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Porto Alegre, segunda-feira, 21 de agosto de 2017. Atualizado às 08h34.

Jornal do Comércio

Geral

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Limpeza urbana

Notícia da edição impressa de 21/08/2017. Alterada em 21/08 às 08h36min

As muitas viagens dos resíduos gerados pela Capital

Igor Natusch
Porto Alegre é uma produtora incansável de lixo. Diariamente, a cidade gera entre 1.600 e 1.800 toneladas de resíduos, entre material orgânico, reciclável (o chamado lixo seco) e entulhos variados, além do volume oriundo da varrição das ruas e da limpeza dos parques e das praças. Livrar-se dessa montanha de lixo da maneira mais adequada possível é um serviço caro, que envolve milhares de pessoas, várias empresas e que apresenta uma série de gargalos prejudiciais à sua eficiência.
A partir de hoje, e até a próxima sexta-feira, o Jornal do Comércio vai descrever as muitas jornadas que envolvem o lixo da Capital, mostrando trilhas que levam não somente à reciclagem, à compostagem, à venda para empresas especializadas ou ao descarte final em aterros sanitários como o de Minas do Leão, na Região Metropolitana, mas também a situações sem controle do poder público, como o recolhimento e o descarte clandestinos, ou a quantidade crescente de entulhos retirados do Guaíba e de arroios.

Serviços de coleta custam mais de R$ 5 milhões por mês

Coleta automatizada de lixo, por meio de contêineres, foi implementada em 2011 na Capital

Coleta automatizada de lixo, por meio de contêineres, foi implementada em 2011 na Capital


JONATHAN HECKLER/JC
A coleta automatizada de lixo, por meio de contêineres, foi implementada em 2011 em Porto Alegre. No início de 2016, o número de contêineres foi duplicado, passando para 2.400 equipamentos. Segundo dados da prefeitura, o custo mensal previsto em contrato é de R$ 1.455.330,16, referente às empresas Transportes RN Freitas Ltda. e Cone Sul Soluções Ambientais. Os gastos com manutenção e troca de unidades danificadas estão incluídos nesse valor.
Atualmente, os contêineres estão disponíveis em 19 bairros mais centrais - em alguns casos, de forma parcial. De acordo com a Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (SMSurb), uma eventual expansão dos contêineres a outros bairros está em fase de estudos.
A coleta seletiva em Porto Alegre acontece desde 1990 e, a partir de 2015, passou a atingir todas as ruas e avenidas onde é possível a entrada dos caminhões. Desde o ano passado, o serviço é conduzido pela Cootravipa, cooperativa formada por movimentos ligados a vilas da zona Sul da cidade. Os trabalhos ocorrem três vezes por semana no Centro e em áreas próximas e duas vezes no restante da cidade. Mas mesmo depois de quase 30 anos, o percentual de lixo reciclado ainda é pequeno. Um estudo de 2016 da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, feito a pedido do Observatório da Política Nacional de Resíduos Sólidos, mostra que apenas 4,6% dos recicláveis gerados na Capital são efetivamente aproveitados.
Por sua vez, a coleta de resíduos orgânicos nas áreas onde os contêineres não estão instalados ocorre três vezes por semana e fica a cargo da B.A. Meio Ambiente, com sede no Pará. De acordo com a prefeitura, a empresa atua com 81 caminhões e cerca de 500 trabalhadores. A empresa não foi encontrada em nenhum dos telefones disponíveis para contato. Os gastos totais com a coleta domiciliar, nas duas modalidades, giram em torno dos R$ 3,8 milhões mensais, valores que podem variar de acordo com o volume gerado.

