tradicionalmente mais votos


JUAN BARRETO/AFP/JC
Folhapress
A votação deste domingo (15) para escolher governadores na Venezuela foi marcada por um contraste em relação às eleições do último dia 31 de julho, que elegeram a ANC (Assembleia Nacional Constituinte).
Na anterior, em que o governo tinha a intenção de mostrar grande apoio popular à instalação da ANC, houve alta abstenção. Viam-se centros praticamente vazios, houve uma campanha da oposição para que a população não votasse -que incluiu barricadas para impedir o trânsito- e um forte estímulo do governo, com o próprio ditador Nicolás Maduro dizendo que as urnas estariam abertas até a chegada do último eleitor-e ficaram, de fato, até as 21h, três horas a mais do que o previsto.
Desta vez, em que a maior parte da oposição decidiu que era necessário participar da eleição para escolher a maior quantidade possível de governadores, mesmo com as dificuldades impostas pelo regime, o jogo parecia invertido. Não havia barricadas de antimaduristas, mas sim muitas vias da cidade cortadas pelas próprias autoridades, "por questão de segurança".
A reportagem viu grandes filas de eleitores, principalmente nos locais onde a oposição tem tradicionalmente mais votos: Chacao, Baruta, Chuao, El Hatillo.
As demoras foram causadas, principalmente, pelas mudanças de mais de 250 centros eleitorais anunciadas pelo governo 72 horas antes do início da votação, afetando mais de 700 mil eleitores. Além disso, alguns centros pequenos tiveram de acumular eleitores de três ou até quatro centros maiores, causando longas filas.
Houve também denúncias de atrasos na chegada dos responsáveis do CNE (Conselho Nacional Eleitoral) a alguns centros de votação, como no bairro humilde de Petare, o que provocou demora na abertura das mesas. "Chegamos às 6h, porque eu precisava ir trabalhar, mas só abriram o colégio às 7h20", disse Simón Mendes.
Em um colégio de Chuao, por volta das 14h30min, eleitores contaram estar esperando havia mais de quatro horas. "E com um temporal no meio", afirmou Carolina Henao, 24, debaixo de um guarda-chuva. "Mas agora que esperei isso tudo, vou até o fim."
Segundo o jornal "El Nacional", em centros de votação no interior do país, como em Mérida e em Táchira, foi registrada a presença de "coletivos" (milícia civil), rondando as filas em gesto intimidatório.
Durante a tarde, os "coletivos" também apareceram em Caracas, no bairro de Chacao. Na fila de votação do colégio El Libertador, um deles teria agredido a um funcionário da prefeitura, Rodolfo Apolinares, segundo relato deste a jornalistas: "Levei socos no nariz e na boca".
No começo da tarde, alguns oposicionistas mostravam-se animados com o andamento da votação. O deputado Henry Ramos Allup disse que "as dificuldades não estão vencendo a paciência dos eleitores".
Por volta das 14h, o ex-candidato presidencial e governador do Estado de Miranda, Henrique Capriles, afirmou que, segundo os cálculos da oposição, esta estaria tendo uma performance apenas 4 pontos percentuais abaixo das legislativas de 2015, nas quais se sagrou vencedora. "Os obstáculos não estão sendo um problema", comemorou.
Luis Emilio Rondón, único dos cinco responsáveis do CNE que não é alinhado ao governo, confirmou que vinham sendo registradas queixas de atraso na instalação das mesas em alguns pontos do país. No começo da tarde, porém, a responsável pelo órgão, Tibisay Lucena, afirmou que 99,92% dos centros já funcionavam normalmente.
O ministro da Defesa, Vladimir Padrino, disse que houve apenas 26 incidentes menores e detenções temporárias, mas nenhum caso mais grave de violência. Nisso, a votação de agora também se diferencia daquela que elegeu os membros da Constituinte. Na ocasião, enfrentamentos de civis com as forças de segurança do Estado terminaram em 14 mortes.
Até o fechamento deste texto, não havia números de pesquisa de boca de urna nem resultados oficiais.
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