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Porto Alegre, quinta-feira, 31 de agosto de 2017. Atualizado às 22h43.

Jornal do Comércio

Colunas

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Antônio Hohlfeldt

Teatro

Notícia da edição impressa de 01/09/2017. Alterada em 31/08 às 17h33min

A falta de respeito,em todos os sentidos

A primeira grande atração estrangeira do segundo semestre do ano foi a visita do Ballet Kiev, já conhecido do público por visita anterior. Desta vez, a plateia lotou, mas o grupo não foi condizente com esta confiança. O programa foi constituído de duas suítes dos mais conhecidos e populares balés de Tchaikovski, ambos coreografados por Marius Petipa. A suíte do Lago dos cisnes teve quase uma hora de duração e trouxe uma ideia razoável do balé de quatro atos. Já a suíte de A bela adormecida, com pouco mais de meia hora de duração, ficou visivelmente prejudicada e não passou de um ligeiro divertissement, sobretudo pela escolha em parte equivocada das cenas escolhidas, que diminuiu em muito a real significação da obra.
O elenco é jovem, embora premiado. Mas é evidente que ainda precisa amadurecer bastante. Tanto numa quanto na outra peça, muitas vezes, foram evidentes as dificuldades para o movimento seguro e afirmado, havendo braços que tremiam e saltos ou piruetas que nem sempre foram plenamente concretizados. Do que vimos na noite de domingo, Stanislav Olshanskyi, que vive, no primeiro balé, o mago Rotbarth, e no segundo, o Pássaro Azul, foi o grande destaque. Na segunda peça, Olshansky mostrou suas qualidades quando elevou, com segurança e maestria, sua companheira, Anastasia Shevchenko, que foi, por seu lado, o destaque feminino. Além de ser uma bela mulher, com figura brilhante em cena, por sua altura incomum, é esbelta, precisa e confiante, ao contrário de algumas de suas colegas, inclusive as solistas.
O cenário trazido foi paupérrimo, mesmo que se leve em conta que, para este tipo de viagem, os telões são os mais apropriados. Mas não houve adereços ou peças complementares. O máximo que se teve foi uma poltrona (?) na primeira peça e uma segunda, na obra da segunda parte - nada mais. O cúmulo da situação, contudo, aconteceu com Jan Vana, que vive, primeiro, o Príncipe Siegfried e, depois, o Príncipe Desirée: o figurino de sua primeira entrada, em A bela adormecida, é exatamente o mesmo de O lago dos cisnes, tendo-se acrescentado, apenas, uma ridícula capinha vermelha, nas costas. No seu retorno, ele porta um belo figurino branco, que destaca, igualmente, sua esbelta figura masculina.
A gravação trazida teve qualidade - o programa, infelizmente, não indica a orquestra - e rodou bem no sistema de som do teatro. O que é de se lastimar é o erro do papelucho que serviu de programa ao espetáculo, e que cometeu um erro infeliz, invertendo os personagens das duas peças, de sorte que, embora se tenha assistido primeiro a O lago dos cisnes - cuja referência, aliás, está corretamente colocada no lado esquerdo do folheto -, o elenco está mencionado ao contrário.
Enfim, uma expectativa muito grande que, ao menos para mim, resultou numa frustração igualmente grande. Penso que estes grupos coreográficos do Leste da Europa precisam levar mais a sério suas excursões, assim como os empresários que os aceitam, no Brasil. Uma excursão deste tipo não pode ser mera oportunidade caça-níqueis, nosso público não merece isso. Nem os 150 anos do conjunto.
Quanto ao Teatro do Sesi, retomo aqui algumas considerações que já fiz outras vezes. Fazia frio no saguão com a porta da rua aberta; faltava mesas e cadeiras para o público no saguão enquanto esperávamos pelo espetáculo e, também, o problema das fileiras de poltronas, demasiadamente apertadas. Também o sistema de saída do estacionamento apresenta falhas, causando grande demora na saída dos veículos.
Ah, um conselho para o café localizado no saguão: a adoção de cardápio alternativo para quem não pode consumir glúten ou lácteos. É uma medida simples, que facilita a vida de muita gente e adotada em qualquer centro civilizado.
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