Cootravipa tem cerca de 170 trabalhando na coleta seletiva

Cootravipa cumpre função social, afirma Imanjara

Cootravipa cumpre função social, afirma Imanjara


CLAITON DORNELLES /JC
Formada há mais de 30 anos, a Cootravipa também atua na limpeza urbana, em parques e praças, além de realizar limpeza interna em alguns prédios municipais. De acordo com Imanjara Marques de Paula, presidente da cooperativa, são cerca de 2 mil cooperativados, 170 deles na coleta seletiva.
"Todos somos cooperados, desde o funcionário que faz a limpeza urbana até a diretoria. Tivemos alguns diretores que eram garis, pessoas que chegaram com tornozeleira eletrônica e hoje são coordenadoras de grupo, motoristas da coleta seletiva", diz Imanjara, que está na cooperativa desde os 17 anos e foi eleita presidente no ano passado. Ela destaca o alcance social da Cootravipa, que aceita em seu quadro pessoas que teriam dificuldade de colocação no mercado de trabalho, como oriundos do regime semiaberto, moradores de rua, mulheres com cinco ou mais filhos e pessoas acima dos 60 anos.
A coleta envolve 33 caminhões, três deles de reserva. O monitoramento de rotas é feito via software, em tempo real, e a entrega dos resíduos recolhidos às Unidades de Triagem (UTs) credenciadas é agendada diariamente com o Departamento Municipal de Limpeza Urbana. O contrato custa R$ 800 mil mensais, com renovações anuais e prazo limite de cinco anos.
Para participar, o interessado tem que ser indicado por outra pessoa que já esteja atuando. Recentemente, alguns imigrantes passaram a integrar a cooperativa. "Antes, eles mesmos tinham receio, em especial pela barreira da língua. Hoje, estão vindo em duplas, e o companheiro faz a tradução", diz Imanjara.

Recolhimento de lixo vem sendo alvo de ações judiciais

Coleta domiciliar em áreas sem contêineres enfrenta interrupções nos últimos meses

Coleta domiciliar em áreas sem contêineres enfrenta interrupções nos últimos meses


JOÃO MATTOS/ARQUIVO/JC
A coleta de lixo domiciliar em áreas não cobertas pelos contêineres tem enfrentado interrupções nos últimos meses. Sem receber os salários por parte da B.A. Meio Ambiente, os funcionários promoveram paralisações. Em julho, por exemplo, a Justiça determinou o pagamento de R$ 3,65 milhões, referente a valores que a terceirizada deveria ter recebido em junho. O débito só foi quitado em julho. Há, ainda, um passivo de cerca de R$ 10 milhões, relativo a serviços de 2016.
Por outro lado, a B.A. Meio Ambiente é alvo de investigação do Ministério Público (MP-RS), que apura denúncias de que a empresa misturava restos de obras, como caliça, terra e demais entulhos, ao material coletado. A denúncia também atinge a Cootravipa, acusada de utilizar menos trabalhadores do que o estabelecido em contrato para a coleta do lixo seco. As denúncias levaram ao pedido de demissão do então diretor-geral do DMLU, André Carús, no final do ano passado.
A Cootravipa também enfrenta processo administrativo por parte da Procuradoria-Geral do Município (PGM), referente à limpeza das bocas de lobo. Uma possível consequência da ação é tornar a cooperativa inapta a futuras licitações. A apuração trata do suposto superfaturamento de mais de R$ 10 milhões em contratos do Departamento de Esgotos Pluviais (DEP) com a Cootravipa e com outras empresas terceirizadas, que remontam a 2011.
Segundo Imanjara Marques de Paula, presidente da cooperativa, o contrato da Cootravipa com o DEP já está encerrado, e as atividades das equipes - cerca de 90 pessoas - eram gerenciadas pelo município. A cooperativa já apresentou as contrarrazões e acredita que a punição estudada pela PGM não será efetivada. "O impedimento não teria razão de ser. Somos uma cooperativa que gera mudança de vida através do trabalho, e isso acabaria, de forma completamente irresponsável." 
Nesta terça-feira: Separação do lixo e o trabalho de UTs e cooperativas de reciclagem.
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