Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Porto Alegre, quinta-feira, 26 de outubro de 2017.

Jornal do Comércio

Viver

CORRIGIR

e palavras...

Notícia da edição impressa de 27/10/2017. Alterada em 26/10 às 21h47min

Jubilados

É feia a palavra "aposentado". Parece dizer: vai para teus aposentos! Aposentado lembra INSS, reforma da Previdência, remédios e dificuldades que fazem milhões de aposentados continuarem a trabalhar como mouros até o fim. Palavras-sinônimos de aposentados são mais feias: reservista, reformado, membro inativo, inativo, inválido e por aí vai.
Há salvação para os aposentados, além de continuar a trabalhar até onde der e esperar por dias, homens públicos e aposentadorias melhores. A salvação é a palavra jubilado. Aplicável mais a professores e servidores, o termo, de origem latina, fica bem em espanhol e tem a ver com nossos queridos hermanos uruguayos, especialmente os jubilados em Punta Del Este. Jubilado em Punta é bom, mesmo no inverno e com orçamento apertado. Jubilado lembra honra, ócio com dignidade, festa, alegria.
Apesar de tudo, os aposentados mudaram, acho que para melhor. Lá por 1974, as pessoas viviam uns 50 e poucos anos no Brasil. Os aposentados, especialmente os homens, antigamente, na aposentadoria, colocavam pijamas listrados parecidos com os colchões de antigamente e os usavam 24 horas por dia. General de pijama era uma das simpáticas expressões de décadas atrás.
Aposentados liam o Correio do Povo em formato standard, se embalavam nas cadeiras de balanço, escreviam cartas para o Correio do Leitor do jornal, queixando-se do peso a menor do cacetinho da padaria e iam, quando possível, para as ruas e praças. Em casa, ficavam ouvindo rádio, assistindo à televisão ou lendo livrões, romanções de 500 páginas ou enciclopédias. Aposentados não ficavam muito tempo aposentados. Depois de alguns anos na "inatividade", iam para o andar de cima, especialmente os homens.
Hoje, os aposentados não devem ficar nos aposentos, especialmente os homens. Nada de ficar só assistindo à TV, lendo jornal, grudado no WhatsApp, coçando, bebendo ou reclamando. A média de idade dos brasileiros hoje é de 70 e poucos. Os jubilados precisam se ocupar para não se preocupar, e necessitam administrar bem as décadas entre a aposentadoria e a passagem para o além.
Mesmo os "bem aposentados", os que não são aposentados pelo INSS, que praticamente são obrigados a trabalhar para se manter, devem tentar envelhecer com saúde, produtividade e procurar manter o corpo e o espírito espertos. Não é fácil, mas pode ser até divertido. "Envelhecer com dignidade" e saúde é melhor e mais barato para todos.
A jubilação pode servir para o jubilado se "reinventar", fazer coisas que não tinha feito, realizar sonhos de infância ou juventude. Não deve ficar só contemplando, paradão, o entardecer da vida. O entardecer pode até ser dourado, mas fica melhor com bom relacionamento com a família, amigos, ex-colegas de trabalho e hábitos saudáveis. A vida só acaba depois do último minuto do jogo ou da prorrogação. Até lá, que haja esperança.
CORRIGIR
Seja o primeiro a comentar esta notícia