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Porto Alegre, quinta-feira, 10 de agosto de 2017. Atualizado às 00h23.

Jornal do Comércio

Economia

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Notícia da edição impressa de 10/08/2017. Alterada em 09/08 às 21h17min

Opinião econômica: Os fatos

Delfim Netto foi ministro, embaixador e deputado federal

Delfim Netto foi ministro, embaixador e deputado federal


/VALTER CAMPANATO/abr/jc
Delfim Netto
É preciso ter consciência que do "imbróglio" que estamos vivendo só nos livraremos com a volta a um desenvolvimento econômico sustentável e mais equânime, o que exigirá um aumento da produtividade média do trabalho.
Uma política insensata, cujo objetivo único foi reeleger a presidente, criou uma tragédia: enquanto aumentava a relação dívida bruta/PIB de 52% para 70%, reduzia o investimento público, expulsava o investimento privado, destruía a indústria e deixava um rastro de quase 14 milhões de desempregados. Tudo foi sacrificado em favor de despesas de produtividade duvidosa, como os exagerados salários da alta administração pública e suas generosas aposentadorias. Os trabalhadores do setor privado que a sustentam perderam o emprego ou viram reduzir-se os seus salários, enquanto o corporativismo "extrativista" blindado contra as flutuações da conjuntura continua a "exigir" mais aumento!
Qual o resultado final dessa melodia? Os que estão trabalhando viram diminuir sua produtividade por falta de investimento e os que estão desempregados viram a sua reduzida a zero por falta de demanda. De 2013 a 2016, a produtividade média do trabalhador brasileiro caiu em torno de 8%!
A solução não é nada simples. Aumentar os impostos e cortar ainda mais o consumo e o investimento do setor privado para pagar salário público? Continuar a aumentar a dívida pública? Seu nível já é elevado e aumentaria a pressão sobre a taxa de juro real. Para dar certo, seria preciso um multiplicador fiscal improvável.
Ah! Há uma solução "genial" da esquerda estudantil: dar um calote na dívida pública! Na sua alienação, ela crê que o credor é o sistema financeiro.
Não! Ele é apenas o intermediário: compra a dívida do governo com os depósitos bancários de todos os cidadãos (inclusive os dela!). O resultado seria um desastre ainda maior do que o confisco da liquidez da sociedade feita no plano Collor.
A verdade é que as coisas caminhavam relativamente bem até a tragédia da delação da JBS. O sistema resistiu bem e a Câmara dos Deputados cumpriu o seu papel. Deu a Temer apenas a oportunidade de tentar aprovar as "reformas". Essa foi, mesmo, a menos pior das soluções. A prova é que o "risco-Brasil" voltou, no último dia 4, ao mesmo nível de antes da crise.
Economista, ex-deputado federal e ex-ministro da Fazenda, do Planejamento e da Agricultura
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