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Porto Alegre, segunda-feira, 02 de outubro de 2017. Atualizado às 13h53.

Jornal do Comércio

Economia

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conjuntura

Alterada em 02/10 às 13h55min

Para próxima reunião, Copom vê como adequada redução moderada de cortes, diz BC

O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, reforçou nesta segunda-feira, durante evento da Universidade de São Paulo, na capital paulista, a ideia de que a instituição tende a adotar um corte menor para a Selic (a taxa básica de juros) neste mês de outubro na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).
"Para a próxima reunião, caso o cenário básico evolua conforme esperado, e em razão do estágio do ciclo de flexibilização, o Comitê vê, neste momento, como adequada uma redução moderada na magnitude de flexibilização monetária", afirmou Ilan. "Além disso, nas mesmas condições, o Comitê antevê encerramento gradual do ciclo".
O presidente do BC também voltou a pontuar que o processo de cortes da Selic "continuará dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos, de possíveis reavaliações da estimativa da extensão do ciclo e das projeções e expectativas de inflação".
Em outro ponto do discurso, Ilan repetiu que a conjuntura econômica prescreve política monetária estimulativa, "ou seja, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural". A taxa estrutural é aquela em que há crescimento sem gerar inflação.
Ilan pontuou ainda que a Selic recuou 600 pontos-base desde outubro de 2016 e há expectativa de quedas adicionais. "A convergência da inflação para a meta de 4,5% no horizonte relevante para a condução da política monetária, que inclui o ano-calendário de 2018, é compatível com o processo de flexibilização monetária."
Para Ilan, o comportamento da inflação permanece "bastante favorável", com diversas medidas de inflação subjacente em níveis baixos, inclusive os componentes do setor de serviços. "As projeções do Copom indicam uma inflação sob controle", disse.
O presidente do Banco Central afirmou que é preciso continuar os esforços para reduzir a taxa de juros estrutural, "a fim de garantir que a tendência de queda das taxas de juros reais seja sustentável". "Assim, cabe ressaltar que o processo de reformas, como as recentes aprovações de medidas na área creditícia e de ajustes necessários na economia brasileira, contribui para a queda da sua taxa de juros estrutural."
Ilan lembrou ainda que o patamar atual de taxa de juros real, próximo a 3,0%, é baixo do ponto de vista histórico brasileiro e tende a estimular a economia. "A taxa de juros real ex-ante encontra-se abaixo da taxa estrutural, o que significa que há duas hipóteses para frente. Uma que a taxa de juros estrutural decline ao longo do tempo. A outra é que o juro básico suba ou, ainda, uma combinação das duas", disse. Esta ideia já vinha fazendo parte das comunicações mais recentes do BC.
O presidente do BC recordou que a taxa real ex-ante - medida pela taxa de juros prefixada para 12 meses (do mercado de swap Pré-DI) menos a inflação esperada também em 12 meses - chegou a alcançar em torno de 9% ao ano em setembro de 2015. Depois, permaneceu relativamente estável ao longo de 2016, em torno de 7%, e desde dezembro de 2016 vem declinando, alcançando 3,1% ao ano atualmente.
"O atual processo de flexibilização monetária tem levado à queda das taxas de juros reais juros nominais menos inflação, que se encontra em valores próximos aos mínimos históricos", pontuou Ilan.
O presidente do Banco Central voltou a abordar, durante o evento da Universidade de São Paulo os riscos em torno do cenário de inflação. Segundo ele, "a combinação de possíveis efeitos secundários do contínuo choque favorável nos preços de alimentos e da inflação de bens industriais em níveis correntes baixos e da possível propagação, por mecanismos inerciais, do nível baixo de inflação corrente, inclusive dos componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária, pode produzir trajetória de inflação prospectiva abaixo do esperado".
Este comentário já constou em outras comunicações recentes da instituição, como o Relatório Trimestral de Inflação (RTI).
Ilan repetiu ainda que "uma frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes necessários na economia brasileira pode afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da inflação no horizonte relevante para a política monetária". Para ele, esse risco se intensifica caso ocorra reversão do "corrente cenário externo favorável para economias emergentes".
O presidente do Banco Central disse também que o cenário externo tem se mostrado favorável, sem pressão em economias avançadas. Além disso, ele voltou a pontuar que a retomada gradual da atividade ocorre em contexto de alto nível de ociosidade.
Isso, de acordo com Ilan Goldfajn, reflete-se "nos baixos índices de utilização da capacidade da indústria e, principalmente, na taxa de desemprego".
Ele afirmou também que os leilões de usinas da Cemig e a 14ª rodada de concessões do petróleo, realizados na quarta-feira, foram "muito bem-sucedidos".
"A arrecadação de R$ 12,1 bilhões, valor R$ 1,1 bilhão acima das estimativas, é a evidência de que a condução da política econômica no atual governo já mostra resultados expressivos na retomada da confiança", defendeu Ilan. "Esse resultado contribuirá para equilibrar das contas públicas e para impulsionar o investimento, ampliando as perspectivas de que investidores externos tragam novos recursos para o melhor aproveitamento da infraestrutura de transmissão de energia já instalada."
De acordo com o presidente do BC, os leilões ampliam as perspectivas de que investidores externos tragam novos recursos para o Brasil. "A retomada dos investimentos é o próximo passo esperado para gerarmos crescimento sustentável no médio e longo prazo", disse. "Os esforços do governo na área de infraestrutura e na privatização são alicerces importantes para esse crescimento sustentável."
Ilan Goldfajn retomou ainda uma ideia contida em comunicações mais antigas do BC: a de que a recessão dos anos de 2015 e 2016 foi "causada pelos excessos cometidos no passado". Segundo ele, "o cenário econômico de recuperação da economia que vivemos deve-se também à reorientação da política econômica e à determinação da política monetária na queda da inflação".
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