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Porto Alegre, domingo, 24 de setembro de 2017. Atualizado às 16h04.

Jornal do Comércio

Internacional

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Alemanha

24/09/2017 - 15h11min. Alterada em 24/09 às 16h07min

Merkel diz que vai negociar nova coalizão na Alemanha

Merkel fez anúncio no discurso de vitória, no quartel-general do Partido Cristão-Democrata (CDU)

Merkel fez anúncio no discurso de vitória, no quartel-general do Partido Cristão-Democrata (CDU)


Tobias SCHWARZ/AFP/JC
A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, confirmou neste domingo (24) que vai liderar a formação de uma nova coalizão para iniciar seu quarto mandato como chefe de governo. O anúncio foi feito em seu discurso de vitória, proferido no quartel-general do Partido Cristão-Democrata (CDU), em Berlim. A atual premiê reconheceu que seu partido obteve um resultado inferior ao esperado, mas atribuiu isso ao desgaste provocado pelos 12 anos de exercício do poder.
"O CDU esperava resultados melhores, mas não vamos esquecer, diante do desafio extraordinário, que nós atingimos nossos objetivos estratégicos: nós somos o partido mais forte", argumentou a chanceler, que vai dar início a seu quarto mandato. "Nós temos o mandato para formar o novo governo e nós vamos formar o novo governo."
Segundo Angela Merkel, um dos desafios de seu governo e de seu partido será retomar a confiança dos eleitores que nos últimos anos migraram para o Alternativa para a Alemanha (AfD), partido de extrema direita criado em 2013 e que, nesse intervalo, cresceu de 4,7% dos votos - sem direito a vagas no Parlamento - para cerca de 13%, tornando-se a terceira maior força política do país. "Essa também foi a eleição na qual vimos a chegada ao Parlamento do AfD. Nós vamos conduzir uma profunda análise. Nós queremos reconquistar os eleitores que votaram pelo AfD, e descobrir suas preocupações", sustentou.
A chanceler, que com a decisão do Partido Social-Democrata (SPD) de partir para a oposição tem apenas uma alternativa de coalizão, com Verdes e Liberais-Democratas, garantiu que seu quarto governo vai trabalhar para reunir os países da União Europeia em uma luta contra as causas da imigração. "Nós temos de trabalhar por um país justo e livre. Isso significa que vamos reunir todos os países da UE para combater as causas da imigração e da imigração ilegal. É claro que o tema da segurança é uma preocupação maior para pessoas, assim como a prosperidade", reforçou, sem mencionar os nomes de seus futuros aliados no governo. "Mas nós temos o mandato para assumir a responsabilidade, e nós vamos assumi-la agora com nosso parceiros."
De acordo com as projeções de boca-de-urna, o CDU deve reunir 217 deputados no Parlamento, com a maior bancada, mas em maioria absoluta - como é praxe na Alemanha. A segunda maior força política ainda será o SPD, com 134 deputados. O AfD terá o direito de ingressar no Bundestag pela primeira vez, por ter superado a cláusula de barreira, e terá a terceira maior bancada, com 89 deputados.
Completarão o Parlamento o Partido Liberal-Democrata (FDP), com 70 parlamentares, o Partido Verde, com 62, e o Die Linke, de esquerda radical, com 59 deputados. Os números ainda dependem da apuração, que já teve início e deve apresentar resultados claros até o final da noite deste domingo.

SPD retira apoio a Merkel

Ao mesmo tempo em que Merkel projeta sua estratégia, o líder do Partido Social-Democrata (SPD), Martin Schulz, anunciou que não oferecerá à chanceler da Alemanha, Angela Merkel, a possibilidade de uma nova "grande coalizão" com o Partido Democrata-Cristão (CDU). A decisão deixa a atual chefe de governo com apenas uma opção de aliança para governar o país pela quarta vez, reunindo o Partido Liberal-Democrata (FDP, centro-direita) e o Partido Verde (centro-esquerda).
A decisão de Schulz foi anunciada em seu primeiro discurso após o fechamento das urnas. Na oportunidade o líder do SPD, ex-presidente do Parlamento Europeu, reconheceu a derrota, na qual o partido deve ter o pior resultado de sua história: em torno de 20% dos votos. "Este é um dia difícil e amargo para a social-democracia na Alemanha. Não atingimos os nossos objetivos ", admitiu Schulz, anunciando porém a intenção de continuar à frente do partido para liderar sua reforma interna. "Atingimos menos eleitores do que estávamos esperando, mas os que vieram podem acreditar que vamos perseguir os nossos objetivos."
Schulz anunciou ainda que não aceitará um novo convite para renovar a "grande coalizão " entre CDU e SPD, com a qual Merkel pôde governar ao longo de seu primeiro e de seu terceiro mandatos. Segundo o social-democrata, o partido não pode permitir que a Alternativa para a Alemanha (AfD), movimento de extrema direita, seja o líder da oposição ao governo no Parlamento. "Nós somos a oposição democrática. Vamos usar o tempo para nos reposicionar e nos reorganizar mais uma vez", anunciou.
"Nessa noite, a cooperação entre o SPD e o CDU está chegando ao final. A grande coalizão perdeu votos, perdeu suporte, e há uma maioria possível e viável para a formação de uma 'coalizão Jamaica'." A "coalizão Jamaica", uma alusão às cores do CDU, do Partido Verde e do FDP, é assim a única opção de Angela Merkel para governar em um quarto mandato. 
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