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Porto Alegre, domingo, 20 de agosto de 2017. Atualizado às 19h04.

Jornal do Comércio

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Responsabilidade Social

Notícia da edição impressa de 21/08/2017. Alterada em 18/08 às 18h46min

Atelier da Cruz luta para ampliar o seu espaço

Rochele trouxe a experiência internacional como designer para a oficina

Rochele trouxe a experiência internacional como designer para a oficina


MARCELO G. RIBEIRO/JC
Camila Silva
Centro de ações sociais, assim se pode definir a Associação Comunitária do Morro da Cruz (Acomuz), na zona Leste da Capital. Projetos com as mais diversas vertentes, como o Pró-Jovem, Coletivo Antropológico, ONG Ciupoa, um grupo que presta auxílio jurídico e o projeto Atelier da Cruz integram o espaço. Ainda assim, mesmo com vertentes diferentes, todos buscam o mesmo objetivo: empoderar os moradores da comunidade.
O projeto Atelier da Cruz viabiliza o ensino de costura para sete moradoras da comunidade. A idealização da iniciativa é responsabilidade da estilista Rochele Gloor. Após uma longa temporada em Nova Iorque, onde se formou em design de moda e trabalhou em grandes marcas da moda mundial, como Calvin Klein Collection e Oscar de La Renta. Rochele decidiu retornar ao País e colocar em prática um antigo desejo: ensinar a costura artesanal para outras pessoas. Desde outubro do ano passado, a estilista se divide entre a sua grife - que leva o seu nome - e as aulas de técnica de costura artesanal.
Com o auxílio da gestora de projetos Liliana Velho, a estilista iniciou o projeto na comunidade. "Chegamos aqui na associação, as meninas estavam extremamente desconfiadas, e nós não sabíamos o que dizer", relembra. Rochele sabia apenas que precisa ser extremamente verdadeira com as moradoras. Isso porque a desconfiança das costureiras tinha fundamento: a especialista não foi a primeira pessoa que se propôs a montar um atelier de costura na comunidade. As moradoras tiveram diversas decepções a respeito dos outros projetos, que iniciavam, porém, aos poucos, perdiam a força. Mas o Atelier da Cruz foi diferente.
"Ela é muito exigente, ao fazermos uma peça, o acabamento deve estar perfeito", frisa Rosa Maria Silva. A moradora participa da oficina desde o início. Maria já havia tido experiências com costura, porém nada que exigisse alto grau de conhecimento. Para ela, mais que um projeto profissionalizante, o Atelier é uma verdadeira terapia, tendo em vista que as sete integrantes desenvolveram uma amizade muito grande. "Fico ansiosa para ir ao Atelier, é muito bom ver nossas roupas prontas", finaliza.
Atualmente, as atividades do atelier são realizadas em uma das salas da associação. O local, que abriga cinco máquinas de costura e todos os materiais de aviamento do projeto, está pequeno, além de ter problemas de rachadura nas paredes. "As meninas que trabalham com costura manual ficam no espaço de uso comum da associação, pois todas nós juntas não temos espaço", lamenta Rochele. Além disso, os processos de corte são feitos fora da sala do atelier, tento em vista que o espaço não suporta uma mesa de corte apropriada.
O principal objetivo do projeto é construir uma nova sala no espaço cedido pela Acomuz. A ideia é realizar a ampliação do espaço onde serão instaladas as máquinas e todo o material utilizado na costura. Desta forma, o projeto poderá receber novas integrantes, já que não é possível ampliar o número de participantes. A sala onde as costureiras trabalham atualmente será transformada em uma sala exclusiva para corte e desenvolvimento de moldes.
Porém a ideia ainda está no papel, os valores das vendas das roupas do Atelier não são suficientes para realizar a obra, e o projeto não recebe incentivo do poder público. A Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM-Sul) está iniciando uma parceria com o projeto por meio da empresa júnior ESPM - iniciativa formado por alunos da graduação de diversos cursos. A empresa irá mapear e estruturar diversos pontos do Atelier com o objetivo de inserir os produtos fabricados pelas costureiras no mercado.
"Eu não sou vendedora, tenho dificuldade em comercializar as peças desenvolvidas pelas costureiras", afirma a estilista. Além de ajudar com a captação de recursos através da comercialização dos produtos, a iniciativa irá auxiliar o Atelier a captar recursos com empresas privadas. Todos os recursos serão utilizados na construção do novo atelier.
Além de criar a formação de renda e empoderar as integrantes do projeto perante a sociedade, incentivar a sustentabilidade nas relações de consumo também é um dos objetivos do projeto. Todas as roupas são feitas com retalhos reutilizados. Segundo Rochele, o projeto deseja se tornar referência em trabalho comunitário com reaproveitamento de materiais oferendo produtos de qualidade. Entre as peças desenvolvidas pelo Atelier estão kimonos, vestidos e casacos. É possível também realizar encomendas de roupas exclusivas para as integrantes do projeto. As peças são comercializadas na sede do atelier ou através do facebook do projeto: Atelier da.cruz. Para quem quiser doar matérias de aviamento para o Atelier é possível entrar em contato através do e-mail: atelier.dacruz@gmail.com.
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