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Porto Alegre, segunda-feira, 23 de outubro de 2017.

Jornal do Comércio

Geral

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Greve

20/10/2017 - 08h39min. Alterada em 23/10 às 12h09min

Municipários e Guarda Municipal se confrontam no Centro de Porto Alegre

Manifestantes protestavam em frente ao prédio da antiga Prefeitura quando iniciou o confronto

Manifestantes protestavam em frente ao prédio da antiga Prefeitura quando iniciou o confronto


Stéphany Franco/Especial/JC
Patrícia Comunello e Stéphany Franco
Um protesto dos servidores municipais de Porto Alegre acabou em confronto no Centro da Capital na manhã desta sexta-feira (20). A Guarda Municipal (GM) reagiu ao bloqueio que municipários em greve faziam a acessos ao prédio da Secretaria Municipal da Fazenda. O tumulto resultou em oito pessoas feridas, sendo quatro grevistas, segundo o Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa), e outros quatro guardas, segundo a força municipal.
De acordo com os municipários que participavam do ato, a Guarda Municipal, que fazia a segurança do prédio da antiga sede da Prefeitura, teria iniciado o confronto. Os servidores protestavam em frente aos acessos do prédio e estariam impedindo a entrada no local.O confronto ocorreu no acesso da avenida Borges de Medeiros.    
> Confira o vídeo com as imagens do confronto e tentativa de entrega de flores a guardas:
O comando da Guarda Municipal alega que tentou negociar com os manifestantes para liberar um dos acessos, dos três existentes e que estavam bloqueados. Sem acordo, o comando disse que teve de usar a força. O embate ocorreu por volta das 8h, instalando durante a manhã um clima tenso e que chegou a ter outros conflitos. No fim da manhã, o local do bloqueio foi liberado pelos grevistas.
A concentração dos municipários em frente ao prédio da Fazenda começou por volta das 7h. De acordo com o diretor financeiro do Simpa, Adelto Rohr, a ação buscava chamar a atenção da Administração Municipal. "Como já tínhamos um ato marcado para as 10h no Paço Municipal, decidimos nos reunir mais cedo com a categoria em frente à antiga sede da prefeitura", conta Rohr. A professora Fabíola Borowsky diz que a ação da Guarda Municipal "foi um ato de covardia".
"Um pelotão da Guarda chegou no local marchando um atrás do outro, com escudos e cassetetes, como se fôssemos terroristas. Um deles machucou meu braço", relembra Fabíola. O presidente da Associação de servidores do Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre (HPS), Everaldo Nunes, diz que feridos foram levados ao HPS. "A Guarda chegou batendo sem olhar quem era, não importava se era homem ou mulher. Mulheres chegaram a ser agredidas e colegas precisaram de atendimento médico", afirma Nunes. 
No local do confronto, marcas de sangue estavam no chão, indicando o efeito do confronto. Os municipários reclamam que foram agredidos com cassetetes dos guardas. O comandante da GM, Glauber Silvestre Zilio, explicou que tentou convencer os sindicalistas a liberar uma passagem. "Fomos acionados por chefias que diziam que os funcionários queriam entrar e não conseguiam", diz o comandante. 
O clima de tensão já tinha se instalado nessa quinta-feira (19), com o bloqueio na área de transbordo do lixo da Capital, na Lomba do Pinheiro, afetando a coleta em diversos bairros. "Negociamos, e o Simpa liberou, evitando o uso da força", admite Zilio. Na manhã desta sexta, o comandante alega que não foi possível acordo. "Fizemos uso progressivo da força. E começaram a arremessar pedras e dar chutes contra os guardas", garante o comandante, sobre a reação de grevistas.
Cerca de 25 homens da GM agiram, usando bastões e depois spray de pimenta para afastar os manifestantes. "Eram 30 municipários, depois chegou a 150, e 25 guardas. Agimos para garantia da lei e da ordem", sustenta Zilio. O comandante diz que quatro guardas tiveram escoriações, causadas por pedras e objetos arremessados. "Vamos continuar a agir quando tiver bloqueios", projeta o comandante. 
Nesta manhã ocorre uma reunião, às 10h30min, na Câmara de Vereadores, entre representantes do Sindicato, vereadores e o vice-prefeito de Porto Alegre, Gustavo Paim (PP). Na segunda, haverá uma reunião da categoria, à tarde, com o prefeito Nelson Marchezan Jr, no Paço Municpal, a fim de discutir as reivindicações dos servidores municipais para dar um fim à greve.
A condição do Simpa para encerrar a paralisação é a retirada de três Projetos de Lei (PLs) do Executivo - o 2062/17, que substitui avanços de 5% a cada triênio por avanços quinquenais de 3% e extingue a concessão de avanços-prêmio para funcionário que completar 30 ou 35 anos, o 2063/17 que altera a data-base de pagamento dos salários e aposentadorias, atualmente feito no último dia útil do mês, e o 2066/17 que altera a concessão e revogação de regimes especiais de trabalho - atualmente, a lei fixa que, após dois anos de exercício, o regime especial só pode ser extinto por "manifestação em contrário do funcionário".
A categoria está em greve desde o dia 5 de outubro. A paralisação ocorre devido ao parcelamento de salários pela gestão municipal e pelas mudanças que o prefeito Nelson Marchezan Júnior (PSDB) propôs na carreira do funcionalismo.
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Comentários
Luciano Daniel Braga Ventura 20/10/2017 17h47min
Também cabe lembrar que os servidores vêm de três anos consecutivos de reposição da inflação de forma parcelada que, por si só, já traz prejuízos. Ademais, nossa data base é em abril e, até o momento, o prefeito não apresentou sequer um esboço de proposta para repor as perdas e a inflação do período.
Luciano Daniel Braga Ventura 20/10/2017 17h43min
Sou servidor. Estou trabalhando, não estou paralisado. Apesar disto, pude ver o ocorrido e afirmo: Não houve nenhuma agressão por parte dos servidores manifestantes! A guarda Municipal chegou muito tempo depois da organização dos servidores e, ao menos um deles, como é possível visualizar no vídeo, avança sobre os manifestantes com ameaças e movimentos agressivos. depois, os demais guardas também avançam. A agressão, claramente, se deu somente por parte da Guarda Municipal.
Sergio 20/10/2017 17h20min
Fico abismado com a "infantilidade" do sindicato dos municipários. O prefeito está sucateando todos os departamentos que interessam e que darão retorno certo, tipo DMAE, deposito e distribuição de remédios para as farmácias, DMLU, etc.. E os "sindicatos" caem como um "patos." Em vez de melhorar os serviços, fecham farmácias, boicotam depósitos de lixo, complicam aprovações de projetos da construção civil em vez de aplicar as leis vigentes e gerarem empregos. Só um alerta, troquem os sindicatos.