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Porto Alegre, quinta-feira, 13 de julho de 2017. Atualizado às 23h12.

Jornal do Comércio

Política

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Operação Lava Jato

Notícia da edição impressa de 14/07/2017. Alterada em 13/07 às 21h29min

Ex-presidente volta a dizer que pretende ser candidato e anunciou que continua 'no jogo'

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta quinta-feira, que ainda "está no jogo" e reivindicou ao seu partido o posto de candidato à presidência da República em 2018. "Se pensam que com essa sentença me tiraram do jogo, eu estou no jogo", disse o petista em pronunciamento.
"Reivindico ao meu partido algo que nunca reivindiquei antes, que é o direito de ser o postulante à presidência da República em 2018", afirmou Lula.
O ex-presidente também atacou a Justiça, dizendo que esta "não pode tomar decisões políticas e que a única prova que existe no processo é a da sua inocência".
Na quarta-feira, Lula, de 71 anos, foi condenado pelo juiz Sérgio Moro a 9 anos e 6 meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex no Guarujá (SP). O petista também foi proibido de assumir qualquer cargo público por 19 anos. É a primeira vez na história que um ex-presidente é condenado por crime comum no País.
Na sentença, Moro considerou que existem provas de que a construtora OAS pagou cerca de R$ 2,2 milhões em propinas para por meio do triplex, que foi confiscado pelo magistrado.
Apesar da condenação, Moro optou por não decretar a prisão do ex-presidente Lula por entender que "a prudência recomenda que se aguarde o julgamento" de um recurso, uma vez que o julgamento ocorreu na primeira instância do Judiciário. Além do caso do triplex, Lula ainda é réu em outras quatro ações penais.
Enquanto o ex-presidente buscará reverter sua condenação em segunda instância alegando que as provas de inocência foram ignoradas por Moro, procuradores da Lava Jato informaram que também devem recorrer da sentença por considerarem a pena muito branda.
Se a condenação for confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, Lula será impedido de concorrer à presidência em 2018. O petista lidera as pesquisas de intenção de voto para a corrida ao Palácio do Planalto.
 

'Vizinhos' do Guarujá mostram alívio com condenação

O dia ensolarado no Guarujá, litoral norte paulista, não parece ter sido o único motivo de comemoração para os moradores do condomínio Solaris, edifício na praia de Astúrias que se transformou no símbolo da condenação do ex-presidente Lula (PT).
Vizinhos ao triplex que pertenceu à família do petista, imóvel depois retomado e revendido pela construtora OAS, pareciam mais tranquilos com a sentença dada pelo juiz Sérgio Moro.
De biquíni e acompanhada de uma sobrinha, a dona de um apartamento logo abaixo ao triplex, a aposentada Maria Francisca Rocha, de 60 anos, dizia que "só quer curtir a folga em paz", após toda a repercussão do caso. Ela lembra da propaganda que foi feita à época do lançamento do empreendimento por conta do vizinho ilustre.
"Os corretores vendiam os apartamentos falando que o presidente ia morar aqui. Isso há mais de sete anos, mas nunca me preocupei com isso. Então, se ele foi condenado, é porque tem prova, e foi justo. Só quero agora curtir minhas folgas em paz", afirmou Maria Francisca, enquanto motoristas passam devagar, apontando o prédio. "Já não me incomodo mais", garante ela.
Ao observar curiosos tirando fotos do empreendimento, o aposentado Pedro (preferiu não dar o sobrenome), de 69 anos, endossa o discurso da vizinha e afirma não entender o interesse das pessoas no prédio. Ele mesmo entrega a qualidade do empreendimento: "não é essa coisa toda". Pedro mora em Marília, interior do estado, e é dono de um apartamento no prédio há três anos.
"Esse prédio não tem nada demais. Tem coisa muito melhor. Daria para Lula comprar de forma legal. Eu mesmo prefiro o interior. A praia era até melhor frequentada antes disso tudo. Nem acho que a condenação foi merecida por causa do triplex, mas por tudo que ele fez. Agora, acredito que tudo ficará mais tranquilo", diz Pedro.
A condenação de Lula não surtiu grandes efeitos na cidade. Nenhum ato a favor ou contra a condenação de nove anos e seis meses do ex-presidente foi registrado por ali desde que ele se transformou no primeiro ex-presidente condenado na história do País. Nesta quinta-feira, a movimentação na Astúrias era a de um dia normal de sol quente em pleno inverno: algumas barracas, poucos banhistas e um movimento de moradores bem abaixo do que se registra na alta temporada.
O vendedor Diego Cury, 26 anos, no entanto, gosta do movimento que foi provocado pela curiosidade em torno do "triplex do Lula". Ele trabalha região há quatro anos e é vizinho ao prédio. Por conta da "demanda", conta que até já serviu de guia para curiosos que passam pelo local.
"Passam aqui direto, perguntam pelo apartamento do Lula. Eu até brinco dizendo que moro ali também, que o triplex também é meu. Mas as pessoas falam demais. Não tenho certeza se ele realmente comprou apartamento aqui. Pelo menos nunca o vi", afirma Cury, ignorando o testemunho do próprio ex-presidente, que chegou a visitar o edifício acompanhado de Leo Pinheiro, então presidente da OAS.

