Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Porto Alegre, terça-feira, 19 de setembro de 2017. Atualizado às 19h00.

Jornal do Comércio

Opinião

COMENTAR | CORRIGIR

artigo

Notícia da edição impressa de 14/09/2017. Alterada em 13/09 às 21h10min

Hora de enxugar o Estado

Mateus Bandeira
O pacote de privatizações lançado pelo governo Temer traz à baila tema relevante em dias de cofres públicos esquálidos: por que privatizar? A motivação imediata do governo é a redução da dívida pública crescente da União. Há, porém, outras duas razões de maior relevância para justificar a privatização, pois constituem vícios permanentes e insanáveis das estatais, a sua utilização pelos partidos políticos e os interesses corporativos dos seus funcionários. O modelo estatal permite a apropriação de sua direção e gestão pelo meio político dominante. Na hipótese menos lesiva, partidos comandam estatais para obter poder político. Na pior, a intenção é, simplesmente, roubar - como demonstra a Lava Jato.
Outro motivo, não menos nocivo, é a predominância dos interesses corporativos. Além da estabilidade, que dificulta a busca da eficiência e produtividade, os trabalhadores acumulam benefícios além da média do mercado e, com os sindicatos dominados por partidos, atuam primeiro em suas regalias, depois nos interesses da empresa. Na prática, as estatais já são privadas, pela instalação de feudos dominados por parlamentares e dirigentes sindicais.
O quadro fiscal do Rio Grande do Sul é igualmente preocupante. Por isso, a adoção de medidas de desestatização por aqui deve permear o debate em 2018. A motivação para privatizar não deve ser a de cobrir o déficit do Estado, uma vez que a receita com a alienação será finita e os déficits, continuados. Antes do equilíbrio estrutural necessário, é possível obter alívio por meio do Regime de Recuperação Fiscal. Simultaneamente, o Estado deve voltar-se à sua tarefa precípua: cuidar da saúde, educação e segurança, além de garantir um ambiente de negócios com o mínimo de interferência estatal. Com a sobreposição de funções, o governo não faz bem nem uma, nem outra. Hora de enxugar o Estado e recuperar suas funções básicas e indelegáveis.
Ex-presidente do Banrisul e ex-secretário estadual de Planejamento
COMENTAR | CORRIGIR
Comentários
Roger 19/09/2017 17h32min
O mais engraçado é que tentam vender a ideia de máquina pública inchada no Brasil, daí vc abre este artigo e vê que nossa condição é totalmente oposta. Como argumentar?nnhttps://www.google.com.br/amp/www.infomoney.com.br/blogs/economia-e-politica/terraco-economico/amp/post/5406420
Joao Neutzling Jr 15/09/2017 10h42min
É bom lembrar que o Estado Mínimo foi a causa da crise de 1929 que gerou a maior depressão econômica da história, a desregulamentação da economia como defende o Sr Bandeira foi a causa da crise das hipotecas subprime em 2008 que afetou o mundo todo. Por que empresas estatais lucrativas devem ser privatizadas? para transferir o lucro para um capitalista privado. O Banrisul é público e lucrativo, qual razão para privatizá-lo? Por que não se privatizam os manicômios, sanatórios e prisões ?
Julio Cesar Schaeffer 14/09/2017 14h10min
O Estado precisa ser enxugado e diminuído, em tudo aquilo no qual ele não é necessário, e nem sua função precípua. É mau gestor por natureza, e desnecessário repetir os sólidos e verdadeiros argumentos do editorialista. Não enxergar isso, é declarar sua filiação ao status quo viciado existente, quer por interesse ideológico, ou então por manutenção de privilégio mesmo. Quanto maior o Estado, menor a liberdade do indivíduo. Isto é inquestionável.
Daniel Pereira DAlascio 14/09/2017 13h42min
Discordo do comentário do Sr.Mateus Bandeira. Antes de falar em enxugar o estado temos que falar em diminuir pelo menos 30% das isenções fiscais,que seria suficiente para tirar o estado do déficit.nNinguém quer acabar com as isenções fiscais, mas sim que elas tragam uma contrapartida a sociedade, assunto que incomoda as corporações ligadas a classe patronal. Para concluir a maior empresa de energia do mundo é uma empresa estatal chinesa chamada State Grid que quer comprar o grupo CEEE. Então como assim, as estatais são ineficientes ? E a CEEE-D a quarta melhor distribuidora do Brasil em 64 distribuidoras é pública! A Copel é distribuidora de energia elétrica a melhor empresa da América latina. E agora, onde está a tese do estado mínimo? n
Alvaro Kniestedt 14/09/2017 08h16min
O Estado não deve ser enxugado ou diminuído, sua função e modo de agir devem ser repensados. Lembro que os maiores beneficiários do Estado não são seus Servidores ou os Sindicatos. Basta ler esta edição do Jornal do Comércio em "Novo Refis aumenta os benefícios aos devedores" e "Combate à renúncia fiscal". São dois artigos que apresentam a dimensão do desvio do dinheiro do contribuinte para grandes empresas e sonegadores.