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Porto Alegre, quinta-feira, 26 de outubro de 2017.

Jornal do Comércio

Colunas

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Dom Jaime Spengler

A voz do Pastor

Notícia da edição impressa de 26/10/2017. Alterada em 25/10 às 22h00min

Fomos criados no tempo para sermos eternos

O feriado de 2 de novembro chama a atenção de todos para algumas realidades nem sempre presentes em nosso cotidiano: a saudade de quem partiu, a consciência de nossa finitude, a elaboração do luto. Enfim, os temas da morte e do morrer emergem do calendário para uma retomada de consciência sobre a vida.
Nós, humanos, temos uma única certeza sobre o futuro: sabemos que iremos morrer. Viver e morrer estão intimamente conectados. Presente e futuro nos fascinam, porque queremos vislumbrar as conquistas e realizações, tanto quanto nos atemorizam a frustração, o limite e o fim. Em nossos dias, muitos tabus, preconceitos e mitos foram vencidos. Infelizmente, porém, cresceu o tabu a respeito do morrer. Esse assunto é indesejado e até camuflado nas conversas diárias.
A morte traz consigo novas interrogações e discussões. Cada área do conhecimento humano tem sua percepção sobre essa dimensão. Algumas respostas são mais positivas que outras. Biologicamente, estamos sempre findando: células morrem, são eliminadas e outras surgem. A morte não é um instante, mas um processo biológico e espiritual. O ser humano é essencialmente um ser para a morte: aprender a viver é aprender a morrer.
As religiões são depositárias dessa sabedoria. Não é possível perceber a morte apenas como uma finitude fisiológica, como se fosse a negação da vida ou o fim do sujeito que vive no tempo e no espaço. O ser humano, diferente dos demais seres, sabe que vai morrer, tem consciência dessa limitação e, por isso, não nasce determinado nem se move apenas por impulsos biológicos, mas vai construindo sua vida e se construindo. É morrendo que se vive para o eterno.
Toda pessoa que morre é parte deste mundo visível. A história, as experiências, as alegrias e os sofrimentos marcam definitivamente cada um de nós. O que mais determina nosso ser, entretanto, são as relações. Durante a vida, conhecemos uma família, crescemos entre amigos, temos colegas de trabalho, escolhemos pessoas mais íntimas, formamos nova família e experimentamos a amizade, o amor e a comunhão. Dificilmente alguém é feliz na solidão e no isolamento. Somos seres essencialmente relacionáveis. O tempo passa, e com ele passamos também nós. Nascemos, crescemos, amadurecemos, envelhecemos e morremos. Este percurso da existência humana é uma realidade fascinante. Há quem sofra o horror desse princípio de impermanência de tudo o que vive. Há, contudo, quem encontre a razão de ser neste movimento de nascer, viver e morrer.
Os cristãos definem a morte como páscoa, isso é, passagem. Não passagem de uma realidade para outra totalmente diferente, mas de uma situação limitada para outra, continuada, mas descontínua. O morrer é um adormecer para este mundo limitado pelo tempo e pelo espaço, e acordar nas potências infinitas do Criador. Trata-se do encontro que dá significado a toda experiência humana. Ensina o cristianismo que em Jesus Cristo, apesar de vivermos na contingência do tempo, já somos eternos, porque somos filhos da Luz. É por isso que os cristãos já sabem ser ressuscitados e a morte não pode lhes separar de Cristo, como escreve Paulo Apóstolo.
Oxalá todos pudessem perceber, além das crenças e religiões, esse elemento comum a todo ser humano: há algo em nós que não morre. Quem consegue fazer essa experiência durante a vida, percebe a morte de outra forma. O melhor sinalizador de tudo isso é que homens e mulheres edificaram crenças e religiões que afirmaram essa realidade profunda: fomos criados no tempo para sermos eternos.
 
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Comentários
Dorian R. Bueno 26/10/2017 12h18min
MORTE X VELÓRIO X MORIBUNDOS !!!nnEscrever sobre a morte é fascinante, porque não sabemos quando ela acontecerá, podemos estar vivo neste momento, e de repente acontece o inesperado. Aprendi que antecipar a morte é um ato cruel de covardia, porque ela ainda não nos pertence. Lemos e assistimos na mídia todos os dias atos de crueldade de pessoas que perderam a sua razão emocional e psicológica. Agora neste momento passou-me pela a mente, a situação de pessoas que estão morrendo aos pouquinhos por falta de cuidados espirituais, fortalecimento da sua fé e saúde. Acredito que esta morte seja a pior, porque se ao menos a pessoa tivesse um pouco mais de cuidados na prevenção, com certeza estaria vivendo um pouco mais feliz e sadio. Amém!!! Atenção é uma palavra que se aplica em vários sentidos da nossa linda vida, mas o inevitável não avisa à hora para chegar. Ele chega e causa tragédias principalmente no âmbito familiar. Os motivos são a falta de fé em DEUS, depressão, desemprego, fome, saúde debilitada, aposentadoria paupérrima, falta de carinho, desavenças por traição, não aceitar o término de relacionamento, uso de drogas, assalto seguido de morte, abortos, acidente de trânsito... Podemos relacionar muito mais motivos que levam a pessoa perder a calma e se matar ou tirar a vida de alguém. O engraçado da morte é quando chega o velório. Tem gente pra caramba quando o defunto é um famoso. Parentes, curiosos que nunca ligaram para o ELE, vão lá dar uma de curioso num momento fúnebre deste querido Moribundo. Confesso para os amigos que o dia que chegar o meu dia, não faço questão de receber no meu velório, pessoas que nunca tiveram vinculo comigo ou até mesmo deixaram de conviver comigo por motivos que optamos ser melhor para as nossas vidas. Se durante a vida nos afastamos porque na hora da morte vão chorar na volta do caixão. As famílias vão surgindo e com o tempo vão sumindo, tenho saudades quando todos eram crianças. Hoje cada um toca sua vida deixando de lado este sentimento de ajuda mútua de pai, mãe, avós, irmãos, padrinhos, tios, amigos. Se durante a vida nos afastamos, porque na hora da morte tem gente que até é paga para chorar na volta do caixão. Feliz foi Jesus Cristo, que conseguiu organizar uma bela ceia com seus escolhidos e já sabia que iria partir e voltar para eternidade. Imagino que é por estes motivos que quem tem posses, contrata um advogado para fazer seu testamento e este passa também ser beneficiado de alguma forma, e azar de quem ficou de fora na hora da partilha. O pior é que sempre fica uma conta para ser paga por alguém da família mesmo contrariado, isto quando o defunto já não tinha separado alguns trocados durante a sua vida para este momento constrangedor de além de morrer não ter dinheiro para o enterro. Estou pronto para quando chegar a minha vez, mas também confesso que não estou juntando dinheiro para o enterro, não pedi para nascer, mas tenho FÉ que Deus sabe o que faz. Amém. Abs. Dorian Bueno Google+Plus, POA, 26.10.2017nnn n n