Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Porto Alegre, quarta-feira, 19 de julho de 2017. Atualizado às 13h14.

Jornal do Comércio

Geral

COMENTAR | CORRIGIR

Relações trabalhistas

Notícia da edição impressa de 19/07/2017. Alterada em 18/07 às 20h48min

Protesto no Hospital Conceição critica demissão de servidora após denúncia de assédio

Sindisaúde-RS realizou ato para demonstrar repúdio à decisão do GHC

Sindisaúde-RS realizou ato para demonstrar repúdio à decisão do GHC


MARCELO G. RIBEIRO/JC
Isabella Sander
Um piquete montado na manhã de ontem em frente ao Hospital Nossa Senhora da Conceição, na Zona Norte de Porto Alegre, alertava servidores e população sobre a demissão de Raquel Furtado, de 34 anos. Higienista concursada, Raquel fez uma denúncia no ano passado, tanto para a Polícia Civil como para a gestão do Grupo Hospitalar Conceição (GHC), de assédio sexual cometido por um médico da instituição. Neste ano, publicou a história no Facebook.
A repercussão foi tanta que a nova direção do hospital a chamou para conversar e abriu Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra ela, por "denegrir" a imagem do estabelecimento, e contra o médico, por assédio. Dez dias após o fim da investigação, a servidora foi informada que estava sendo demitida por justa causa.
Raquel não participou do protesto, por orientação de seu advogado e do Sindicato dos Profissionais de Enfermagem, Técnicos, Duchistas, Massagistas e Empregados em Casas de Saúde do Rio Grande do Sul (SindiSaúde-RS).
"Não sabemos o que deu no PAD contra o médico, então não estamos acusando o profissional em si. Não podemos julgá-lo, mesmo que a Raquel tenha indícios e provas de que fala a verdade. Estamos repudiando a atitude da gestão de demiti-la", relata Ana Paula Capra, diretora de Raça, Gênero e Diversidade Sexual da entidade e colega da higienista.
De acordo com Ana Paula, o SindiSaúde-RS já acolheu diversos casos de colegas assediadas que não registraram boletim de ocorrência. "As pessoas não têm coragem, porque é muito maçante, muito sofrimento e humilhação", aponta. O modus operandi da instituição, segundo ela, é cometer assédio moral, trocando frequentemente o funcionário de setor.
Ana Paula respalda a opinião de Raquel, que relatou, em entrevista ao Jornal do Comércio, que os higienistas são discriminados no GHC. "São todos concursados, o que gera discriminação. A gestão é despreparada, composta por pessoas com indicações políticas, que fazem o que bem entende", critica.
O advogado da funcionária demitida, Otávio Pan, relata que o processo foi iniciado quando a servidora recebeu a primeira sanção do PAD, uma pequena advertência. "Entrei, na época, com uma ação buscando a reparação por danos morais, em função do assédio. Depois, quando ela sofreu a demissão por justa causa, fiz um aditamento pedindo sua reintegração ou, caso o juiz entenda que não é o caso, que reverta para injusta causa, para que a Raquel receba todas as verbas rescisórias", explica.
Na sexta-feira, o sindicato exporá a situação na Câmara de Vereadores. Hoje, a deputada estadual Manuela D'Ávila (PCdoB) registrará ofício na Assembleia Legislativa, pedindo esclarecimentos do caso por parte do GHC. O deputado estadual Pedro Ruas (PSOL) participou do piquete. "Há toda uma tentativa de terceirização das atividades no hospital. Essas nomeações de caráter político na gestão do GHC historicamente são um problema. A demissão por justa causa dessa servidora está dentro deste problema, mais abrangente", observa.
 
COMENTAR | CORRIGIR
Comentários
Sergio 19/07/2017 10h41min
Estranho, muito estranho o silencio do SIMERS - sindicato dos médicos. Gostaria ver uma "nota" sobre o seu associado envolvido nesse embroglio. Não me sai da cabeça o protesto do SIMERS, quando um medico cubano salvou o paciente que deveria ser atendido por médico brasileiro, associado ao SIMERS, faltou ao trabalho. Agora esse, assediou uma funcionária e ficaram sem comentários. Isso é feio, pior não tem volta, pois foi uma pedra atirada.