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Porto Alegre, quinta-feira, 24 de agosto de 2017. Atualizado às 11h37.

Jornal do Comércio

Geral

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Limpeza urbana

Notícia da edição impressa de 23/08/2017. Alterada em 24/08 às 11h41min

No aterro de Minas do Leão, viagem do lixo chega ao fim

Resíduos são pesados e identificados antes de irem para aterragem

Resíduos são pesados e identificados antes de irem para aterragem


JONATHAN HECKLER/JC
Igor Natusch
De todo o lixo transportado diariamente para a estação de transbordo da Lomba do Pinheiro de Porto Alegre, a grande maioria faz mais uma viagem antes do destino final. Todos os dias, cerca de 1.200 toneladas de lixo embarcam em caminhões rumo a Minas do Leão, na Região Metropolitana, fazendo uma viagem de quase 100 quilômetros com destino a uma das unidades da Companhia Riograndense de Valorização de Resíduos (CRVR). A área de 254 hectares recebe entre 3.500 a 3.700 toneladas de material inaproveitável por dia, cerca de 40% de todo o lixo gerado diariamente no Rio Grande do Sul.
Na terceira reportagem da série sobre os caminhos e descaminhos do lixo, vamos conhecer o local para onde Porto Alegre manda os resíduos com os quais não é mais capaz de lidar. Ou, no caso dos caçambeiros, a dificuldade de encontrar lugares para os resíduos gerados pelas obras e reformas de uma cidade que não para de crescer.

Aterro sanitário é destino do lixo de 124 cidades gaúchas

Deixar o lixo de Porto Alegre em alguma das enormes crateras de Minas do Leão não é barato. Além dos R$ 80 mil diários bancando caminhões que entram e saem da UTC, boa parte deles destinados ao aterro, o contrato com a CRVR suga cerca de R$ 91 mil dos cofres diariamente.
Antes de virar destino final de boa parte do lixo gaúcho, a área de Minas do Leão foi, durante décadas, utilizada para a mineração de carvão. Ao chegar, cada caminhão é pesado e tem a lona removida para verificação de carga. Em seguida, o condutor assina um manifesto de transporte de resíduo - processo que, entre outras coisas, identifica a cidade de onde o lixo se origina. Ao todo, 124 municípios gaúchos enviam seus resíduos para Minas do Leão.
A disposição dos rejeitos em um aterro envolve uma série de preparativos. A decomposição de material orgânico gera gases tóxicos, além de chorume, um líquido de alto potencial poluente. Isso exige sistemas de drenagem e camadas de impermeabilização, além de preparação gradual do solo.
"Não se constrói um aterro de uma vez só", afirma Rafael Salomoni, coordenador da Unidade de Valorização Sustentável de Minas do Leão. Segundo ele, a CRVR investe cerca de
R$ 8 milhões anuais para preparar a nova fatia de terreno onde o material será disposto, valor que também inclui os custos usuais de operação.
Além de receber os resíduos e promover o tratamento e compactação, a operação capta, por meio de tubulações, o gás gerado pela decomposição. Cerca de 54% do volume é formado por metano, usado como combustível de motores que geram energia elétrica da ordem de 7,5 megawatts/hora.
"É energia limpa, suficiente para abastecer uma cidade de 50 mil habitantes", assegura Salomoni. A venda dessa energia é, atualmente, uma das maiores fontes de lucro da companhia.
Gerente operacional local da Biotérmica, responsável pelo processo de geração de energia da unidade, Thiago Nascimento Silva reforça que a empresa ganha créditos de carbono no processo, já que o gás metano, um dos causadores do efeito estufa, é eliminado de forma segura. Todo o processo é auditado pela Organização das Nações Unidas (ONU). A empresa estima que a queima controlada reduz, a cada ano, a emissão de até 170 mil toneladas de CO2 na atmosfera.
Atualmente, são 64 profissionais diretamente envolvidos na unidade de Minas do Leão, além de colaboradores. Boa parte da mão de obra é formada por pessoas ligadas ao município.

Empresa busca licenciamento para mais três aterros no Interior

Motores movidos a metano geram 7.5 megawatts/hora

Motores movidos a metano geram 7.5 megawatts/hora


JONATHAN HECKLER/JC
O gerenciamento de resíduos é um mercado em crescimento no Brasil, e a CRVR tem investido cada vez mais no setor. A empresa também tem plantas nas cidades de Giruá, Santa Maria e São Leopoldo - nas duas últimas, o plano é instalar, em breve, geradores semelhantes aos de Minas do Leão. Em paralelo, já foi disparado o processo para licenciamento ambiental de três novos aterros - Pelotas, Victor Graeff e Viamão -, um movimento estratégico, uma vez que essa última receberia o lixo de boa parte do Litoral Norte gaúcho.
O processo se impõe não apenas por interesses comerciais, mas por questões práticas - afinal, o aterro de Minas do Leão tem vida útil restante de cerca de 20 anos. Depois, a CRVR deverá monitorar a área por outras duas décadas, já que a emissão de gases segue ocorrendo nesse período. A previsão, segundo Salomoni, é que, ao fim do processo, o aterro seja entregue à comunidade, virando um parque ou área verde.
A aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), em 2004, passou a exigir dos municípios a eliminação dos lixões a céu aberto, o que aumentou a demanda por espaços licenciados para o descarte final. Porém, o processo perdeu velocidade com a prorrogação do prazo para adequação às exigências. Como o novo limite se encerra entre 2018 e 2021, a expectativa é que a busca por processos tecnológicos para a disposição final volte a acelerar.
Salomoni acredita que isso passa pela cobrança de taxas municipais para custear o tratamento. "Se cada um pagasse pelo resíduo, de forma proporcional ao que gerou, automaticamente se geraria uma consciência ambiental maior", defende.

Caçambeiros não têm área pública para resíduos da construção civil

Entre os caçambeiros que coletam resíduos da construção civil, a preocupação é a falta de uma área apropriada para o descarte na Capital. Atualmente, há terrenos disponíveis em bairros como Restinga e Lomba do Pinheiro, além da empresa Sebanella, em Canoas, que recebe alguns tipos de resíduos, como gesso.
O maior problema é o preço: os espaços são pagos, e algumas caçambas acabam fazendo o descarte irregular para baratear o custo. De acordo com Guacira Ramos, presidente da Associação dos Transportadores de Caçambas Estacionárias (ATCE), o valor chega, no terreno da Lomba do Pinheiro, a R$ 120,00 por tonelada de caliça.
Há dois meses, uma área em Viamão, deixou de aceitar cargas oriundas da Capital, o que ampliou o impasse. Em 2015, surgiu a chance de um espaço na Zona Norte, que seria gerenciado pela empresa Mecanicapina. As conversas, porém, não evoluíram. "Nenhum órgão da prefeitura quer se envolver nisso", lamenta Guacira. No começo de setembro, a ACTE deve promover uma assembleia para buscar alternativas para a situação.
Amanhã: descarte clandestino e até roubo de lixo são desafios para aumentar eficiência do sistema.
 
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