Funaro cita 'malas de dinheiro a Geddel'

O doleiro Lúcio Funaro afirmou à Polícia Federal que fez várias viagens a Salvador (BA) para entregar malas de dinheiro diretamente ao ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB).
Segundo o relatório policial que contém a oitiva feita na sexta-feira passada, "o declarante (Funaro) fez várias viagens em seu avião ou em voos fretados, para entregar malas de dinheiro para Geddel Vieira Lima, que essas entregas eram feitas na sala VIP do hangar Aerostar localizado no aeroporto de Salvador (BA), diretamente nas mãos de Geddel".
Funaro disse também que fez duas viagens para praias do Nordeste em que realizou "paradas rápidas em Salvador, para entregar malas ou sacolas de dinheiro para Geddel".
Em uma delas, ele conta que apresentou a mulher, Raquel, ao político quando ela desceu no hangar para ir ao banheiro. Disse ainda "que reclamou com Raquel por ter saído da aeronave".
No mesmo depoimento, o doleiro relatou que Geddel costumava falar para sua mulher que estava ajudando "pleitos (de Funaro) juntos ao Judiciário". Disse ainda que tinha certeza que o político fazia "acompanhamento das questões processuais que envolviam a prisão do declarante"
"Considerava possível que Geddel e outros ligados a ele pudessem exercer influências políticas sobre algum órgão, ou até mesmo o Poder Judiciário, afim de prejudicar o declarante, caso resolvesse firmar acordo de colaboração", afirmou Funado à PF.
Funaro reiterou que os contatos insistentes de Geddel com sua mulher provocaram nele "um sentimento de receio sobre algum tipo de retaliação caso viesse a fazer um acordo de delação premiada, tendo em vista que Geddel era membro de primeiro escalão do governo e amigo intimo do presidente Michel Temer".
O relatório policial integra o novo pedido de prisão do peemedebista feito pelo Ministério Público Federal no Distrito Federal e negado nesta quinta-feira pela Polícia Federal.

Lindebergh defende que PT não lance candidato se petista for impedido

O líder do PT no Senado, Lindbergh Farias (RJ), defendeu nesta quinta-feira que o partido não lance candidato à Presidência caso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja impedido de concorrer.
Segundo ele, a proposta está em discussão dentro do partido. O líder disse que o PT lançaria candidatura aos demais cargos, à exceção da Presidência.
"Vamos eleger uma bancada denunciando o golpe", disse o líder ao ser questionado sobre o impacto do boicote nas candidaturas ao Congresso.
O presidente da CUT, Vagner Freitas, anunciou a realização de atos no dia 20 com o mote "eleição sem Lula é fraude".
Esse foi também o discurso da presidente do PT, Gleisi Hoffmann.
O tesoureiro do PT, Emídio de Souza, descartou no entanto a ideia de um plano B para o partido. "Só temos plano A".
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