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Porto Alegre, quarta-feira, 04 de outubro de 2017. Atualizado às 21h31.

Jornal do Comércio

Cultura

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Dança

Notícia da edição impressa de 05/10/2017. Alterada em 04/10 às 16h26min

Porto Alegre recebe espetáculo de dança sobre história da umbanda

Grupo mineiro Corpo alia dança, música e cenografia em apresentação

Grupo mineiro Corpo alia dança, música e cenografia em apresentação


JOSE LUIZ PEDERNEIRAS/DIVULGAÇÃO/JC
Cristiano Vieira
Gira, novo espetáculo do mineiro grupo Corpo, é uma montagem que alia dança, música e cenografia com a história da umbanda, seus orixás e tudo o mais que envolve os rituais dos terreiros Brasil afora. A figura do Exu (tão temida em parte do imaginário popular desconhecido) é o centro do espetáculo dos irmãos Pederneiras que terá sessões neste sábado (21h) e domingo (19h), no Teatro do Sesi.
Rodrigo Pederneiras, um dos cérebros criativos do Corpo e seu principal coreógrafo, explica que Gira nasceu a partir da trilha criada pelo grupo paulista Metá-Metá a pedido do seu irmão, Paulo Pederneiras. "O Metá-Metá teve liberdade total para criar as músicas e decidiu focar na figura do Exu, ou dos Exus, porque são mais de 300 deles", relata Rodrigo.
Criado rigidamente na religião católica, o coreógrafo relembra que adentrar nos rituais da umbanda, suas histórias e personagens exigiu dele uma nova postura. Completamente ignorante a respeito, buscou auxílio na literatura e no conhecimento da esposa, ela frequentadora de terreiros.
"Era um mundo totalmente estranho. Eu precisava conhecer esses ritos tão ricos, entender como se portam os orixás, que têm um gestual muito importante e belo", avisa. E, neste universo, o Exu é um ser de festa, de movimento, considerada a entidade dos orixás mais próxima dos homens. Entretanto, tem uma carga negativa forte devido à sua comparação com o Diabo. "Isso está completamente errado. O Exu abre caminho, se manifesta de várias formas. Eu só deixei o preconceito de lado a partir do momento em que resolvi me informar a respeito", destaca.
Pederneiras afirma que os 40 minutos de Gira não são propriamente um terreiro montado no palco - embora quem já tenha visto o espetáculo fique encantado neste sentido. "O que quisemos fazer é uma montagem de dança contemporânea inspirada no Exu. Para isso, a cenografia e música são muito importantes", conta.
O Metá-Metá ("três ao mesmo tempo", em iorubá) é conhecido por sua aproximação da cultura afro-brasileira através dos cultos religiosos (candomblé) de influência iorubá, fon e bantu. Ao conceber seu terceiro disco, o MM3, lançado em março do ano passado, o trio formado por Juçara Marçal (voz), Thiago França (sax) e Kiko Dinucci (guitarra) pretendia dedicar o trabalho a Exu, mas terminou por não fazê-lo.
Eles viram na oportunidade oferecida pelo Corpo um excelente pretexto para consumar este anseio. Diante da força ancestral e do manancial infinito de movimentos envolvidos nos cultos afro-brasileiros, não foi preciso muito para convencer os irmãos Pederneiras. O resultado é impactante e se mostrou um sucesso: "tanto em São Paulo, quanto no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte, tivemos todas as apresentações esgotadas antecipadamente, algo inédito. As pessoas se emocionam muito", avisa Rodrigo.
Na primeira metade da sessão, o Corpo apresenta o espetáculo Bach, criado em 1996 e que estava sem exibição há 10 anos. Nele, o barroco do músico alemão e o barroco de Minas Gerais se realizam como dança. "Sempre trazemos algo mais antigo do nosso repertório e como não apresentávamos Bach há muito tempo, é a escolha perfeita", relata.
Após o intervalo, começa Gira. Logo no início, um grupo de sete bailarinas ocupa o centro da cena. Mãos cruzadas sobre a lateral esquerda do quadril, olhos fechados, troncos que pendulam sobre si mesmos - tudo nelas sugere o transe. Está estabelecido o caráter volátil do que se passará no palco dali para frente. Serão apenas duas apresentações na Capital, com ingressos entre R$ 70,00 e R$ 100,00, à venda nas lojas Multisom de Porto Alegre ou pelo site www.blueticket.com.br.
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